Everson Francisco da Hora Silva

Everson Francisco da Hora Silva

n. 2004 BR BR

Desvelando sentimentos ocultos em palavras existentes.

n. 2004-02-08, BAHIA

Perfil
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Fotografia

Era uma vez, a fotografia

"Era uma vez": assim começam os contos fantasiosos ou de romance.
Mas era uma vez um tempo que hoje chamamos de passado.
Sempre o passado — ele que guardamos no coração, acompanhado de memórias eternas.

Hoje, o instante me recordou o passado.

O motivo veio da lembrança de um álbum de fotografias, de tempos que foram penhorados e guardados na poeira do corriqueiro moderno.

O inconsciente, como aquele que nos protege, mais uma vez me salvou da moda contemporânea da pressa, da tenuidade e da efemeridade — responsáveis por destruírem tradições e histórias —, conduzindo-me de volta ao passado.

Então, por um acaso do destino, o álbum, por anos esquecido, foi resgatado de sua solidão, povoada de momentos que já foram presentes.

Ao passar pelas fotografias, percebo: o tempo leva tudo consigo. E, para poucos, o que resta é um álbum.

Não diferente de tantos, minha herança são elas: fotografias de histórias da minha vida — ou, ao menos, de momentos em que estive presente.
Nem todos eu lembro, mas em todos eu me vejo.
E percebo o quanto o tempo passou e o tanto que já se foi.

Passando pelas fotos, a memória acusa: naquele tempo, o povo parecia mais feliz.
E talvez fosse mesmo. Não se importavam com a perfeição ou com estéticas assimétricas; valorizavam o essencial — o viver o momento presente.

Entre risos, “causos” e simplicidade, sem poses esnobes, deixavam acontecer.
Enquanto hoje burlamos o real, moldamos quem somos em postagens sem memória e acreditamos nelas como norteadoras da nossa história.

Hoje, a vida parece já não construir lendas que valham a pena contar.
O mundo muda rápido demais — e o seu aroma, já não temos tempo para sentir.

No passado, cada “retrato” — como se dizia — ainda guarda o sentimento do momento: o que se contava, o que se vivia, o que se era.
Em cada fotografia, revejo o que hoje guardo em mim.
É nelas que estão meu primeiro aniversário, meus pais e irmãos.
É nelas que ainda encontro o cachorro que andava comigo, o meu batismo, minhas fantasias...

São elas que me recordam onde pisei e me fazem compreender quem sou, de onde parti e por onde andei.

São elas, as fotografias.

Penso que, entre tantas palavras que ainda faltaram desenhar, o que quis dizer é simples: guardar os momentos em fotografias é necessário.
É nelas que não deixamos morrer quem — ou o que — já se foi.

Era uma vez… a fotografia.

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Poemas

1

Poema Sobre a Natureza Ancestral

Oh! Natureza, és bela, és forte, és vida,

Para mim, és beleza, para os animais, és morada;

Para as plantas, és lugar, para o vento, és repouso

De Deus, sois criação, aos povos originários, contemplação, és cultura

No ano és estações: inverno, primavera, verão, outono;

Tu és paz, tu és mãe, tu és reconstrução. 

Aos filósofos foi espanto, princípio de investigação;

A mim, és encanto e passagem para a ressurreição, 

Na religião, és “casa comum”, cosmo da “ecologia integral”,

Na arte, és imagem, na música melodia, na física és realidade

Na ciência, és exploração, na química, elementos

Para alguns, és pura, para outros, és ambição.

Aos ricos, és destruição, desmatamento, apropriação 

Aos pobres, és alimento, fartura e descanso

No Nordeste, és Mata, Cerrado, Caatinga, és Atlântica  

És agreste, és sertão, és chapada, és gruta, és também explorada

És calor, mormaço, és amor, ao povo que sofre nas mãos dos charlatões.

No Norte, és Amazônia, maternidade ancestral, és biodiversidade

És pulmão dos continentes, ecossistemas, tropical e úmida

És florestas, várzeas, savanas, és rios, lagos e igarapés

És minerada, és adoentada pelo homem esclerocardico 

Mesmo assim, és Amazônia, és Negro e Solimões.

No Sudeste, és plantação, és serra e litoral 

No Centro-Oeste, és Pantanal; triste que és exportação 

No Sul, és subtropical, és fria, és planaltos, depressões e planícies 

Mas tu mesmo és natura, curso das coisas, és o próprio universo

Tu és essencial para toda existência dos seres vivos, tu és geradora,

És contemporânea, já fora moderna, medieval e antiga,

Mas sempre foi e sempre será ancestral. 


Everson Francisco da Hora Silva 

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