hellena

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n. 1999 BR BR

Tentando fazer algo entre o primeiro e o último grito.

n. 1999-02-02, São Paulo

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O toque do aço

Sinto falta do seu toque na minha pele
Sei que não posso
Que não devo
Sei que você me machuca 
Mas a minha pele está fria sem você 

Tento não pensar 
Tento esquecer 
Mas tenho marcas da última vez 

Minha pele queima 
Por onde você passa 
Você deixa rastro
Vestígios que sei que terei que esconder 

Você se esconde em palavras 
Que gritam comigo 
Você me machuca, eu sei
Mas também sinto-me aliviada 

Sinto falta do seu toque na minha pele
Sinto falta da dor que você me causa 
Eu olho você de longe algumas vezes 
As suas palavras ainda doem no meu corpo 

Você me machuca a mais de dez anos 
Eu sei lidar quando me faz sangrar 
Sei que não me faz bem 
Mas é com essa dor que eu sei conviver 

Eu quero que você me toque 
Mas não vou até você 
Me agarro nas palavras que deixou para trás 
E tento escreve-las por você 

Eu sinto falta do seu toque na minha pele
Eu sentia ele por dias e dias depois que ia embora 
Queimando, latejando 
Doendo por onde quer que passasse 

Sempre dizendo que não poderia senti-lo de novo 
Sempre fantasiando uma última vez 
Porque eu sei que me machuca 
Que eu deveria te esquecer 

Mas dentre todas as coisas que me ferem 
Com voce eu sei lidar 
Minha pele sente falta do seu toque 
Porque é uma ferida que eu sei como cuidar 

Eu vou te olhar de longe 
Me odiando por desejar 
Sentir o aço em minha pele
Porque é mais fácil que chorar 

H.A
03/07/2022
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Poemas

7

O meu amor de volta

Eu não estou chorando por você,
Não mais. 
Eu choro por mim, 
Pelo que deixei que fizesse comigo.  

Eu não amo você, 
não mais. 
Mas as lágrimas continuam a rolar. 
E é uma ferida que eu não sei como curar.

Parei de me amar quando o seu amor por mim acabou 
E honestamente eu não quero o seu amor de volta
Mas gostaria de poder o meu recuperar 
Para poder me ver, e talvez disso gostar

H.A
09/03/2022
281

O poema interminável

Eu queria te escrever o poema mais belo
Mas depois de três folha amassadas 
Me contento em acertar um verso que lhe agrade 

Eu escreveria noite a dentro
Em busca do verso perfeito 
Escreveria todos os dias 
E esse poema nunca acabaria 

Pois nada que eu posso escrever 
Será o bom o bastante para você 
E esse interminável poema 
Te entediaria 

Não sei o que tinha na cabeça 
Quando comecei a escrever 
Na verdade eu sei bem, 
Pois só sei pensar você 

Mas nem as palavras mais belas
Estariam perto de te descrever 
Muito menos explicar 
O que sinto por você

O poema interminável
Vai terminar muito antes do que pensei
Pois o poema mais belo, a declaração mais bonita 
Te escrever, eu não sei


H.A
29/03/2022
250

300

Eu vou escrever o seu nome 300 vezes
E nas 300 o meu coração vai acelerar 
Vou acabar tendo um ataque cardíaco 
Se continuar nessa de te amar

H.A
02/2022
230

Ar e Fogo

Sou ar, tu és fogo
Elementos quase impossíveis de serem dominados
Mas não quero dominar
Longe disso

Quero ver-te livre
Porém ao meu lado
Ilusório crer que poderia 
Queimar como queima
Mas dessa dessa vez 
Queimar nos meus braços

Tu me incendiaste
E o meu desejo
É permanecer queimando 
Junto a ti

H.A
2020
268

Nas sombras desta noite

Nas sombras desta noite
Eu gritarei por ti
Rolarei por toda a cama 
Por querer-te em mim

Nas sombras desta noite
Eu chorarei por ti
Meus olhos se entristessem 
Ao vê-la partir

Nas sombras desta noite
Eu vou perder você de novo
Não pedirei que fique 
Não seria assim tão tolo  

Nas sombras desta noite
Na ausência da tal sorte 
Nesta triste e precoce morte 
Meu amor não foi tão forte

H.A
11/2019
295

Não me deixe mais

Eu erro,
Eu choro, 
Sangro e imploro
Não vá

Se for, volte logo
Não saberei como respirar
Não sem ti

Prendo o fôlego,
Conto os segundos 
Até aos seus pés cair

Sebe que não morri
Não faria isso com você 
Mas talvez devesse fazer isso 
Por mim 

Você ameaça ir, 
Para eu ter que provar
Admitir minha dependência
"Por favor, não vá"

Não posso obriga-la a ficar
Mas talvez possa implorar 

Imploro então
Sangro no chão do banheiro
Choro abafado no travesseiro
Prendo o fôlego até não mais aguentar 

Então acordo novamente
Quente em seus braços
Nos seus olhos, busco paz
E imploro (decadente)
"Não me deixe mais"

H.A
2015
288

Não vale nem a pena

Eu me jogo no chão 
Te faço mil promessas 
Num vazio tão vazio 
Que nem mesmo te desperta

Mentindo pra mim mesma 
E tentando fingir 
Que talvez em algum mundo 
Você vá gostar de mim 

Quando eu percebo 
Você não está lá 
Sozinha noite e dia 
Não podia me amar

E de vez em quando 
Assim, talvez, quem sabe...
Um verso tão bonito 
Para alguém que não mais vale

H.A
2016
297

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