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bicicletar

me sinto bobo por te amar, é estranho
quero andar lado a lado de bicicleta contigo, apesar de todo o perigo
quero te contemplar, te ver mulher, mas também menina
menina que se aconchega e diz ser minha
quero te presentear, dar algo monumental 
por isso vou parcelar
te dou um beijo hoje
e um dia se forma esse mosaico - colossal
quero me afundar em ti, pressionar tua pele, me prender nas tuas cordas, não sabendo o que lá vou encontrar
certamente, alguma dor, mas nada que não possa suportar
por ti faço loucuras, inclusive amar
sou piegas, não escondo
e sendo assim, ao teu lado na ciclofaixa, viro o rosto para direita
um desgoverno, carros atabalhoados, odores confusos, tudo do que a vida é feita
entre o caos e a calmaria, olho para frente, uma curva se aproxima
nela, vou te ver melhor, vou pedir que desacelere e, talvez, tu me olhe e veja o meu sorriso que tanto pede
queria que isso fosse infinito, mas o sinal nos para, falo que o trânsito tá foda, mas eu nem acho
quero tirar palavras de ti apenas
talvez algumas delas sejam para mim
freio, vejo tuas costas, tua calça apertada
teu arquejo me infunde cores insinuantes
fujo desse erotismo para dar lugar ao que pensava antes
ao idílio, te ladeio, vejo claramente o que desejo
desejo ser essa brisa que alucina, que te tira, por um momento, de toda vida, a vida da direita, essa da anarquia que nos rodeia
desejo ser essa liberdade sentida, essa que contamina, que te torna deliquente de furar o sinal vermelho e o da minha vida.
ah, você, aí, arfando, com os cabelos revoltos, não sabe o prazer com que te ouço, ouço tuas exclamações, teus xingamentos aos motoristas imprudentes, teus 'olha a lua', 'olha o sol', 'olha o céu!', ah, olha a vida, meu amor
a vida me presenteou e não há final que seja triste, por que não um texto que não acabe? que não ponha dúvida na eternidade desse estupor que é o nosso amor?
e com uma rima tosca vou recomeçar o ciclo 
sim, sem fim
até porque te amo, simples assim…

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Poemas

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diário 1

Praticar o bem exige, acima de tudo, humildade de se reconhecer em alguns momentos como perverso. Sabendo da natureza ambígua ou, melhor, universal, seremos mais compassivos com nós mesmos. Em muitos momentos do meu dia, sou incrivelmente perverso, o que me espanta. Posso ser tudo aquilo ao qual me oponho. Em mim, moram todos os defeitos e crimes. Entretanto, não sou aquilo que penso nem sinto. O meu ‘eu’ se encontra acima dessas entidades, em algum lugar construído por Deus com muitos quadros de sentimentos e pensamentos humanos diversos. Em um quadro, há uma criança chorando, segurando, com as 2 mãos, a perna esquerda com feridas abertas; ao lado, um homem com face violenta munindo um graveto espesso. Em outro quadro, o mesmo menino, o mesmo homem, mas com os papéis invertidos. Tais lembretes de quem somos cumprem o propósito de termos em memória que podemos exercer todos os personagens, bons e maus, dessa vida.  Nesse espectro bom e mau, extremos, variamos nossa posição na linha da vida. Dessa forma, culpar-se por um atitude infeliz é o mesmo que elogiar-se pela feitura de um ato bondoso. Não somos os instantes de nossa vida. Ao perpetrar o mal, que eu seja indiferente; ao fazer o bem, que eu seja indiferente. Evidente que a busca de todos é pela proximidade cada vez maior do extremo do bem no espectro da vida. Ações e falas convergindo ao bem.
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