As noites não te esquecem
Vê, amor, que as noites não te esquecem
Falam sozinhas do nosso amor que um dia
Em mil carinhos soprou o sonho e a fantasia,
Deixou sentimentos que em mim ainda crescem
E os teus beijos no meu corpo ainda tecem
Esta saudade que embriaga os meus sentidos
Quando a noite silente permeia de gemidos
Os meus sonhos que sem ti não adormecem
Entrego-te na noite estrelinhas, a luz da lua
Para cobrir a tua pele alva, tua pele nua
O teu corpo, todo em mim, é a lembrança
Dos momentos em que tu, mulher criança
Me enlaçava em teu sorriso de amante
E todo o mundo era pra mim este instante
Me beija
No teu amor eu hei de mergulhar em vagas ondas onde o mar em prece se descerra
No cheiro bom do teu calor hei de bulir com a vida
Hei de cantar as cantigas que em meu corpo ainda vibram
Canta, amor, canta comigo o calafrio que percorre meu corpo quando o meu corpo desfalece junto ao teu
Canta, amor, canta comigo a cantiga da noite amena onde não sei te dizer não
Canta comigo a canção que este amor entoa desvairado de ilusão
Entre as canções hei de beijar-te enquanto a nuvem passa e nos encobre dos olhos bisbilhoteiros do engodo
Amor, dá-me as tuas mãos enquanto te amo
Beija a minha boca enquanto meu corpo beija o teu e bebe o teu e se desfaz no teu e se recompõe nas nossas palavras de amor
Sente o meu sonho que nasce em ti, que vive em ti e que, por fim, há de morrer em ti
Minhas mãos enlaçam as tuas como se o amor pudesse fugir a qualquer momento
Meu abraço sente a delicadeza da tua cintura e o desenho do teu corpo quando o momento, que começa na lucidez que termina, diz que tu és minha menina
Amor, me beija...
Me beija e deixa o teu gosto em mim
Deixa o teu gosto morando em minhas entranhas
Deixa o teu gosto em mim para eu não morrer deste amor
Deixa o teu gosto em mim para que eu te sinta nas noites que me alucinam quando estou longe de ti
Me beija... amor!
Só me beija!
Me beija...
Me beija...
beija...
beija...
beija...
Sem teus olhos
Sem teus olhos,
As manhãs demoram-se para acordar
Os dias procuram teus olhos de menina
O sol não encontra motivos para brilhar
O azul que veste o céu desbota e desatina
Escondem-se, sem cores, as águas do mar
Os astros olham de cima e a luz calcina
E quando vê-se que o dia não amanhece
Que os delphiniums azuis não vão brotar
Que a vida envolta em sombras não acontece
Que as nuvens não têm por onde caminhar
E sôfregas esperam pelo destino que as esquece
Tudo fica à espera... à espera do teu olhar
Sem teus olhos só sobram noites sem luar
Pra onde vou
Pra onde vou se agora a vida me trouxe você
E nossos momentos são sonhos que em mim se realizam?
Pra onde vou se te esperar tornou-se a inteira poesia
E os meus beijos aninham-se em teu corpo
Como os versos aninham-se nos poemas?
Pra onde vou se agora tua mão tocou a minha
E os teus dedos, trançados aos meus, disseram tanto amor?
Pra onde vou se agora o dia acorda e dorme em você
E nas minhas noites o perfume do teu corpo embebe o ar da minha imaginação?
Pra onde vou agora que os meus lábios tocaram os teus
E a sede molha a lembrança dos nossos dias e das nossas noites?
Pra onde vou se a tua ausência é tudo que tenho depois do amor
E na minha pele o teu gosto fica como o desejo ainda latente?
Pra onde vou se agora quando apago a luz é o seu toque que sinto na penumbra que me encobre?
Pra onde vou se agora quando o silêncio dormita é a tua voz que ouço?
Pra onde vou se agora meus caminhos, tão distantes, esqueceram os próprios passos?
Pra onde vou se agora tudo que sinto é você
Tudo que sonho é você
Tudo que quero é você
Tudo que amo é você
E tudo que tenho é saudade?
Pra onde vou, meu amor, se tudo que sei é te amar?
Coraçao do oceano
Eu quero te dar meu colo
Quando você for dormir
Te dar o sonho mais lindo
Que na noite possa existir
Eu quero te dar as flores
Que colhi durante o sono
Para enfeitar os teus dias
Nestas manhãs de outono
Eu quero te dar carinho
Beijinhos pra te acordar
Te entregar de manhã
A última luz do luar
Eu quero te dar meu amor
Em todas as horas do dia
Junto com meu bem querer
Inebriado em fantasia
Eu quero te dar as velas
Feitas de sonho e de pano
Que me trouxeram a você
Meu Coração do Oceano
Gesto
Um tempo infindo trouxe você pra mim
Um tempo sem hora, sem dia, sem mês
Um tempo onde só havia o soar
Longo do vento na noite imensurável
Dizendo ao meu coração teus sonhos
Lançando fora os véus que o encobriam
E onde o amor se perdera em fugas
Esquecendo a ternura do beijo alvo da alma
Disse a ti as palavras que em mim morriam
Disse do meu medo e da minha dor
Falei da noite que me esconde
A noite onde o meu ser se dissolve
Em gotas de um labirinto inescrutável
Pousastes a mão sobre os meus lábios
Para que o silencio deles não partisse
Para que o gesto pudesse se expressar
E na palavra contida nos teus gestos
Ouvi o bem dizer da ilusão do alento
Onde tuas mãos bebendo do meu corpo
Sussurravam os versos insones que te fiz
Na esteira das luzes que apagaram a madrugada
Tatuagem
O meu amor dormiu tão triste
Na ponta dos meus dedos o teu corpo,
Como tatuagem, ainda persiste
Não sei
Eu já não sei mais que amor é este
Já não sei mais aonde começa o dia
Onde a noite dorme sob as estrelas
E se encanta...
E sob a luz das estrelas se escondia
Não sei das flores o perfume que elas têm
Nem sei mais como é sentir saudade
A saudade tornou-se o instante passado
No presente
A saudade anda ao meu lado
Anda junto a tua ausência
Não sei mais o que é pecado
Teu corpo juntou-se ao meu
E o perdão que a cruz me deu
Tem o meu pranto guardado
Já não sei como dizer
De tantas formas já disse
Que este amor que é só teu
É o amor que foi guardado
Desde a minha meninice
Não sei dos teus olhos quando me olham
e vão embora sem que os veja
Não sei das minhas mãos quando enlaçam as tuas
e caminhamos nas ruas
eu de ti enamorado
num sonho
sem
fim
ornado
Não sei das estradas que sigo
quando vou buscar estrelas
para te dar em segredo
e depois brincar contigo
Já não sei mais o que é perigo
Já não sei o que é o medo
das sombras que a noite traz
Não sei das horas, do tempo,
Já nem sei o que ele faz
Não sei mais o que é distância
Tudo em mim mora tão longe
O amor, o sonho, o riso
Tão longe mora tudo que eu preciso
O homem
Se a noite esconder todas as estrelas,
se no céu sobrar somente o breu e a lua,
se a saudade fugir com os nossos sonhos,
se a flor murchar e morrer em plena rua,
se a esperança se desfizer toda em quimera,
se o medo da vida se apodera,
se à amizade a falsidade desvirtua,
Ainda assim, amor,
restará a crença pura no afeto a nos suster enquanto há vida.
Se o vento arrastar nossos momentos,
se as nossas vozes o silêncio apagar,
se parados esperarmos novos tempos,
se a cegueira vier para nos guiar
se as nossas almas chorarem doloridas ,
se a sina vier a reger as nossas vidas,
se o sol ao meio-dia se apagar,
Ainda assim, amor,
restará a fé intacta no amor a nos manter enquanto há vida.
Se o homem a outro homem devorar,
se a guerra for o diálogo dos Senhores,
se a vida de um homem valer pouco,
se o homem para aqui só trouxer dores,
se o homem só evoluir externamente,
se a liberdade for pra um dia lá na frente
se na vida o amor for só rumores
Agora, sim, amor,
nada mais nos restará!
Espera
Quando fevereiro chegar
Os meninos não chorarão
O nosso amor acontecerá
Os meninos se encontrarão
Minhas mãos percorrerão
O teu corpo à luz da lua
Beijarei teus seios arrepiados
Te beijarei molhada e nua
O nosso prazer se deitará
Em lençóis de seda e cetim
Teu desejo é flor que abrirá
Suas acres pétalas pra mim
A noite trará sua essência
Revelando nossos segredos
Os nossos sonhos contidos
Na ponta dos nossos dedos
Enquanto a noite caminha
Levando consigo gemidos
Palavras que nos definem
Sussurros enternecidos
Meu corpo dentro do teu
Minha alma unida a tua
Neste prazer que deleita
Que indelevelmente tatua
O nosso amor entrelaçado
Em nossas bocas o desejo
As nossas pernas trançadas
Nos nossos corpos o beijo
Carinhos da nossa entrega
A incendiar os momentos
Em cada beijo um começo
Molhado de sentimentos
Tua pele carícia da minha
Suada, trazendo teu cheiro
Quero teu gosto na minha boca
Quando chegar fevereiro