JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA 3.0

JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA 3.0

n. 1982 BR BR

MEU NOME É JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA. SOU NATURAL DA CIDADE DO SALVADOR, BAHIA: LUGAR ONDE RESIDO E CONSIDERO UM PARAÍSO, APESAR DAS MAZELAS QUE O ASSOLAM.

n. 1982-06-18, SALVADOR, BAHIA

Perfil
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A SOFREGUIDÃO DO NÃO-POETA


Quero ser um artesão de palavras:
Duras, dúcteis, viscosas, herméticas,
Diáfanas, sinceras, profundas, singelas, iluminadas.
Eu quero é ser poeta
Pois este erige contínuas miríades de estrelas
Sobre o céu de eternas noites enluaradas!

Quero poder afluir,
Quando me der na telha,
Ao feérico lago da espontânea
Língua do povo:
E, ao libar da sua água,
Expelir-lhe as impurezas,
Que são as chagas, as mazelas,
O carcereiro da igualitária opulência,
Para deixar que viva livremente
O florescer incontinenti
De castelos e mais castelos
Da alacridade e dos felizes sortilégios
Que emanam do eufemismo
Da escrava gente.




Quero degustar
O vinho tinto da galharda palavra
A fim de homenagear a imponência
Que cimenta os mínimos e máximos halos
Da natura realeza.

Quero ser condigno
Quero ser acuidade e sageza
Quero ser humildade, vivacidade, gentileza
Quero ser feiúra e esbelteza
Quero ser a inane importância
Quero viver perpetuamente
[ No jucundo reino
De ingenuidade
Das crianças
Quero ser ventania, poesia, proximidade, distância
Quero ser o instante
[No qual se encerra o segredo
Da segurança, da solidão, da tristeza,
Do medo, da coragem, da alegria,
Da repreensão, da recompensa, do desejo




Quero ser a imensidão
Quero ser pequeneza
Quero ser a imperfeição em evidência
[Pois a perfeição
É um atroz sofisma
Da humana cabeça
Quero ser a multidão
Quero ser o átrio do sol solitário da certeza
Quero ser a rocha, a rosa, o rouxinol, o girassol, a orquídea, a açucena
Quero ser a ametista, poeta em perene florescência!
JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA
Ler poema completo
Biografia
MEU NOME É JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA. NASCI EM JUNHO DE 1982, NA CIDADE DO SALVADOR,
BAHIA, PARAÍSO ONDE AINDA RESIDO.
 QUASE NO PÔR-DO-SOL DE MINHA ADOLESCÊNCIA, DESCOBRI QUE O MEU DESTINO ERA
CAMINHAR TROPEGAMENTE PELAS ALAMEDAS DA POESIA. E, HÁ CERCA DE TRÊS ANOS,
PUBLICO REGULARMENTE EM DIVERSOS SITES LITERÁRIOS.



DADOS BIBLIOGRÁFICOS:
 
 50° VOLUME DA ANTOLOGIA DOS POETAS BRASILEIROS CONTEMPORÂNEOS, ORGANIZADO PELA CÂMARA BRASILEIRA DOS JOVENS ESCRITORES. O POEMA PUBLICADO CHAMA-SE
ESCRIBIR EN CIELO DE AMARGURA.
51°VOLUME DA ANTOLOGIA DOS POETAS BRASILEIROS CONTEMPORÂNEOS, ORGANIZADO PELA CÂMARA BRASILEIRA DOS JOVENS ESCRITORES. O POEMA PUBLICADO CHAMA-SE
FÁBRICAS DA MORTE.
 
ATENÇÃO: TODOS OS POEMAS FORAM REGISTRADOS PELA
BIBLIOTECA NACIONAL, SITUADA NO ESTADO DO RIO DE JANEIRO E SE ENCONTRAM SOB A PROTEÇÃO DA LEI
DOS DIREITOS AUTORAIS N° 9.610/98

Poemas

31

A CATARSE NADA POÉTICA

A CORIZA ME INVADE DEMASIADO KATRINA...
A CORIZA CHOVE SOB MEU NARIZ E LANCINA A MINHA ALEGRIA...
A CORIZA ME SUGA AS FORÇAS BEM PAULATINA...
A CORIZA É VAMPIRA, MALÉVOLA TAXIDERMIA,
PEÇONHA, VISCOSA ALEIVOSIA...
AH, A CORIZA, A CORIZA,
A CORIZA TRANSFORMA-ME NA MAIS RAIVOSAMENTE EFUSIVA
ERUPÇÃO DA IRA!

JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA
769

HEMORRAGIA DA ESPERANÇA

MULHER-COISA
MULHER á VENDA
MULHER-NADA
MULHER COM SUA DIGNIDADE SANGRADA
MULHER-CARNE
MULHER QUE ANDA SEMPRE AO LARGO DO DIREITO á PRIVACIDADE
MULHER ALUGADA á ALHEIA SOFREGUIDãO SELVAGEM
MULHER PROPRIEDADE
MULHER-OBJETO
MULHER-SEXO
MULHER SUJEITADA á TIRANIA DA DEMANDA
MULHER EXPULSA DO REINO DA áLACRE INFÂNCIA
MULHER QUE OSTENTA
NO ÂMAGO DO SEU CORPO
MELANCOLIA, PADECIMENTO E O DOLENTE DESGOSTO
MULHER-CATIVA
MULHER-MENINA
MENINA-PRESA
MENINA CONFINADA NO CáRCERE DA VIOLêNCIA
MENINA QUE ENCERRA
NO SEU TACITURNO PRANTO
UMA VIDA VAZIA DE SONHOS
MENINA ERRANTE, ERRáTICA:
SEM HORIZONTES A SEGUIR
SOBRE A PONTE DA SUA DURA JORNADA
MENINA QUE TEM POR HORIZONTE
O SOL DE UMA SINA MALOGRADA
MENINA QUE TEM COMO GUIA, VENTURA, CARMA
O VITALíCIO CAMINHAR SOBRE O VáCUO DA ESTRADA
FEMININA, MENINA, MULHER, MANá
MANHã, ALVO DA CHAGA, COMIDA DA SáFARA!

JESSé BARBOSA DE OLIVEIRA
735

ODE AO ITABIRANO CARLOS

POETAR MINEIRAMENTE
POETAR COM A SIMPLICIDADE ELOQUENTE
POETAR DE PENSAMENTO SOLTO
POETAR PARINDO A ROSA DO POVO.


POETAR O ESTAR NO MUNDO
POETAR REVERENCIANDO O ADORáVEL VAGABUNDO
POETAR FAZENDO VERSO
COM O SUBSTANTIVO PRóPRIO RAIMUNDO.

POETAR AS MãOS DADAS
POETAR A ROSA E A NáUSEA
POETAR A CONSCIêNCIA DE QUE A VIDA
ANDA EM CONTíNUA FUGA.


POETAR A SUPERNOVA PREMATURA DO LEITEIRO
POETAR O ENCONTRO COM AS PEDRAS NO CAMINHO
POETAR O ENSIMESMAR CRIATIVO.


POETAR ITABIRA
POETAR A SAUDADE DE UMA ERA PERDIDA
POETAR COMO é BESTA A VIDA.


POETAR A PERDA DE IDENTIDADE
POETAR O AMOR MADURO E A DESUMANIDADE
POETAR SUTIL E DE FOGO ALTO
é O PAETAR DE CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE!

JESSé BARBOSA DE OLIVEIRA
719

QUARANDO O POEMA

AO ME DEPARAR
COM O PLASMA QUE MANCHA A ALEGRIA DA DIGNIDADE,
DOMA-ME A SEQUIDÃO POR UM POEMA A BEM DA VERDADE.


QUANDO A RECORDAÇÃO VISCOSA
PENETRA E SUBJUGA O DNA DA MEMÓRIA,
DEVASSA-ME A SEDE DE FAZER UM POEMA NA MESMA HORA.


ENTÃO MINHA PESSOA CONVERGE AO MAR
DO MEU CÓRTEX, ESTANDO Á PROCURA DA FONTE:
IDEIAS, HOSPEDADAS EM MANSÕES DE NUVEM,
TOMAM A FORMA DA VÉRVICA PALAVRA
QUE QUARA O POEMA PARA CONCLUÍ-LO
AO IRROMPER DAS CINZAS DA ALVORADA.

JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA
953

A ESPORÁDICA MAJESTADE DO INCOMUM

Há dias que a retina não controla

A projeção de imagens.

Há dias que a urina infunde

Á leve menção do simples laivo da vontade.

Há dias que a doce e inócua brisa

Escalavra cruelmente a face.

Há dias que a noite

É contínua manhã incólume: a aderente Paisagem!

Há dias que a Escuridão é a alameda

Onde reside a foz de toda a universal verdade.

Há dias que o dia

Aparenta ser fluxos e refluxos de miragem.

Há dias que o Poema

É o mais etéreo plenilúnio da Vacuidade

Há dias que a latitude e a lembrança

São o mais edaz epicentro da saudade.

Há dias que o ser concreto

São os sortilégios de Mérlin, Iemanjá,

Baco, Amon-Rá e o Hades.

Há dias que o Poeta

É corpo sem Verve, a terra sem Verbo: A Vácua Viagem!

Há dias que a guerra

Sucumbe ao sopro do vento da Amizade.

Há dias que a Porta

Não é uma mera passagem.

Há dias que o sofrido povo

Não é miríade e sim, O Principal Personagem.

Há dias que a Poesia sonha

O sonho de ser o Graal da IGUALDADE!

JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA

782

A LIRA DA HIPOTERMIA

A atmosfera fria

Prepondera

No corrente dia,

No entanto,

Os pensamentos

Não aderem

Ao império do mármore:

A bem da verdade,

São vulcânicos desertos

Do Saara e do Mojave!

A atmosfera fria

Prepondera

No corrente dia:



Penso nos entes

De antártico

Coração transformando

Mares majestosos

De candura e crisálida

Em infinitas úlceras multiplicadas

Cuja missão é criar bactérias

Quais sepulcralizam a alma.

A atmosfera fria

Prepondera

No corrente dia:

Não obstante

A brisa malina,

Os condôminos de rua

Deitam ---

Prematuramente ---

Na sepultura

Ao se tornarem

Almoço ou janta

Da nossa venerável

Sociedade fraternal,

Nobre, magnânima, humana!

A atmosfera fria

Prepondera

No corrente dia:

A tristeza gélida

Empedra a lareira

Dos solares sentimentos,

Matando os sonhos

E seus rebentos.

A atmosfera fria

Prepondera

No corrente dia:

Nada perto ou equidistante...

Nada ao longe...

Nada aquém...

Nada além

De hipotérmicos,

Decrépitos

E esqueléticos

Horizontes!

JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA

865

VENTANIAS DA MENTE

Preciso adelgaçar cometas.

Preciso nivelar-me ao celeste azul.

Preciso ler Manuel Bandeira.

Preciso ouvir As Rosas Não Falam, Free Jazz e Blues!

Preciso garimpar as incertezas da certeza.

Preciso tomar um porre de Rum.

Preciso pôr as cartas sobre a mesa.

Preciso flertar com O Bando de Teatro Olodum!

Preciso sentir a textura da tez da minha Preta.

Preciso prementemente ir á rua desnudo do habitual calandu.

Preciso assistir --- de novo --- á película O Baixio das Bestas.

Preciso pagar --- com os juros da cara --- a conta de luz!

Preciso dormir por 8 horas.

Preciso comprar os acústicos de Jorge Benjor, Seu Jorge e Paulinho da Viola.

Preciso gostar de comer chuchu e saber que não sou cult.

Preciso criar coragem para suportar o peso da minha Cruz!

Preciso encarar a barrela.

Preciso fazer 1 bilhão de aquarelas.

Preciso descobrir minhas raízes no Benin ou na Nigéria.

Preciso demonstrar mais amor pela Terra.

Preciso ser Angola, Moçambique, Sudão, Somália, Etiópia e África do Sul.

Preciso chupar acerola, umbu, cajá além de caju.

Preciso largar mão de querer rimar com o fonema e o corpo da letra U!

JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA

826

LIRA PARA ALVORECER A ALVORADA

Escuto o silêncio

Dizer á madrugada

Que se prolongue nos invernos:

Ah,

Enquanto esta ordem-conselho

Se processa na mente do tempo,



Cavalga por todo o meu cérebro

O viscoso e insólito pensamento

De que seja o basáltico céu empalidecido

A perfeita comunhão entre a elação da beleza

E os sortilégios dum mar capcioso e sombrio.

Escuto o silêncio

Dizer á madrugada

Que se prolongue nos invernos:



Esta miscível atmosfera eclética

De anestesia, Prosa, Poesia,

Onirismo, miasmas, niilismo, corvo, frescura,

Espreita, peçonha, perfídia e coruja

Casamata um reino de desovas, volúpias,

Espermas, esperas, espirais de psicodelia,

Enseada para fugas ou a Política daninha,

Teatro, Baco, vinhas, sangue a cada esquina;

Heróis, concertos de Rock e Operas que reverenciam

A Jazzística Cinética Ventania!

Escuto o silêncio

Dizer á madrugada

Que se prolongue nos invernos:

Capturo as essências da urina,

Da friagem, do orvalho, da orquídea em remanso,

Da groselha e da azaleia de ébano,

Aspergindo-as na página em branco

Do meu corpulento caderno

De Vermelhos Versos Saltimbancos!

JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA

802

O TOM MAIOR DO DIVAGAR

Penso com fôlego, sem fôlego:

A mente mastiga a frase

Poder ao Povo,

E não consigo tornar exequível o sonho.

A mente vaga errante, errática

Por descampados, vácuos e reinos da impotência:

Lugares onde a miséria humana

Faz-se a eterna etérea presença!

Cavalga-me pelas pradarias da verve

A voz de Renato cantando

Vento no Litoral,

Enquanto a voz de Cazuza,

Buscando agônica

A ideologia perdida,

Adormece nas asas

Da sua precoce supernova afinal.

Ah, é quando o ladrar pressuroso

Dos cachorros expulsa

A minha consciência

Da labiríntica viagem --- até então ---

Á margem do taciturno sabor do pouso

Sobre o solo da gravitacional realidade.

Enfim sinto passear,

Pela rodovia da boca,

O antigo gosto da vida-normalidade;

Entretanto, para não deixar esta aventura

Ao bel-prazer de uma página em branco,

Procuro a flor da catarse,

Que germina e desabrocha

Como um poema prolixo, insano:

Facunda topografia do absurdo humano!

JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA

786

O FILHO DA GUERRA DE TODOS OS DIAS

O homem joga-se no abismo...

O homem transforma-se no abismo...

O homem foge agonicamente do abismo...

O homem é essencialmente o abismo...

O homem singra caminhos longos, oblíquos, doridos...

O homem, habitando a selva de pedra do mundo iníquo,

é ventania, alegria, caixão, senzala, poesia, fuzil,

Escravos chibatados sobre o pelourinho...

O homem, em facundo desafio,

Posta-se frontalmente ao feral tanque assassino...

O homem: sulcos, dédalos, pedras, espinhos...

O homem pugna contra os doze signos do abismo...

O homem cai e se soergue assertivo, altivo...

O homem, favelas, utopias, trampos, caatingas, Sonoras, Savanas, redemoinhos...

O homem sonha com o sol da dignidade e do altruísmo...

O homem fica preso no templo da vilania e do egoísmo...

O homem trafega pela rodovia da vida-morte em período contínuo....

O homem perde-se entre amores, saudades, vórtices, descaminhos...

O homem floresce como laranjeira, esmeralda, pendão, criptográfico pergaminho:

A certeza jazendo na vivenda do eternal exílio!

JESSé BARBOSA DE OLIVEIRA

http://palavrasdeumpoetamenor.blogspot.com/

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