Fernando Maia

Fernando Maia

n. 1986 BR BR

n. 1986-10-28, Rio de Janeiro

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Entusiasmo imbecil


Roupa no varal sacode

nuvens crescem, folhas caem

batuta de vento ganha força

melodia toma forma

surge coreografia divina

regida por brisa precisa

a chuva desce

(A chuva vem, e muitas vezes desapercebida,
muitas vezes indesejada, afinal
é apenas outro processo natural da terra
além do que, temos de "tocar" nossas vidas,
não há tempo para preciosismos
ou detalhes que dentro do contexto massante da rotina
não fazem mais sentido algum)

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Poemas

17

Sozinho




me sinto tão só
como se ninguém me enxergasse
como se eu mesmo me bastasse

me sinto tão só
à ponto de sentir-me covarde
mesmo aos abraços com alguma beldade

me sinto tão só
conversando com a calçada
sorrindo das minhas próprias piadas

me sinto tão só
contando estrelas
ou olhando o sol se pôr, sozinho
693

Atuando



meu bem bancando a sádica após uns drinks
se torna mais uma dona da verdade

peneirada pela chuva, ressuscita
problemas clichês de um cardíaco amor

com o coração na palma da mão
espreme restos de uma separação
criando assim estrelas de mais um triste show

vai seguindo e o ato não termina
gesticula, nega, afirma
pisa forte numa poça enquanto grita:
não, não é o fim ainda!


700

Passeio na fossa




hoje me senti debilitado

apesar de ser jovem senti o peso do tempo mal vivido

não posso mais percorrer distâncias

de manhã ao chegar em casa

olhei no espelho e vi um corpo fraco

o resultado de mim mesmo, dos meus atos

mas acho que não irei viver muito

ou irei viver muito mal


641

Entusiasmo imbecil


Roupa no varal sacode

nuvens crescem, folhas caem

batuta de vento ganha força

melodia toma forma

surge coreografia divina

regida por brisa precisa

a chuva desce

(A chuva vem, e muitas vezes desapercebida,
muitas vezes indesejada, afinal
é apenas outro processo natural da terra
além do que, temos de "tocar" nossas vidas,
não há tempo para preciosismos
ou detalhes que dentro do contexto massante da rotina
não fazem mais sentido algum)

817

Pura vida suja




A rua é seu quarto
seu brinquedo é o lixo
escolhe com minúcia de gente grande
pedaços de jornal sujo
entre tábuas e pregos enferrujados
cria sua sala de estar
fundamentada por esqueletos de quarda chuva
e tiras de papelão úmido
indiferente à lama e aos arranhados no joelho
mantém semelhanças de quem ainda é criança
decora inocentemente o ambiente
dispersa os colegas, que precoces
perderam a pureza de simplesmente brincar
a realidae para nós é dura
para um menino com sete anos de idade
é apenas uma pura realidade


696

Ocasião

Procurava na praias, nas estradas, nas calçadas
mas foi entre uma janela, um corredor e uma escada
que avistei casualmente minha outra suposta alma

no cabelo trança, no corpo sardas dentro de um vestido azul
tão bonita que para certos trouxas, quase imaculada
com olhar periférico para pessoas apaixonadas

não era difícil deixar-se levar por sua filosofia barata
de havia um sentido para cada acaso
e que existião mais respostas na terra do que em todo espaço

mesmo resistindo
toda minha razão imergia por completo
na fábula sentimental que ela criara

capturado através de métodos
do qual um homem não pode fugir
naquele dia me tornava mais um

vulnerável aos caprichos de uma mulher
e imune aos enganos do amor

747

Estupidez elevada

Ao expressar superioridade de forma inadequada

você passa a ser automaticamente um covarde idiota

Incapaz de enxergar pontos de vista dos quais deteve-se uma dia

cego pela baboseira equilibrada da cadeia intelectual

retido por uma espécie de prazer que se alimenta da ingenuidade alheia

o monstro chamado ego

devora ignorantes e atropela opiniões

deixando um rastro mixto de admiração e fúria

Uma síntese eloquênte vira um vocabulário surdo

na boca de um dito universitário arrogante

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