jaiamiranda

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Do sertão. Em constante andança.

n. 0000-02-07, Guajeru Bahia

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Poemas

5

O que faz o sentido ter sentido

Faz sentido não esperar
Que seja apreciada
- Isto é sobre tudo -
Sobretudo quando se fala
De todas as coisas.
Escrevo às letras tortas
Para quê possas ajustar
Ao teu caderno.

Talvez nem haja risco,
Mas é um rabisco sincero,
essencial.

Faz sentido todas as constelações e
Como as luzes de cima
Nos chegam
Mas não faz sentido todas as coisas.
Faz sentido uma lamparina apagar
Por falta do que queimar
Mas não faz sentido todas as escuridões
[De pensamento].

Faz sentido um pássaro voar
Em busca de alimento
Mas não faz sentido
Todas as fomes.
Posso dizer que

Nenhuma delas.
A de palavras, a de curativos
De respirar, comer
Aliviar.

Muito na vida faz sentido
Muito não.
Pouco em mãos pequenas
Muito nunca, não.
Não se divide o particular.
Divide o ruim, o podre, sim

O bom, não.
O que é o bom
Que tenha sentido
Está escondido
Em poucas mãos,
Fica cego
Ou a vida perde
Quem vê.

Faz sentido que quem veja, fale
Mas matar a voz, não.

Enfim, um poema
É uma imensidão. 
Um poema escrito a meia noite 

é um arremesso
Na escuridão
mais ofuscante de luz.
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Assisto lembranças

Quem dera esquecer
Um dia
Toda manhã fria
Que passei por lá.
Quem dera
Ser lembrada um dia
Da caminhada longa
Que me fiz passar.
Quem me dera
Esquecesse a vez
Da fila, do furo, do fundo do dia
Que dá de frente pro ambiente
Sentado e mergulhado
Num dicionário de lembranças.
Sentado encostado
Na prateleira de seu nome
Ah, eu me esqueceria
De muitos erros do que vem passando deslizando
Interna(eterna)mente aqui.
Isso que vem passando deslizando
Não sabe o que dizer
Inúmeras vezes

Que não há decimal para contar.
Os números, mentira, podem ser infinitos
Desde quando alguém inventou,
São infindas também minhas lembranças
Do dia recostado para a noite
Que eu vi você passar.
Passou.
478

Cinco palavras girando ao redor da lua

Ora sou estrela
Ora agonia.

Fim da poesia.
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Para além de fantasias


Não acho!
Não ardo.
No árduo pio
Do mentiroso
Não rebaixo, coisa alguma.
Não acho!
Procuro, faço
Me arrisco pelo que é
Justo e
Real em demasia.

Fantasias
Ensinam aos poucos
O segredo das sangrias
De concreto, olhos e névoas tardias.

Não acho!
Não ardo.
árdua
Me arrisco
Pelo que é justo e
Real em demasia.
Pela sangria desatinada dos
Ossos.
Não posso
Não acho.
Procuro
Faço
Confio
E passo
O caso para você.
Vê.
489

Recompondo as certezas

Eu te amo?

Não 

Tanto eu errei
No tempo
que não me perguntei 
isso antes.
Agora mesmo que errante
Esforço - me
A lhe perguntar
Sem que me ouças,

Eu te amo?
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Comentários (2)

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joaoeuzebio

LINDO POEMA MOVENDO SE EM PALAVRAS INFINITAS UM ABRAÇO GOSTEI MUITO

Kennedu
Kennedu

Muito bom!