O mar de lamúrias me atormenta As ondas do sofrimento atingem-me Na vida que percorre em minhas veias Tornam meu mar menos sofrido Enrusbecendo-se em meu corpo ferido
A vida nunca se alegrou em meus momentos Indiferente do que era agora minh'alma negra Tentar-me-ia parar de sofrer no ardor de meu fogo Como uma goteira que enche aos poucos a esperança Infeliz é aquele que em sua mente possui minha lembrança
O início há de haver o fim Meu tormento cessará como água extinguindo a chama Assim, a jornada que nunca deveria ter começado Terá sua última dor, seu último sofrimento Sem perdão, sem lamento
Eu sinto o cheiro da fumaça entrando em minha única narina Sinto o cheiro de sofrimento que causei para minha família Ah os gritos dela, como adorava seus gritos Minha pequena criança Você nunca foi de grande importância Por você sempre tinha muita impetulência Mas admito que nunca tive Algo que se eu tivesse por eles ao menos uma vez Aqui, nesse local, eu não estaria talvez
Você se divide em sua mente, em seu sofrimento Mas por eles que eu causei, eu só lamento Esse animal que me fura os olhos pela aparência irá me chamar Ele me observa e me julga, enrugando sua testa, sem ao menos uma palavra falar Há dias ou anos sem poder sentar Eu não sei o quanto tempo aqui demora a se passar
Uma fila enorme na minha frente ainda existe Mas aquela criatura possui um olhar infernal que ainda a me observar persiste Eu ainda não sei onde estou e nem para onde irei Mas pelo gosto do ar, será que tudo é porque nunca rezei? Nunca achei que precisaria, além do mais nunca disso precisei Em minha vida, sempre fui diferente de todos ao meu redor Pois meu pai sempre me dizia que eu apanhava para ser o melhor Mas nesse exato momento, a única coisa que sinto É um medo estranho, de ser observado por milhões de olhos que me penetram a alma, eu não minto
Minha vida pode estar em perigo nesse novo lugar Eu não faço ideia, essas pessoas por aqui parecem que nunca tiveram alguém para amar Em ouvidos chegam sons de gritos e sofrimentos E pelos sons que ouço, essa agonia e a única coisa que posso fazer é dizer meus lamentos E permanece perto de mim aquele monstruoso ser Agora admirando os gritos que vem em suas orelhas, como se fosse para ele um lazer
No pouco que resta de minha cabeça E percebo que em minha vida, nela não existia beleza Minha vida começa a ser lembrada por mim E de verdade, eu não sabia que ela era tão podre assim Vim para cá no instante que fui atingido pelo tiro E logo depois, de meu filho ouço seu grito Após isso vim parar nesse perturbador lugar Ah como eu queria estar em meu humilde lar
Aquela criatura que não se mexia por horas em seu local Agora emite um grunhido, um som puramente mal Ela estende seu braço com sua foice segurando E seu olhar percebe-se que nada em sua mente está pensando Ele me penetra sua foice em meu abdômen E ele diz "agora você é meu seu mísero homem" Sua foice nada sinto, apenas algo a me coçar E me joga em uma com olho para eu flamejar Com o fogo negro que ele segura Sons, grunhidos, palavras ele murmura Eu começo a me arrepender mas nada irá adiantar Pois ao citar Deus nesse lugar, minha boca a de se calar E apenas penso que esse será o meu novo lar
E de momento passageiro, esse instante desaparece E línguas mortas eu ouço uma única prece São sons que não consigo descrever Uma melodia para os que lá puderam nascer A insanidade toma conta de tudo e todos aos que lá perecem Apenas ouço gritos que os poucos sinto que me ensurdessem Vejo pessoas em suas bocas escarniadas amarradas Algumas com suas cabeças ao seu corpo emputrefado amarradas
Meus únicos pertences são esse bloco de anotações E esse lápis, para não gritar palavrões Me pergunto algo que me deixa impertinente Por que sou o único a ter objetos e mais ninguém de toda essa gente?
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Reflexão do Fim
O mar de lamúrias me atormenta As ondas do sofrimento atingem-me Na vida que percorre em minhas veias Tornam meu mar menos sofrido Enrusbecendo-se em meu corpo ferido
A vida nunca se alegrou em meus momentos Indiferente do que era agora minh'alma negra Tentar-me-ia parar de sofrer no ardor de meu fogo Como uma goteira que enche aos poucos a esperança Infeliz é aquele que em sua mente possui minha lembrança
O início há de haver o fim Meu tormento cessará como água extinguindo a chama Assim, a jornada que nunca deveria ter começado Terá sua última dor, seu último sofrimento Sem perdão, sem lamento