A Festa do silêncio
Sinto os sons que me rodeiam
Na alvura dos silêncios das nuvens
Na espuma líquida do mar
Procuro vales do silêncio
Onde o sol costuma mergulhar.
A música do pensamento
Vem em festa o silêncio festejar
No ar espreguiço meus braços
Agarro os sons do momento
Na esperança de os ver dançar.
Sobem folhas rodopiam folhas
Crianças silenciam jogos de agarrar
Flores calam fundo amores
Reina o silêncio na hora
Beijos silenciam dores.
Calai-vos, chegou o silêncio
Da bela aurora.
Emílio Casanova, "Ninguém Compra"
822
Oásis
Oásis...
Nas curvas do teu corpo
Dunas de praia deserta
Busco eterno oásis secreto.
Entro em ondas de maré cheia
Espumas de mar salgado
Árvore de amor maduro
Fruto ancestral proibido
Perpétuo jardim de sonhos
Onde me enredas na tua teia.
Paraíso de orgias dádivas
Entregas nunca acabadas
Porque me levas em teus orgasmos
Me tornas escravo desse jardim
Me prendes ao eterno fim.
Emílio Casanova, "Coisas do Coração".
933
Dor
Dor...
do nosso mar fiz colchão ... belo... étereo ...
do luar espelho...de recordações...
da brisa... poemas de amor...
tudo agarrei nas
minhas mãos ...
olhei...mirei... esperei...
teu rosto de Yemanjá apareceu...
sorriu ... e disse
...amor de amor não tem dor...
e disse... dor da dor do amor é o maior amor...
e disse...por amor...por dor... vive a
eternidade...