Emílio

Emílio

n. 1944 PT PT

n. 1944-06-25, Loulé

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Liberdade

Liberdade...

Ao me permitires passear no teu mundo

No teu território

Na tua pele

Na tua casa

Abri meu coração.



Adorei cada momento

Cada onda

Cada porta que abriste.



Prometo nunca te invadir

Adoro quem és

Quero a liberdade que há em ti

Para sempre.

(Emílio casanova, "Coisas do Coração" )

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Poemas

43

Gosto

Gosto

Noite de agosto

ondas vão

ondas vêm

sol já posto.

Ela beija-me

Eu gosto

Lábios de fogo

Corpo ardente.

Beijo os ternos seios

Um desejo potente

Ela beija-me o membro

Eu lambo-a profundamente.

Galopo a imensidão

Mergulho no rio aberto

Venho-me no orgasmo

Dilacerante da comunhão.

Afaga-me com arrepios

Sorri brilhando os olhos

Sussura meu nome

Apertando meu coração.



874

Sonho

Sonho...

Da paixão, dos afetos,

dos teus sorrisos,

construo um sonho.

Caminho no tempo de horizontes,

vividos, limados, escurecidos,

de enlouquecidos fantasmas

que subjugaram o consciente,

adormecendo sentimentos,

calcando emoções de percursos tortuosos,

foragidos da sedução da vida.

Sonho o caminho das tuas mãos,

a maciez do teu peito,

a rigidez dos teus mamilos

sobre o meu rosto.

Solto os diabos enraivecidos,

os fantasmas carcomidos,

ateio fogo à floresta

e voo na brancura alva

do teu ventre, passado,

futuro e presente.

Emílio Casanova, "Coisas do Coração"
952

Curvas



Meu amor,

no amor

não há retas

nem curvas,

as curvas

ficam retas

as retas ficam curvas.

Emílio Casanova,"Coisas do Coração"
1 029

A Festa do Silêncio

A Festa do silêncio
Sinto os sons que me rodeiam
Na alvura dos silêncios das nuvens
Na espuma líquida do mar
Procuro vales do silêncio
Onde o sol costuma mergulhar.

A música do pensamento
Vem em festa o silêncio festejar
No ar espreguiço meus braços
Agarro os sons do momento
Na esperança de os ver dançar.

Sobem folhas rodopiam folhas
Crianças silenciam jogos de agarrar
Flores calam fundo amores
Reina o silêncio na hora
Beijos silenciam dores.
Calai-vos, chegou o silêncio
Da bela aurora.
Emílio Casanova, "Ninguém Compra"
822

Oásis

Oásis...

Nas curvas do teu corpo

Dunas de praia deserta

Busco eterno oásis secreto.

Entro em ondas de maré cheia

Espumas de mar salgado

Árvore de amor maduro

Fruto ancestral proibido

Perpétuo jardim de sonhos

Onde me enredas na tua teia.

Paraíso de orgias dádivas

Entregas nunca acabadas

Porque me levas em teus orgasmos

Me tornas escravo desse jardim

Me prendes ao eterno fim.



Emílio Casanova, "Coisas do Coração".

933

Dor



Dor...

do nosso mar fiz colchão ... belo... étereo ...

do luar espelho...de recordações...

da brisa... poemas de amor...

tudo agarrei nas
minhas mãos ...

olhei...mirei... esperei...

teu rosto de Yemanjá apareceu...

sorriu ... e disse
...amor de amor não tem dor...

e disse... dor da dor do amor é o maior amor...

e disse...por amor...por dor... vive a
eternidade...

sorri ...acreditei

a dor não foi embora...

Emílio Casanova, "Coisas do Coração"

600

Amar



Amar...

Quero inventar contigo

Recuperar tempo
perdido de tormenta

Quero namorar contigo

Retornar teus sentidos do tempo afastado

Quero cheirar teu corpo

Saciar meus desejos

Afagar teus seios

Quero namorar contigo

Numa praia deserta

Com escuro cúmplice sem sombra de dor

Dois amantes enamorados

Quero reacender a chama

Afastar as cinzas
traiçoeiras

Dum amor latente sempre presente

Quero respirar pela tua boca

Doce muito docemente

Como a brisa afaga e penetra no mar

Quero te amar
perdidamente

Emílio Casanova, Coisas do Coração



951

Triste

Triste...

Nesta triste e vil situação que atravesso

sinto o seu abraço de ternura

que me conforta...

No tumulto tortuoso dum quotidiano amargo

reavivo o seu cheiro perfumado

que me reanima...

Num viver sem vida, desértico e sombrio

reaprendo o seu amor quente e húmido

que me alimenta...

Até quando ... Até quando...



Emilio Casanova, "Coisas do Coração"

489

Solidão

Solidão

Reencontramo-nos no amanhecer

Desespero agitado no breu noturno

Gravado veneno do consciente profundo

Culpas que carrego em desalinho

Desamantes adiados desordeiros

Amargo caminho sem futuro destino

Oceano de solidão

Campo infértil de perdão

Emílio Casanova, Coisas do Coração
420

Foste

Foste



Partiste na altivez

Porte armado

Olhar certeiro

Anti fagueiro

Contra a paz domingueira

Deixei-te voar

Nesse teu ar seguro

De certeza das causas vencidas

Entreabri conventual portão

Dum amoroso casulo

Coração cansado de heroínas

Cobertas de vento

De espuma

Seguras de recantos

Ressabiados

Amores passados

Emílio Casanova, Coisas do Coração

825

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