Iago R Carvalho

Iago R Carvalho

n. 2001 BR BR

n. 2001-10-18, Itumbiara

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O truvão cabe no meus trem

Fico imaginando a dor do gramático ao ouvir meus trem
Meus truvão, minhas coisa e meus toró

Dói nos ouvidos maternos as gírias do filho
 Que tudo tá ok pra gente

Dói no ouvido do paulista e do carioca
Quando o nordestino fala das terra e dos cabra do sertão

-Fala certo, mineiro!- Grita-me o gramático
-Fala certo, filho!- Berra a mãe ao jovem
-Fala certo, nordestino!- Berram paulistas e cariocas

Fico no meu canto, aceito gíria, nordeste e mineiro
porque os meu truvão cabe no meus trem
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Poemas

24

O ofício dolente

Sou só mais um ser ignavo
que no meio da noite pranteia em segredo
A dor que permeia o triste escravo.

Enquimero-me nas peles putrefatas
daqueles que não tem voz
Sentindo a dor que pesa suas omoplatas.

Penso que sinto… nunca saberei
Abraço a desonra do trabalho
de rir-me do rei.

Quem serei?
Não sei
             -O poeta sofre no sofrimento que não lhe pertence
286

Mutilar-se

Mutilo-me
E das feridas escorre o sangue roto de um morto
                                                              [Que ainda vive
Vive?
A vida é uma mentira contada para as crianças
E as mesmas crianças
Ja na fase adulta percebem a mentira
E, como eu, mutilam-se
Mutilam-se para se adequarem ao que as açoita
O açoite abre chagas em suas costas
E das feridas escorre o mesmo sangue roto
Sangue esse que, atingindo a terra,
Desperta os demônios que açoitam meu espírito
E do sangue que respiga tornam-se os versos
Que entram no vazio de quem não sente
E dos versos de sangue preencho-me de poesia
287

Mutilar-se

Mutilo-me
E das feridas escorre o sangue roto de um morto
                                                              [Que ainda vive
Vive?
A vida é uma mentira contada para as crianças
E as mesmas crianças
Ja na fase adulta percebem a mentira
E, como eu, mutilam-se
Mutilam-se para se adequarem ao que as açoita
O açoite abre chagas em suas costas
E das feridas escorre o mesmo sangue roto
Sangue esse que, atingindo a terra,
Desperta os demônios que açoitam meu espírito
E do sangue que respiga tornam-se os versos
Que entram no vazio de quem não sente
E dos versos de sangue preencho-me de poesia
194

Trago a voz

Não vos trago flores
Muito menos os trôpegos amores
Dos quais os meus falam sobre
Não vos trago a alegria e felicidade
Sobre a qual erigiram redômas de ouro
Não vos trago a bondade inexistente
Nas almas humanas
Não vos trago a beleza ideal
Da bela dama que guia a liberdade
Não vos trago alvas tinturas
Que recobriam os desenhos de iluminuras podres
Não vos trago o semblante divino
De um alto ser piedoso
       -Aqui sou meu alto ser, maldito e indecoroso

Trago a vós o desespero
A dor e a agonia
Trago a vós a verdade sobre o mundo
As coisas nojentas da humanidade
Trago a vós maldições
Que não vos contam nas canções de amor
Trago a vós a representação do mal
Do desejo carnal que nos consome
Trago a vós a voz dos oprimidos
Dos servos putrefatos da miséria humana
Trago a vós a sensação de horror
Que simboliza vossa vida
Trago a vós a realidade
Não a estupidez da ignorância
Trago a vós sobretudo a verdade
O fado horrível da humanidade
Trago a vós o sentimento de desespero
A luz fétida do conhecimento
Trago a voz a noção da ignorância
A percepção de nossa inconstância febril
Trago a vós os fatos
A elegia contemporânea
Trago a vós a noção mundana
Sem a idealização do sentimentalismo natural
Trago Voz aos povos
       -Esquecidos pela arte e pela verdade dos mais novos
285

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