Elian (Nane)

Elian (Nane)

n. 1959 -- --

n. 1959-09-09, Rio de Janeiro

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A MORTE DE UM SONHO


Meu sonho adormeceu
No seu silêncio devastador
E entorpecido liberou
A realidade que me compete
Pede coragem a vida
E outros sonhos vislumbram
Enquanto no limiar da loucura
Descansa o principal
Pedem passagem os novos
Para alimentar a vida
Enquanto adormecido o fatal
Não liquida com a mesma
É briga de foice
Da ilusão com a realidade
E não só adormecer
Um é preciso morrer
Ou o sonho mata a vida
Ou a vida mata o sonho
Deixá-lo apenas adormecido
É transformá-lo em pesadelo
E sonho que não pode ser sonhado
Pede adaga afilada
Cravada com força nas entranhas
Enquanto entorpecido
(Nane-31/03/2015)

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Poemas

152

O voo da Gaivota


Viajei em meus sonhos
Alcei voo...
Sobrevoei o mar
E vi no silêncio do meu voo
A sua imensidão de calmaria...
Voei tão alto...o mais que eu podia
Planei sem preocupação
Alto...bem distante do chão...
Deixei o vento me levar
Por onde ele fosse passar
Voei sem destino nenhum
Em busca de nada e de tudo
Dei asas a minha liberdade
E voei para longe daqui
O calor do sol
Subi, subi, subi...
Veio a vertigem
Embrulhou-me o estômago
Pesou-me o corpo
A asas se fecharam
Mergulhei no vazio
A terra se aproximando
Depressa demais
Os olhos turvos
Parafuso no ar
Sangue na areia
Gaivota caída
Não voo mais
Nem mesmo de avião

Mulher acordada
Sonho perdido
Realidade exposta
Começa outro dia...

(Elian-19/03/2012)

1 136

Câncer da alma


O câncer da alma se prolifera
Em metástases que contamina
Multiplicam-se as células
A alma cresce além do corpo
Ultrapaça os espaços contidos
Se aperta...faz doer...quer se libertar
Corpo inócuo e impávido
Não percebe o perigo
Da alma que se rebela
E tenta fugir...liberta
Na metástase que cresce
E faz romper os músculos
Já sem muita resistência
Sem elasticidade...
É alma rebelde em corpo insano
Querendo fugir sem saber pra onde ir
Mas não querendo ficar
No corpo que a abriga sem nenhuma briga...
A metastase se prolifera
E devasta como fera
Tentando de todas as formas
Romper o elo que prende
A alma aflita no corpo
De quem não mais almeja
Nada que seja de corpo
Nada...que seja daqui...

(Elian-19/03/2012)

584

Uma cena do passado



A cena na infância longínqua está gravada na memória...minha mãe cuidando de seu jardim, entre rosas e margaridas, palmas e hortências...eu sentada no alpendre da varanda, entre bonecas e livros, que ela mesma me ensinou à lê-los. A conversa girando sobre o futuro que viria...o que seria de mim...o que seria eu...Por ela, como quase todas as mães, médica de branco, doutora Elian! Mas eu, já de pequena, sonhava escrever e contar histórias...dizia pelos quatro ventos que seria escritora. Como as mulheres que escreviam os livros que eu lia. Lia os homens também, mas naqueles tempos de tantas desigualdades, eu já admirava as mulheres escritoras, embora tenha sido um escritor quem marcou a minha iniciação nas leituras. O primeiro livro que li foi 'O meu pé de laranja lima' de José Mauro de Vasconcelos. E foi aí que me encantei com a literatura. Minha mãe contava as histórias de Monteiro Lobato para nós (a sua filharada), mas na época não tínhamos livros disponíveis, e ouvíamos a sua narrativa imaginando as cenas.
Naquele dia, em que ela cuidava do seu jardim, tão admirado pela vizinhança, minha mãe me dizia que quando ela envelhecesse, seria colocada num asilo. Ela dizia que esse era o destino dos pais. Que era comum isso, já que os filhos certamente teriam seus compromissos profissionais e familiares, e ela estava preparada para isso. Eu a olhava admirada e retrucava: ...Jamais mãe! Eu nunca vou deixar que você vá para um asilo. Vou cuidar da senhora enquanto a senhora viver mãe. Ela apenas sorria um sorriso de quem não acreditava...e continuava plantando suas flores.
Hoje é o futuro...minha mãe está aqui, comigo...envelhecida, frágil, deficiente...estou cumprindo minha promessa daquele dia...tão distante. Eu não virei uma médica, mas vesti o branco da enfermagem. Também não me transformei numa escritora, mas virei rabiscadora...e o futuro daquele tempo... é o meu presente de hoje.

(Elian-17/03/20112)

366

Dentro de nós


Entre erros e acertos
A gente se completou
E de certa forma
Viveu um grande amor
Agora é passado
Se não fui perfeição
Você também não foi solução
Guarde de mim o melhor
Que eu também levarei o seu
E esqueçamos o pior
Deixemos o passado adormecer
Vou levar você na mente
Por onde quer que eu vá
Mas é preciso te fazer adormecer
Dentro de mim
Para que em outras bocas
Eu não beije a sua
Para que em outros corpos
Eu não ame o seu
Então vou te fazer adormecer
Dentro de mim
Vou levar o seu melhor
E quando eu tiver que partir
Me guarde na lembrança
Pois mesmo adormecida
Viverei dentro de ti

(Elian-23/03/2012)

370

Três minutos de viagem


Embarquei na astronave
Sem saber para onde ir
Viajando pelo espaço
Em branco...em branco
Na cabeça só viagens
Sem mapas, sem portos
Estrêlas sem brilho
Passaram por mim
Me deixei levar assim
No infinito espacial
Envolvida no silêncio
Do espaço sideral

Lá nada pode me atingir
Vou viajando sem saber
Por onde hei de ir
Subindo sem destino
Indo pra lugar nenhum
Apenas seguindo
Sem saber se vou voltar
Esquecendo de você
E de mim
Apenas viajar...

Quanto tempo vai levar
Pouco importa
Eu quero viajar
Sem destino de pousar
A nave vai me levar
E em algum lugar há de pousar
E se por acaso se perder
Na deriva do espaço
Eu vou sobreviver
Enquanto puder respirar

(Elian-23/03/2012)

438

O mergulho do sol


Juntei sonhos e planos
Num horizonte plano
Onde sua imagem eu enxerguei
E tentei dela me aproximar

Sei que de alguma forma
Te alcancei e te marquei
Mas não foi o bastante
E seu horizonte ficou distante

Desenhei em nuvens douradas
Do crepúsculo enfeitiçado
O seu nome emoldurado
Com o ouro do sol poente

E caminhei por sobre o mar
Na esperança vã de te alcançar
Mas bastava eu me aproximar
Para o seu horizonte se afastar

Enfrentei ondas sobre ondas
Mergulhei no mar bravio
Remei contra a maré
Até a exaustão

Foi o seu nome bordado
Em nuvens emolduradas
Que escrevi sem medo
Na moldura que eu criei

Eu queria te entregar
Junto com o meu coração
O presente no instante
Que alcançasse o seu horizonte

Mas não consegui chegar
Por mais que eu remasse
Vi seu nome no horizonte
Junto com o sol, no crepúsculo,se afogar...

(Elian-22/03/2012)

437

Intento ao vento


Faz tempo que eu tento
Faz tempo que meu intento
Junta tudo dentro de mim
Acumula meus centros

Ahh...
Faz tanto tempo que eu tento
Correndo atrás desses meus intentos
Que perdi a noção de quanto tempo
Eu juntei intentos dentro de mim

E foi por tão pouco tempo
Que eu senti realizar os meus intentos
Não falo de justiça e nem merecimento
Mas eu queria muito meus intentos

Vi tudo de dissipar ao vento
Sonhos e desejos se corroendo
Não importa mais o tempo
Deixa ele passar assim...lento

Estive tão pertinho...
Nada mais restou desse intento
Foi levado pelo vento
É tudo coisa que eu invento

Deixa ele ir...
No tempo...
No vento...
Partir...

(Elian-22/03/2012)

483

Deus e as muriçocas


Porque cada vez que eu tento
Algo dá errado
Destrambelha tudo
A vida perde o reio
O cabresto envieza
O cavalo perde o rumo
Sente o arreio frouxo
Me derruba da sela sem ferrolho
E trota livre sem direção
Rumo ao desconhecido
Me deixando assim, no chão...

E vejo sonhos desfeitos
Objetivos perdidos
Lutas vencidas
Lágrimas derramadas
Luzes apagadas
Músicas emudecidas
Poesias sem rimas
Telas borradas
Desejos contidos
Gritos calados
Viagens interrompidas...

E me pergunto a todo instante
O que é certo e o que é errado
Se persisto ou se paro
Se acredito ou duvido
Das promessas de um cara
Barbudo e onipotente
Que se diz protetor da gente
E me testa o tempo inteiro...

Ou sou o seu inferno
Ou estou no meu inferno
Um dia, por mais distante
Eu vou te encontrar
E aí...vou te perguntar
Olhando na sua cara
Para-quê servem as muriçocas ?

(Elian-26/03/2012)

407

Fatos&fotos



As vezes as fotos são fatos de fato
As vezes os fatos são fotos sem fato
E nesse vai e vem se misturam coisas
Numa efemeridade de fatos
Que fotos não provam os fatos
Nem fatos posam para as fotos
A subjetividade dos fatos
Também faz as fotos efêmeras
Já que a verdade de hoje
Se torna fugaz amanhã
E deixa de ser verdade
Sem nunca ter sido mentira
Apenas fotos efêmeras
De fatos que nunca foram de fato
Montagens que a vida se encarrega
De fazer e desfazer, de unir e separar
Na subjetividade efêmera
De fatos e de fotos
De fotos e de fatos
Sem fatos de fato
Montagens grosseiras
Que a vida interliga
E rasga a foto no meio
Colocando de fato
Cada um no seu lugar
São fotos sem fato
Verdades sem mentiras
Fotos sem fato...

(Elian-31/03/2012)

365

Coringa real


E numa mesa de carteado
Faço paralelo da vida
Onde os sonhos são coringas
Prontos para o jogo decidir
No momento exato da batida
E dar um xeque-mate na vida
Cartas que se não bem usadas
Faz nossos sonhos se dissiparem
E os tornam pesadelos
Por seguirmos utopias
E esquecermos o plausível
Que pulsa ao nossso lado
E se esvaem aos nossos olhos
Que quando de fato se abrem
O jogo estará perdido
E o coringa desperdiçado
Dos sonhos que sonhamos
Corra atrás do que é possível
Deixe a utopia voar sem direção
Para que o jogo não seja perdido
E o seu coração vencido
Saiba usar com maestria
Os coringas da sua vida
A cartada bem colocada
Te faz vencer essa batalha
Que numa mesa de carteado
Pode ser traçada a estratégia
De uma vida sem pesadelos
Nas cartas de um jogo embaralhado...

(Elian-01/04/2012)

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joaoeuzebio

A VIDA INCERTEZAS E A ESPREITA DE NOSSOS DESEJOS BELO POEMAS UM ABRAÇO