Elian (Nane)

Elian (Nane)

n. 1959 -- --

n. 1959-09-09, Rio de Janeiro

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A MORTE DE UM SONHO


Meu sonho adormeceu
No seu silêncio devastador
E entorpecido liberou
A realidade que me compete
Pede coragem a vida
E outros sonhos vislumbram
Enquanto no limiar da loucura
Descansa o principal
Pedem passagem os novos
Para alimentar a vida
Enquanto adormecido o fatal
Não liquida com a mesma
É briga de foice
Da ilusão com a realidade
E não só adormecer
Um é preciso morrer
Ou o sonho mata a vida
Ou a vida mata o sonho
Deixá-lo apenas adormecido
É transformá-lo em pesadelo
E sonho que não pode ser sonhado
Pede adaga afilada
Cravada com força nas entranhas
Enquanto entorpecido
(Nane-31/03/2015)

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Poemas

152

Lua mulher



Lua mulher
De fases
Imensa e sutil
Pequena e pueril
Feminina e menina
Clareando a noite
Em alvos lençóis
Num halo de luz
Que seus olhos seduz
Num acasalar de eclipse
Do sol e da lua
É fogo e paixão
Na cama nua
Que se confunde
Com a imensidão
Mulher e lua
De fases
Que atenua
Seu brilho pleno
Durante o dia
De correria
Lua mulher
De fases
Faz cegar com seu brilho
Ao dar prazer
Ao ter prazer
No anoitecer
Mulher e lua
De fase
Se confundem
Se fundem...

(Elian-18/05/2012)

838

Carolina



Choro meus dias amargurados
Enclausurados na rotina
Que faz deles tédio
Num acinzentar do sol
Lamento o tempo perdido
No tic e tac do relógio
Que tal ácido devora
Meus tímpanos incomodados
Enquanto a vida lá fora
Passa com voraz pressa
E os calos me fazem marcas
Nos cotovelos enraizados na janela
Clamo a tal liberdade
Mas me perco na indecisão
De voar rumo ao horizonte
E não saber voltar
Passam os dias
Passam as noites
Gente que vai
Gente que vem
Não me chamo Carolina
Mas meu tempo se esvai na janela...

(Elian-18/05/2012)

456

Yin e Yang







Eu sou
Eu fui
Eu sei
Eu tudo
Na real, eu nada...
O que sei de mim
Não sei
Pensei saber
Me conhecer
Mas nada sei
Me idealizei
E não me apresentei
Tenho atos e ações
Gestos e palavras
Sentimentos e vontades

Que nunca pensei
Pudesse ter
Faço coisas que não faria
Se fosse eu, de fato eu
A pessoa que conheço
E acreditava ser eu...
Idealizei o que eu queria ser
Na essência do meu ser
E descobri que para me conhecer
Não basta o meu querer
Sou céu
Sou terra
Sou parte da humanidade
Meu Yin e meu yang
Tanta estrada para rodar
Tanta coisa para aprender
Tanto eu...para conhecer
Eu sou
Muito do que não sei
Ou nada...do que pensei

(Elian-19/05/22012)

466

O seu diário



Escreva em mim
Os seus segredos
Serei seu diário
Guardarei em mim
Cada palavra que disseres
Cada sentimento que expressares
Cada sonho que sonhares
Deixarei gravado em mim
As decepções que tiveres
As alegrias vividas
As paixões descabidas
Os amores proibidos
Os desejos escondidos
As vontades contidas
Perdidas no tempo
Escreva em mim
Tudo o que quiseres
Sem nada limitar
Sem nada perder
Guardarei a sete chaves
Os momentos que me confiares
Para que quando, um dia
Resolveres me abrir
Se veja integralmente
Dentro de mim...

(Elian-19/05/2012)

775

O silêncio do poeta


Seu olhar está distante
Num ponto nenhum
A mente divaga sem destino
Por onde andará...vai saber
As mãos parecem inquietas
Sem 'estrada' para percorrer
Esquálidas, suadas, desajeitadas
Ele apenas observa à sua volta
Não conversa com ninguém
Nem mesmo vê o que se passa
Parece uma estátua
Tão só...tão solitário
Por onde andará seu pensamento...
Seu silêncio parece arrogância
Aos que com ele falam, sem respostas
Mas no fundo é só um transe hipnótico
Que sem aviso, arrasta a sua alma
Deixando o corpo inanimado assim...calado
Quanto tempo levará...ninguém sabe
Mas o tempo necessário
De um poeta operário...
É uma ausência que se impõe
Na sua busca eterna por inspiração
E só sua respiração
Diz que ele está bem, vivo
Deixem o poeta em seu casulo
É só a sua paz que ele busca
Nas palavras que procura
Para expressar a sua arte
Não o julguem arrogante
Ou tão pouco em agonia
O silêncio do poeta
É o prefácio da poesia...

(Elian-02/06/2012)


485

Ao som de uma canção



As minhas mãos...
O tato na sua pele
Elas podem sentir
Mas você não está aqui...
Já vai alta a noite
A minha cama vazia...fria
Adivinho o seu cheiro
Mas você não está aqui...
Eu te vejo sorrindo pra mim
Abrindo seus braços e me chamando
Eu te vejo sorrindo pra mim...
Tem um vento que sopra lá fora
Algumas buzinas de carros
Gente na noite perdidas
Outras que se encontram
Camas que gemem
E eu...te vejo sorrindo pra mim...
Ouço bem baixinho, uma canção
A letra não entendo
Vem de algum lugar distante
Uma melodia instrumental
Um Pearl Jam talvez
Não consigo definir
Mas providencial
Enquanto te vejo assim
Sorrindo pra mim...
A noite já vai alta
A minha cama está vazia...fria
Você não está aqui
Mas eu continuo a te ver...sorrindo pra mim

(Elian-02/06/2012)

593

No meu abraço


Vem comigo...
Deita em meu colo a sua cabeça
Fecha os olhos e escuta a canção
Deixa voar o pensamento
Sonha com o que você quiser
Enquanto acaricio seus cabelos...
Estou aqui para te confortar
Sou sua amiga...sua irmã
E posso te afagar até amanhã...de manhã
Vem...vai passar essa agonia
Que tira dos seus olhos
O brilho intenso que inveja
A lua e as estrelas lá no céu...
Eu vou cuidar de ti
Senta aqui perto de mim
Deixa ficar lá fora
Tudo o que te incomoda
Não diga nada agora
O seu silêncio revelador
Tem meu regaço acolhedor...
Se aninhe em meus braços
Não diga nada
Apenas deposite nesse abraço
O seu cansaço...

(Nane)

378

Papel em branco


Se tu não vens
Por que insistir
E persistir
Choram meus versos
Por não poderem
Rimar o amor
Poeta sem inspiração
É feito sangue sem coração
Estático à podridão
Deixar de escrever
Não consigo
Escrevo saudades
Triste a sina
De poeta ferido
Na alma
Se tu não vens
Escrevo o vazio
Do papel em branco
(Nane - 02/02/2014)

365

TELHADO DE VIDRO


Chamam de mentira
A verdade inventada
E tão acreditada
Que foi vivida
E feita verdade
Mas tão cobrada e vingada
Por nascer mentira
Contorcida na metamorfose
De aparência horrenda
Que a transformou em verdade
E sobreviveu
Pelo tempo determinado
Na durabilidade
Da vingança ou piedade
Pelo ser que a pariu
Pouco importa a verdade
Vade retro Satanás
Posto que serás mentira
Enquanto viva for
E ao inferno não sucumbir
O fato é que morreu
Sem ser prematura
Ainda que verdade
Nasceu mentira
E morreu sem velório
A pedra atirada
Matou a verdade
Vingou a mentira
Da alma limpa
Que a lançou
Sem telhado de vidro
Nada quebrou
Apenas a verdade
Deixou de ser verdade
Por não mais interessar


(Nane-23/03/2015)

420

DALÍ AQUI


A arte de viver
Numa tela de Dalí
Onde o real é su
Sem mentiras e nem verdades
A arte de sorrir
Numa poesia de Dos Anjos
Onde o negro se faz branco
Num sentimento Augusto
A arte de cantar
O amor imorredouro
Disfarçado de mutante
Nos versos da beleza fundamental
A arte de chorar
Toda a dor que há no mundo
Quando no meu céu não brilha
A estrela que me guia
A arte de escrever
Todos os meus desassossegos
Nas entrelinhas do destino
Destilado no meu sangue
A arte do não saber
O que me vai pela cabeça
Enquanto escrevo o que sai
Sem perceber o que fica
A arte de existir
Quando já não mais importa
Viver só por viver
E continuar a escrever
A arte de preencher
De cores a tela em branco
No surrealismo delirante
De quem não precisa se fazer entender
A arte do arco-íris
Das sete cores e tons
Ironicamente perdido
No brilho do próprio ouro
A arte da mentira
Transformada em verdade
Pagando o preço inflacionado
De ser uma eterna ilusão
A arte de ser só arte
Quando se é vida
Sem nenhuma arte
Mas ainda surreal
(Nane- 14/03/2015)

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joaoeuzebio

A VIDA INCERTEZAS E A ESPREITA DE NOSSOS DESEJOS BELO POEMAS UM ABRAÇO