Fernando Maia

Fernando Maia

n. 1986 BR BR

n. 1986-10-28, Rio de Janeiro

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Entusiasmo imbecil


Roupa no varal sacode

nuvens crescem, folhas caem

batuta de vento ganha força

melodia toma forma

surge coreografia divina

regida por brisa precisa

a chuva desce

(A chuva vem, e muitas vezes desapercebida,
muitas vezes indesejada, afinal
é apenas outro processo natural da terra
além do que, temos de "tocar" nossas vidas,
não há tempo para preciosismos
ou detalhes que dentro do contexto massante da rotina
não fazem mais sentido algum)

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Poemas

13

Nem você

nem sempre ser sincero e falar sobre tudo é o ideal

as vezes é melhor mentir e ser julgado como tal

nem todos gostão de encarar a verdade

é mais facil ignorar os fatos e imprimir uma nova face à realidade

nem eu fui capaz embora valesse a pena

afogar-me nessa luta voraz eu desisti

mesmo não fracassando assim mesmo perdi

nem sequer aquele que atende por discimulado

carrega um fardo mais pesado que o do homem veridico

o dificil para mim é admitir

que no final mais favoravel é mentir

736

Nós

mesmo que como uma em minha unha

chega logo meu amor

as coisas que escrevo

o coração que rasga em mim

tudo o que ha sou eu

o que inexiste  é verdade

acabar foi começar e somar foi diminuir

aquilo que chamam de ser

somos nós


665

Chapisco cerebral

Não posso controlar minha cabeça,
ela pensa por si só,
produz sozinha.

Sobre pressão ou
embebida nas idéias de lucro,
ela não funciona.

O cérebro é um lugar bem movimentado,
e barulhento,
se quer dizer algo você sente.

Dentre tantos conflitos de idéias imagine:
um bebe batendo com a palma da mão direita numa sopa de letrinhas,
a velocidade das estruturas rompidas de um a barata, quando se pisa nela.

Não é complicado nem confuso,
é mais ou menos a idéia de dinamite verbal proposta
na movimentação composta da minha cabeça.

722

Vida agridoce

As vezes desejo sair do ar de verdade
perder por completo a sanidade
estar de vez inconsciente
pra ver se escapo, me flagro ou me encaixo

Essa vida é estranha, com toda essa relatividade
hoje te dou flores
amanã nem te ligo
hoje sou um ser humano maravilhoso
amanhã sou um perfeito cretino

As vezes vou podando à contra gosto
meu temperamento difícil num sorriso doce
para não ter que estrangular alguém

Essa vida é estranha mesmo
com tanto corante e placas de computador
quase ninguém se importa mais
quase ninguém ama
quase ninguém vive


935

Pra que porque?



a gente faz planos
traça metas
se esquiva de ceticismos
tenta ser correto
conquista amigos
evita drogas e se previne
Por outro lado
bebemos álcool, dirigimos
fumamos dezenas de cigarros
usamos ilícitos
magoamos pessoas
somos hipócritas
e fazemos amor sem camisinha
ignoramos o risco
porque temos aquela sensação de imortalidade
ou porque no fundo 
sabemos que podemos não sobreviver ao minuto restante?
666

Tempo, meu tempo



Eu me achava  comum
sem vícios e com uma cabeça limpa

mais uma pessoa dentro do onibus ao trabalho

outro transeunte meio à multidão, normal

mas tudo foi complicando e dando nó

especulações, dúvidas, repostas onde há sempre um porém

um click, eu já estou com vinte e poucos anos

outro click, vou estar casado

mas um click, estarei rumo a posteridade.

Não podemos ser quem fomos,

não podemos hoje sequer ser quem realmente somos.

679

Sozinho




me sinto tão só
como se ninguém me enxergasse
como se eu mesmo me bastasse

me sinto tão só
à ponto de sentir-me covarde
mesmo aos abraços com alguma beldade

me sinto tão só
conversando com a calçada
sorrindo das minhas próprias piadas

me sinto tão só
contando estrelas
ou olhando o sol se pôr, sozinho
693

Atuando



meu bem bancando a sádica após uns drinks
se torna mais uma dona da verdade

peneirada pela chuva, ressuscita
problemas clichês de um cardíaco amor

com o coração na palma da mão
espreme restos de uma separação
criando assim estrelas de mais um triste show

vai seguindo e o ato não termina
gesticula, nega, afirma
pisa forte numa poça enquanto grita:
não, não é o fim ainda!


700

Passeio na fossa




hoje me senti debilitado

apesar de ser jovem senti o peso do tempo mal vivido

não posso mais percorrer distâncias

de manhã ao chegar em casa

olhei no espelho e vi um corpo fraco

o resultado de mim mesmo, dos meus atos

mas acho que não irei viver muito

ou irei viver muito mal


641

Entusiasmo imbecil


Roupa no varal sacode

nuvens crescem, folhas caem

batuta de vento ganha força

melodia toma forma

surge coreografia divina

regida por brisa precisa

a chuva desce

(A chuva vem, e muitas vezes desapercebida,
muitas vezes indesejada, afinal
é apenas outro processo natural da terra
além do que, temos de "tocar" nossas vidas,
não há tempo para preciosismos
ou detalhes que dentro do contexto massante da rotina
não fazem mais sentido algum)

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