Escobar Franelas

Escobar Franelas

Escritor e cineasta. Participante de várias antologias de poesias, contos e crônicas. Escreve em diversos sítios virtuais, jornais e revistas. Em audiovisual já produziu, dirigiu e roteirizou filmes em diversos formatos e gêneros.

n. 0000-09-30, São Paulo SP

Perfil
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DOIS POEMAS NO ROSTO


a cor de seus olhos é a cor de um poema
que não consigo verbalizar.
apenas contemplar.
a cor de seus olhos é a cor
da poesia quando nasce.


Escobar Franelas
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Biografia
Escritor e cineasta, é autor de "hardrockcorenroll" (poesia, 1998), "Antes de Evanescer" (romance, 2011), "Itaquera - Uma Breve Introdução" (história e memória, 2014) "haicaos - feridas, fragmentos e fraturas poéticas" (poesia, 2018) e "Premiado" (Romance 2019). Participante de várias antologias de poesias, contos e crônicas. Escreve em diversos sítios virtuais, jornais e revistas. Em audiovisual já produziu, dirigiu e roteirizou filmes em diversos formatos e gêneros.Entre eles o documentário "São Miguel, destino: Movimento Popular de Arte" e Cores e formas do coração - assinado Hélvio e Adélia Lima - 2019 Seus perfis e produção também estão: no Blogger "vs. eu" http://escobarfranelas.blogspot.com - no Facebook https://www.facebook.com/escobar.franelas no Youtube https://www.youtube.com/user/Efranelas

Poemas

78

GUICHÊ CLICHÊ


estas são as estações:
uma a uma, recebem
e despacham os trens à vida

(da série "haicaos")
227

GREENTOWN ST.


ode aos olhos é
ver tingir de verde
a paisagem à passagem

(da série "haicaos")
225

...

EXTASIA
para aquilo que se paga, dinheiro
e pra tudo que custa caro, poesia
205

HAIQUASE - LXXII


céu aceso
flocos de nuvens
pintam os olhos
219

ONIBLUES


em pé ou sentado
tanto faz, só queria você
aqui, ao meu lado

(da série "haicaos")
174

MÚSICA, PASTEL E CALDO DE CANA

MÚSICA, PASTEL E CALDO DE CANA

Na minha infância, duas situações marcaram profundamente as manhãs de meus domingos: os programas de música caipira que passavam na tv (minha mãe adorava) e as idas à feira, onde ganhávamos pastéis de vento. Naqueles dias que providencialmente caíam após o pagamento, às vezes ganhávamos um pastel de carne e em momentos de fartura à beça, até um caldo de cana era-nos permitido, e ficávamos (eu e meus irmãos - mas creio que meus pais também), inundados pelo acesso quase livre aos prazeres do paraíso gustativo.
Das músicas que preenchiam as ensolaradas manhãs, ficou tatuado em mim esse profundo respeito pelo cheiro de terra molhada e o aroma de café que emanam até hoje quando ouço Inezita Barroso, Trio Para Dura, Almir Sater, Irmãs Galvão e Pena Branca e Xavantinho. Ainda agora uma dor florida aliada a um repouso desassossegado ecoam em mim quando Belmonte e Amaraí cantam Saudade de Minha Terra. Ou rio desavergonhado quando Inezita despeja a Marvada Pinga em meus ouvidos. E o Cio da Terra então? Deveria ser tombada como patrimônio histórico.
Obras de arte são atemporais.
Pastel de carne e caldo de cana gelado também são obras de arte. Cada mordida ou gole é um sortilégio único que carregamos para sempre dentro de nossas lembranças afetivas. Morder um pastel hoje traz à memória cada detalhe vivido há 40, 30, 10 anos. Traz à tona o perfume salgado e quente de domingo passado. E cada sorvo no copo verde de bigodinho branco traz consigo o doce do açúcar de todo esse tempo, que passa, que fica, que mora na paisagem de nossa memória.
E se hoje a saúde inspira cuidados e exige certos comedimentos, não se trata de resmungar com o destino. Convém curvar-se à soberania desse tempo, que traz consigo o diálogo sempre antagônico e nunca concluído entre deus e diabo, o bom e mau, o bem e o mal, o crédito e a cobrança.
Esse talvez o mistério - portanto, a beleza - daquilo que orquestramos na vida: o tempo é uma sinfonia que carrega em si a brevidade que, com suas notas únicas, criam a ideia de eternidade, essa que estamos vivendo agora.

Escobar Franelas
175

ADVIR

ADVIR

os versos não estão escritos
naquele corpo estendido no chão
nem nos olhos nem nas lágrimas
da mulher que chora

os versos, mermão
estão escritos nas sementes
ainda não germinadas

depois que a mulher parir
depois que a terra parir
o primeiro verso começará a ser escrito

há de vir o dia
em que o poema dirá solene
estou pronto
me escreva
303

NATURALMENTE

NATURALMENTE

todo dia
o mesmo amor
é diferente

(da série "haicaos")
209

TÁ NA HORA DE IR, REVERÊNCIA

Tá NA HORA DE IR, REVERêNCIA

ó, zeus
vai de mal a pior
o campeonato de olim
piadas: todos de mau humor
193

PROCURA-SE

PROCURA-SE

nessas eras em que falta tudo
amor, emprego, sal na comida
nesses tempos de plena falta de tempo
agora
aqui
há vargas para poetas de fino trato
168

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