PREENCHIMENTO
ex-vazio
quando você
está em mim
Escobar Franelas
PROSOPOPEIA
a minha alma entra na sua
no trânsito entre as almas
inexiste a contramão
ciúme ou possessão
há entre elas uma transparência
a incorporação de ritmos, de imagens
signos e miragens que trafegam
sem colidir
a minha alma entra na sua
sem sair daqui
de qualquer lugar
a sua alma entra na minha
mesmo sem ser
sendo
somos
Escobar Franelas
O AMOR DECLA(M)(R)ADO
sobre o manto, o mantra.
sob a manta, amantes.
Escobar Franelas
SOLSTÍCIO DE UM VERÃO ETERNO
a poesia acorda, levanta, vai para a sala
encontra o homem que a nota
mas faz que não
e apressado, sai pra trabalhar.
a poesia não se abala
roda a casa, vai pra rua,
acompanha seu homem
cumprimenta outras pessoas
pinta pneus de vermelho
e as vozes de música
e o sangue transparente
cata pedras na rua
e faz colar de pétalas
tranca a sisudez na gaiola
leva a zebra pra passear
a luz da poesia ofusca o maucaratismo da inveja
e faz a sombra sambar
as cores de seu leque são sinfonia
abanando bach e beethoven
no arco-íris sem fim
o circunspecto crente que afirma
que só a poesia salva
goza o gosto da prosa
com sancho, macbeth ou borges
com cecília, virginia, macabéa
com ou sem rosa
já o cético em dúvida
mesmo com a prova dos nove
irá ao inferno de dante
para depois ascender
ao céu de tantos tons
dos diamantes dos beatles
alguns versos descansam
nos vãos do esquecimento
contudo, contra tudo
a poesia nunca dorme
mesmo entre mortos
Escobar Franelas
HAIQUASE - LXXVII
há mar em nós
amarrar de laços de ondas
navegamamos
Escobar Franelas
LAVA
a pele em erupção
em túrgida pulsação
a rosa em vazão
hipérbole das sensações
um vulcão de mil explosões
explosão de mil vulcões
desequilíbrio das emoções
catarse da convulsão
Escobar Franelas
O ANTISSOCRÁTICO
Da Roma antiga ao Brasil de amanhã, algumas das melhores respostas têm sido dadas pelo sábio Silencius.
Escobar Franelas
POEMA
sete da manhã
desabraço a solidão
levanto, levo ao banheiro
dou descarga, lavo sua mão
limpamos a casa
eu e a solidão
juramos felicidade
prometemos manter contato
ligar de vez em quando
dar comprimido e xarope
ir a show, cinema, teatro
rir em algum circo
viajar aos istêitis
dormir de conchinha nas noites frias
andar de mãos dadas na rua
ela, falsa magra
eu, falso feliz
fica combinado assim
à noite ela me leva pra passear
de dia trago ela pra me fazer companhia
solícita, ela me dá a mão
abraça sem calor, faz companhia
até que a morte nos una
e tudo se torne nada
Escobar Franelas
UM PÁSSARO SÓ
Tinha a cabeça nas nuvens, sem grades na imaginação. A mais divertida, extrovertida, atrevida menina do lugar. Re, voada, eterna criança, dizem que vive no céu dos passarinhos.
Escobar Franelas
HAIQUASE – LXXVI
a tradição da pele
levitar no frio
abraçar o calor
Escobar Franelas