Sou
Enide Santos, nascida no dia 30 de outubro de 1968. Na cidade de Condeúba -
Bahia.
Dona
de casa, artesã e mesmo tendo o ensino médio incompleto me atrevo a fazer
poemas. Seguindo assim um desejo incontrolável do meu sentir.
A
paixão pela poesia nasce ao me espelhar em meu pai, que se alfabetizou de
maneira inédita em sua adolescência, sem condições financeiras e por vários
outros fatores que o impediu de frequentar o âmbito escolar.
Por
meses ele espreitou os garotos que retornavam da escola, e escreviam pela
estrada de terra letras que aprendiam na escola, aprendeu perguntando para quem
sabia a leitura, como dizia ele.
Dessa
forma ele descobriu o mundo, e leu tantos livros quanto pode.
Fã
incondicional de Bocage.
Deixávamos-nos
eu e meus irmãos presos àquelas magníficas fantasias de suas narrações.
Deixou-me
assim de herança a sua força de vontade, que hoje uso para descrever meus
sentimentos mesmo sem ter um diploma.
Leio,
pesquiso, pergunto e construo.
Criei
meu blog para fazer-lhe uma homenagem, onde posto também minhas humildes
poesias.
Noites pesadas desabitadas apenas repletas de
dissabor
Oh!
Perca de tempo
Visões
de olhares distantes e doentes da alma
Enfastiadas
faces solitárias
Oh!
Solidão
Fonte
de sentimentos que jorram
Inutilmente
para fora e para dentro
Cálices
que ressoam para o nada
Oh!
Infindável tristeza que habita em mim
Em
noites de vigília
Lucubração
que desmorona com meus sonhos
Sonhos?
Oh!
Sonho que apenas atravessa minhas noites
Ilude
os meus dias marcando-os com pequenos passos
Pequeninas
pegadas deixadas no vão do nada
Oh!
Fardo de longínquas e penosas horas,
Voltadas
ao silêncio com tropeços em pensamentos
Embutidos
em palavras que agora rolam, rasgam-se para fora
Aqui
fora onde existe o que vivo dentro de mim.
Enide Santos 29/07/13
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Sabe quando aconteço?
Aconteço... quando de olhos abertos não enxergo nada. quando não penso no fim da estrada
Quando detenho meus sentidos nem mesmo um piscar o olho se atreve a dar cessam-se as batidas do coração morro um pouco morro um tempo para logo voltar a existir.
Aconteço... Quando deixo minha alma falar liberto-a para que possa sentir seja lá que sentimento for alegria ou dor. mesclando choro e riso concedendo-lhe abrigo
Aconteço sempre que vou em mim no canto da boca, nasce um riso em seguida tudo se fecha em um suspiro e estou eu a acontecer.
Enide Santos 21/07/13
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Quem sou?
Quem sou?
Na verdade, não sei muito bem quem sou.
Sei que sou o que sinto, do tamanho do que sinto.
Sinto-me viver vidas alheias.
Sinto as dores de quem nem está sentindo, mas eu sinto.
Sou o correr de uma lágrima, antes mesmo de chorar.
Sou um aglomerado de emoções.
Sou lamentos dos meus sofrimentos.
Sou pensamentos e pensamentos.
Sou reflexo das minhas atitudes.
Sou momento.
Sou o esquecer e o lembrar.
Sou a indagação da vida, sou ferida.
Sou o defender, o acusar.
Sou o conhecer do eu diferente.
Sou valente.
Eu sou transformação.
Sou a pessoa mais solitária do mundo,
Mas que nunca fica sozinha.
Sou a pessoa mais forte do mundo.
Mas que está sempre com medo.
Sou o exaltar das minhas realizações.
Sou mãe, sou filha, sou avó.
Sou o encontro de mim, comigo mesmo.
Sou o que sou, me orgulho muito de tudo que sou.
Enide Santos