Filipe F.

Filipe F.

n. 1980 PT PT

PT: Filipe F. nasceu em Portugal, na cidade do Porto, em 1980. Viveu entre Porto, V.N. Gaia, Arcos de Valdevez, Braga e Ponte da Barca desde 1981 até 2000.

n. 1980-07-21, Porto

Perfil
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De uma nau naufragada

ó valente nau deste oceano perdido
Naufragada num banco-de-areia esculpido,
Teu casco de pinho flutuante arrombado
Te deixou aí abandonada ao passado

E já nem ondas te devolvem ao mar.
ó nau das altas velas correndo no vento
Com a tua proa erguida ao horizonte
Para tão somente um dia naufragar.

Tu, da descoberta do mundo de lés-a-lés,
Ficas aí agora jazendo as tuas cicatrizes
Do ego dos homens e das meretrizes
Que foram amadas no teu largo convés.

ó nau naufragada no silêncio dos tempos
Que jamais voltarás ao mar do horizonte
Restando-te na memória do teu Capitão somente.

Filipe F. 2016

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Poemas

26

De uma nau naufragada

ó valente nau deste oceano perdido
Naufragada num banco-de-areia esculpido,
Teu casco de pinho flutuante arrombado
Te deixou aí abandonada ao passado

E já nem ondas te devolvem ao mar.
ó nau das altas velas correndo no vento
Com a tua proa erguida ao horizonte
Para tão somente um dia naufragar.

Tu, da descoberta do mundo de lés-a-lés,
Ficas aí agora jazendo as tuas cicatrizes
Do ego dos homens e das meretrizes
Que foram amadas no teu largo convés.

ó nau naufragada no silêncio dos tempos
Que jamais voltarás ao mar do horizonte
Restando-te na memória do teu Capitão somente.

Filipe F. 2016

335

Pêndulo I

Este pêndulo que me move a gerigonça
TicTac, este pêndulo, TicTac,
A gerigonça bate,
TicTac, e no entanto inerte, Tic
Bate, Tac,
E as rodas dentadas do progresso
TicTac, nada,
Desgastadas, TicTac
Dentes moídos, TicTac
Nada, a gerigonça bate
Mas não tem hora, Tic
Mais devagar, Tac
O pêndulo pára, Tic
A gerigonça, Tac,
Explode em peças soltas de nada.

Filipe F. 2016
315

Poema de Crónica a Luiz Vaz

Poema de Crónica a Luiz Vaz
E sim, foi hoje Luiz Vaz quem me adivinhou
Não houve maior amante em Portugal
(Nem mesmo Manuel Maria tantas deitou!)
Na cama de seus versos sob o lençol
Em que nenhum Pessoa amou.
Talvez tivesse de razão o António Lobo
Que nem Bernardo dos livros semeou
O só encanto que Mário de Sá sonhou
E mais nenhum de Quental em globo rimou.
Foi mesmo Luiz Vaz quem designou a nação
Talvez em Velho do Restelo heterónimo
Teve em si inteiro a uma só mão homónimo
A Filosofia, o Amor, e a Razão!
Filipe F. 2016
364

Verdant Hideaway

Back to the verdant hideaway
Where only Nature echoes thee

381

esconderijo verdejante

Esconderijo Verdejante

De volta a este esconderijo verdejante
Onde somente ecoa a Natureza
E se pode estar degentando distante
Lembrando das amantes a beleza
Que aqui se despiu delirante.

Este recanto da solidão pacífica
Em que se enche de mágoas o açude
De cada paixão eternamente ilícita
Entre o verso a que se alude
E a corrente imensidão física.

Que te trarei agora então a seguir
Que não tenha já cá estado
Nessas águas que correram a diluir
As memórias vivas do passado
Que aqui não cessam de se confundir.

Filipe F. 2016

413

Mote para Homem Morto

"No dia em que nascemos a primeira novidade é que estamos vivos, a segunda é que um dia morreremos. O que não contamos, é que ao longo da nossa vida iremos morrer muitas vezes, mesmo antes de falecer definitivamente e de termos os átomos que nos compõem dispersados por outras quaisquer formas, sejam de vida ou não, aliás, será pertinente questionar se a vida não é mais que a composição de cada átomo que forma a imensidão expansível do Universo, mas tudo será relativo ao ponto de vista de cada um e de como encara, a Vida."

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Filipe F. Costa - in "Homem Morto e 5 Poemas de Outubro"

ISBN
1523434864

445

lábios de uma mulher de sonho

Esta noite sonhei aconchegado contigo
Que nos beijavamos adormecidos
Resguardados nestes lençóis compridos
Em que nunca te havias deitado comigo

Logo na volúpia dos teus lábios carnudos
Esta noite não sei quem eras mas estavas aqui
Entre estes cobertores de sonhos profundos
Aguava somente nesses lábios roxos de ti

Ao abrir doxolhos em busca do restante de teu rosto
Perdi-te os lábios e a formosura suave da almofada
Acordei! Deixei de te sonhar e escapou-se-me tosco

Como se de uma pintura impressionista imaginada
Aquele estado morno de quem beija o mosto
De uma mulher rubra que ainda não foi amada!

Filipe F. 2016

479

O Poeta Ferido

E entretanto o poeta foi silenciado
Seus dedos uns nos outros suturados
Sangrando das falanges inanimado
Os desejos reescritos em segredos.

A musa oculta despindo atrás do biombo
O que apenas do poeta se esconde
Ele grita: "Herege da paixão em assombro!"
Enquanto ela desnuda dita: "Onde?"

E detrás do biombo ela dança e sorri
A contínua valsa dos amantes jocosa
Onde a musa dá apenas imagem de si.

Entremeado o poeta compõe a fleuma
Cada semi-breve da sinfonia silenciosa
Sangrando dos dedos! Sangrando da alma!

Filipe F. 2016

437

um poema mal parido

UM POEMA MAL PARIDO

Vós não sabeis
O que é ter letras em vez de dedos
Palavras na vez de mãos
Frases na vez de braços
Estrofes em vez de coração
E poesia em vez de razão.

Vós não sabeis!
Não sabeis sequer quanta poesia
É preciso escrever para parir um filho!

Sim! Vós que zombais da poesia!
Vós que jamais haverieis sido paridos
Se não fora o acaso da epifania!

Sim vós!
Vós que não sabeis que foram bestas
Bestas como aquela que aqui vos escreve
Para parir a poesia de que um poeta ferve.

Que foram as bestas emanadas de raiva
De amor e de ódio
Da nostalgia e do Futurismo
Que vieram ao mundo para vos parir a todos!
Sim a Vós! A Vós mesmos meus versos!

Filipe F. 2016

488

Flatulência Poética

"Y que tendes vós tanta flatulência,
Alguma vez cagasteis Poesia?"

Filipe F. 2016
506

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