donna maria

donna maria

n. 1959 PT PT

Uma descrente que em tudo crê Uma lírica que acredita em utopias Uma "inconsciente" consciente

n. 1959-05-11, Portugal

Perfil
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Algarve na objetiva

Algarve é plano e esguio
Com gente de fio a pavio
É azul e verde por natureza
É azul e branco por tradição
Nas casas que construiu
Por imposição ou condição

O Algarve é tosco.                                                                                                                                                      
Mas rendilhado também                                                                       
É o vermelho da terra quente
É o Algarve  de Agosto
Destino de férias de muita gente
É o algarve do briosco

Selvagem por condição
Snobe por definição
O Algarve é os opostos
O do Resorts e do dinheiro
É o Algarve dos obradores
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Poemas

4

DE(AMOR) E DES(RESPEITO)



Foi-se a primavera e chegou o verão
E com ele, as novidades também
Logo a mãe chama seu maridão
E de imediato diz, com doçura ou com desdém:
As férias estão aí para gozar
Eu preciso descansar e veranear
Leva nosso filho contigo pela mão
Aproveita, que tens a minha permissão
Que esta oportunidade te vai acabar
E não esqueças as novidades do solar
Pois é só o tempo de as férias passar
E o gosto de teu filho contigo teres vai acabar







604

SE PENSARMOS

"Se pensarmos em todas as baixezas morais a que uma economia mal organizada obriga o ser humano
Se pensarmos em que a maior parte deixa de praticar aquilo que é digno e justo porque se encontra numa dependência económica
Se pensarmos em que todos os conflitos têm a sua origem na luta pela vida, que se explica num mundo mal organizado e de distribuição deficiente
Se pensarmos em tudo isto, então poderemos calcular o que virá a ser a existência de homens economicamente livres e com todas as possibilidade de darem expansão aos ideais de inteligência e moral que há em toda a alma mas que as condições de vida sufocam a aniquilam."

509

BOA FÉ FAZ MAL À SAÚDE

No trabalho foi um exemplo de chefia
Aos colegas e patronato ajudou
Porque a sua consciência assim lho dizia
Lutou por aquilo que a outros pertencia
Como se de um filho seu se tratasse
Porque no patrão acreditou
E sua consciência não permitia que falhasse

No final, quando de cansaço adoeceu
Ao desemprego foi parar; mas por ironia
Primeiramente a seu ordenado se reduzia
Sem falar na cruel humilhação a que
A besta do pratonado entretando a submetia

Acreditou na boa fé e perfeição do homem
Para chegar à conclusão que só existe lubisomen


605

o amor do poder

...
O amor do poder é insidioso; tem muitos disfarces
e algumas vezes é a origem do prazer que sentimos
ao fazer aos outros o que imaginamos ser o bem.
Frequentemente entra também outro elemento no jogo.
"Fazer bem" aos outros consiste geralmente em privá-los dalgum prazer.
...
B. Russel
492

Comentários (2)

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silveira

Parabéns pela poesia. Ass. Silveira

anaceu

Não é normal!!!