Lutar
Uma coisa vos digo!
Oh povo, do mundo!
E vós filhos, do mundo, antigo!
E vós, povo que como eu, sois imundo!
Eu ainda, imundo e sujo, lutando, vou.
Lutarei, até que a alma me doa.
Lutando contra tudo e todos, estou!
A favor do bem, que o mal perdoa!
Sim! Vou lutar! Meus amigos.
E também, vós, meus inimigos!
Lutarei, ainda que minha alma, não esteja na luz.
Porque o meu nome, é luz…
O meu nome é lutar…
O meu nome, é amar!...
Sede
Oh vós, os que sede tendes!
Vinde às águas!...
E os que dinheiro, não tendes!
Vinde às águas!...
Vinde e comprai e tomai!
De graça, achai!...
E comei sem dinheiro!
O bom e o que é caseiro!
Vinde! Não gasteis mal,
O dinheiro! Vosso! Sim!
Pois é de Deus, também afinal!...
Vinde a ele às águas!
E bebei e comei mel, sem fim…
Vinde e lavai vossas mágoas,
Vim
Eu vim cá!
Sim vim! Naquele dia!
Mas para que seria!?
Que naquele dia… lá…
Eu vim lá e cá!
Sim! Lá e cá e em todo o lugar
Sim a Monchique e a Alvor, eu fui!
Sabeis, para que fim? Para amar!
Para ser, um para Deus, louvor!
E sabeis mais?! Sabeis?!
Eu o sou! Eu sou! Não o sabeis?
Eu não sou ele, não…
Mas amo-o tanto…! Tanto!...
Sou dele portanto!
Eu vim aqui para morrer!
Também, vim para sofrer.
Também, vim para fazer guerra!
Também, vim para ser amigo, do que erra!
Meu nome é sofrimento.
Filho do tempo e tormento.
Ainda filho do mundo e do vento.
Também é nada e tudo…
Pois eis que estou no mundo.
Para que então, nasci, lá!?
Para isso pois eu vim.
Eu em verdade! Sou alguém! Sim!
Mas também não sou ninguém enfim!
Eu sou vosso! Para me matardes!
Para não, me amardes!...
Para aguentar com tudo.
Como vosso peso imundo!
Sou tempestade e dor.
Mas também, calor e amor!
Confusão e depressão!
Mas, também homem de acção!
Enfim! Sou o que vós, não sois!
Sou eu; Só eu!...
Não há outro, igual pois…
Sou lindo! Lindo e feio!
Mas sempre forte, no que um dia veio!
Sabeis quem sou? O mal…
Mas também, o bem.
E assim vou indo, ao céu, no final.
Quer vós quereis, quer não!
Pois, meu nome é Jerusalém…
Terra de Melquisedeque, rei de Salém…
Monchique
E vi um tempo, sem tempo.
Tempo de eternidade, sem cansaço!
O vento parou. Não há mais fracasso,
Para todo o sempre…
Porque as amendoeiras, do Algarve, voltaram.
E há flores, nelas lá!...
E os laranjais floresceram!...
Também em Leiria, os desaparecidos, pinheiros voltaram.
Em Monchique, o jardim da Portela do Cano, floresce.
As açucenas, já perfumam!...
Na roseira, a rosa cresce.
E no Vale do Linho,
Como em Monção, nos canteiros e socalcos,
Há lírios, que crescem…
Os campos de cevada e trigo,
São grandes e muitos,
Como no tempo do tempo, antigo…
Flor
Voa flor , voa , voa!
Com o manso vento!…
Como no outro tempo.
Voa passarinho e teu cântico entoa!
Esse pássaro, sou eu sempre.
Aqui e agora e no tempo.
E depois, no futuro.
Onde, não mais., há na vida, furo.
No futuro, que não passa.
Nesse não passar, de nome jardim.
Onde a minha flor, jamais, seu ser disfarça.
Porque eu passarinho e flor, voarei.
Sempre, sempre, sempre , enfim!
Almerinda
Mulher és! És mulher!
Mas quem és! Oh mulher?!...
Tu és uma flor de aroeira.
Neste Casal Pardo e Cadarroeira.
Tu és de Deus!... Tu és uma flor.
Tu és, uma flor de roseira…
Da do céu, cor!...
Tu és a mulher, mãe!
A ti’Almerinda de sempre!
Que ainda põe e dispõe. Ainda!
O Brasil e o mundo, te amam!
Porque em ti, há o bem. Mãe, linda!...
Em ti, há um cântico em fogo, chama!...
Os pobres por ti clamam!...
Anos do Cinema
Anos em Portugal, gloriosos!
Sim! O foram! Como, nunca!
Tempos do cinema, filmes saudosos.
Vasco, não há hoje, quem esse dom, o cumpra.
E no «Pátio das cantigas», antigas...
Já houve ecos, da liberdade,
A liberdade de 25 de Abril, de saudade.
Estava lá um Russo, de operas antigas.
E a senhora Rosa? Sempre tão charmosa.
E a menina do Brasil, que alegre cantou.
E Portugal e o mundo alegrou!...
E as que cantavam o fado!?... de Portugal!?
Portugal, simples e sem igual...
Naquele tempo, os velhos não iam para o «lar» a pagar.
Mas os netos, deles, lhe davam o seu amar.
E os meninos corriam na rua. Sim época saudosa!
Luso
Luso és! Eu também!
Sou português de Portugal.
Do pais, que, já cá estava, em...
Tempos remotos. Cá estava, afinal.
Esse pais que Deus usou!
Sim! Usou! E sabeis de que modo!?
Usou, pois. É claro! O grande «Eu Sou».
Foi este. Não outro. Mesmo sendo pequeno.
Não temeu o gigante, do cabo da África...
Não teve medo. E eu penso, que não tenho, também.
E porque não tenho medo? Porque, sou pequeno, bem.
Portucalen, é pequeno, mas força não, lhe falta.
Pois cá está, Dom Afonso Henriques, para lutar.
Sim! Vamos lutar, com uma espada, de ouro.
Bem afiada, para matar e também, salvar...
Essa espada me deu, «o ancião de dias»
Pois esse, que o profeta viu, na deportação.
Para os rios de Babilónia. Onde cantou, cântico de Sião.
Sim. Também a tinha na mão Eliseu e Elias.
Portugal, foi usado. Mas porquê usado?
Para juntar o mundo. As gentes...
Aqueles, que são descendentes de: Sem, Cão e Jafé.
Aqueles, que em yavé, deveriam ter fé.
Mas não têm. Mas a têm, em deuses doentes.
Como a têm, na fátima, que tantos joelhos tem magoado.
E estas gentes... São os que saíram de Babel.
A terra da torre, de antigamente. Elas estão, sem leite e mel.
E têm, fome. Eis que caminham, para a morte.
E separadas de Deus, estão, no sul e no norte.
No oriente e no ocidente. No espaço e no tempo.
E assim,é desde o Adão de antigamente...
E Deus usou, também: Noé, Abrão e Moisés...
E Israel, Babilónia e outros, mais...
E assim, vai dirigindo, o mundo...
Pois é dele e não nosso. Dele é tudo.
E tu, Site! És de Deus... Pois!...
Continuemos, poetas, pois em actos seus.
Agora ainda e mesmo nos tempos depois.
Porque, há papel para escrever poemas teus.
Ai!... Se há!... Tanto cartão, na tua rua.
E também, o há na minha. E gente sem pão e nua.
Mas nua, da verdade. E da liberdade...
Por isso, vos digo... Não escrevamos...
Só no papel e no site de poemas...
Mas canto, agora com força de Camões...
Um cântico de poeta! De poeta de Portugal.
De poeta de Deus, também, afinal.
E tudo o que é verdade digo. Como o Daniel. O dos leões.
Digo, então! Ide à rua! E escrevei, vossos poemas.
Com, da verdade, rimas e temas. E sem métrica, esquemas.
Escrevamos, nossos poemas, nos cartões, da rua.
Onde está a gente sem pão e nua…
Ide! Oh poetas!... Também à cova dos leões!
E falai, sem medo!... Sem medo!...
Sai , não em mim , mas no nome , do que vem , cedo!...
Sai , na força da verdade… e liberdade.
Libertai os povos!... Oh poetas deste site, de caridade!
Leões
E vieram leões e tigres! A saudá-lo!
E vieram ao rei, louvá-lo!
E rei os amou tanto!
Com tanto encanto!
Sim! Porque o rei é lindo!
Em corpo, alma e espírito.
Mais lindo é que tudo, o que existe…
É o meu rei, sim! O que já é vindo!
E tudo parou! Para o louvar.
Até os cisnes, dos meus poemas…
E ainda os do lago antigo,
Do tempo, do amar!...
A flor
A flor, veio de lá e ficou cá.
Ficou, para sempre e será.
A flor, sou eu, sim! Sou!
Vim de lá e não de cá!
Fiquei e serei sempre, cá e lá.
Pois voltarei, para o jardim.
Onde esteve a flor, num principio, lá.
Não! Não existi lá. Mas só cá!
Lá era, uma parte de Deus!
Mas não existia. Não! Não…
Aqui, fui então!...
Irei pois ao jardim!
Lá irei e serei, perfeito, assim.
Assim, um ser, por completo enfim!