Meu amigo
Olha meu amigo
Eu vou te contar
Quantas avenidas cruzei
Quantos mares naveguei
Quantos sonhos deixei por lá
Olha meu amigo
Devo lhe contar
Quantos sentimentos pequei
Os atalhos que tomei não me adiantaram nada.
Talvez um dia eu possa lhe dizer
Todos os mistérios que encontrei por lá
Talvez um dia você vai ter
que seguir os passos do meu caminhar
Não há razão prá não querer viver
Não, não há motivos prá desesperar
É todo dia ver e aprender
A lição que a vida vem lhe ensinar
Essas meninas
Quando essas meninas me perguntam qual é o meu nome
Eu respondo sempre: o meu nome... é o meu nome
Quando essas ondas passam assim
E vão mexendo tudo em mim
Eu me pergunto qual o fim? Se é que tem fim...
E numa tela passa um filme que eu já vivi tempos atrás
É uma janela pro passado, se é que é assim
Se é que tem um fim
Um propósito de ser
Uma lei pra cada ser
Uma vida consumida pela estrada,
Negra cor nos olhos, pele maltratada
Um propósito de ser
Algo que se possa ver
Uma estrela guia que nos ilumina todo o amanhecer
Estou só
Estou só
Queimo na fogueira
Vejam só
Como eu estou só.
Tapo o sol
Não uso a peneira
Vejam só
Como eu estou só
Cara amarrada, cara escondida
Vida querendo ser acordada
Cama fechada, cama encolhida
Vida querendo ser acordada
Cidade de verão
Estou numa cidade de verão
e quero ver você no mar,
quero ver você surgir:
- Das ondas do mar, e me dar um beijo;
- Do céu estrelado, como estrela cadente.
Estou em novos tempos de pensar
em como é que eu vou te amar
e quem é que vou curtir
Pode ser que seja você outra vez
Pode ser que seja, que eu não ame ninguém
E pode ser que eu não ame você nunca mais como eu amei
Avião
Um avião passou e me falou
Que o chão é cruel.
Eu, meio rindo, disse: que ilusão, só conhece o céu.
Silenciosamente o avião
Sumiu entre os dedos.
Eu, criminosamente, olhei prás mãos
Culpei os meus medos.
Pensamentos longos
Nunca mais esconderão nada do que pode ser meu.
Mas o que vejo agora, não vejo outra vez
Porque o que penso agora, só penso prá vocês.
não dou mais um minuto em cima desta mesa
Práquele seu menino desabrochar.
Tu, tu, tu e tu
vão querer voltar a brincar
Tu, tu, tu e tu
vão querer voltar a brigar.
Fogo brasileiro
Meu pai não me chamou
Prá pegar o galho prá acender
o fogo do operário brasileiro,
cara de otário, ao contrário
Um povo estrangeiro não se nega o direito
de aprender o defeito que ele mesmo calejou
E o povo brasileiro parecendo não ter jeito,
não aprende com o passado e não se dá o valor.
Respeito é bom e eu minto quando eu te deixo
Por baixo dos panos eu ainda caio de queixo.
Respeito é bom e eu minto quando eu te deixo.
Por baixo dos panos, eu ainda, há, me queixo.
Morcego
Brilha no céu escuro,
as asas de um morcego
Que podem alterar o futuro,
pros lados de meu governo
Majestoso, é o meu morcego
Suave, secreto e sem medo
Sou caipira, não nego a raça, sou batuqueiro
Eu faço tudo que posso contra o mundo inteiro
Sou caipira, não nego a raça, sou batuqueiro
Eu faço tudo que posso pelo mundo inteiro
A siderúrgica
A siderúrgica está em chamas
E logo vai queimar o mundo pra você
E logo vai queimar você
O teu cabelo toca o meu nariz e coça
Encosta mais, quero um segundo de você
Encosta mais, quero você.
Se não é contigo
Eu já não faço
Mesmo entre amigos
Eu canso fácil
Longe do perigo
Eu abro o passo
Sou mi sustenido
És meu compasso
Quero ser
Passei os dias
Meditando sobre o meu querer
Quero ser
Um pedaço de aço
Colado no espaço
Querendo crescer