Joana Leitão

Joana Leitão

n. 1974 PT PT

n. 1974-12-08, Sintra

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Santa Querida Pequenina

Santa Querida Pequenina
susurrava a Mão baixinho.
Mão que desinfetava uma ferida
que soprava o ardor do mercúrio-cromo.
Mão que estendia num pequeno envelope,
uma nota redonda de escudos.
Mão que deslizava num caderno
o lápis estudante de geografia
plantas e latitudes, vulcões e longitudes.
Mão que olhava com orgulho
Mão que acalmava lágrimas,
Mão que docemente sorria
e escondida por vezes sofria.
Mão que ligava numa chamada,
o amor do Norte ao Sul.
Mão que conzinhava sabores de uma vida.
Mão que entregava senhas para os elétricos
e que oferecia o lanche aos seus netos.
Mão que escrevia um postal
e que lia pensamentos.
Mão que susurrava baixinho
três palavras de carinho,
junto do meu coração.
Santa Querida Pequenina
era eu, com a Avó pela Mão.
 
 
 
 

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Poemas

1

Escrever é apanhar conchas na areia

Escrever
é apanhar conchas na areia
devolvidas pelas ondas do mar,
enfiá-las num cordão
e fazer um colar;
é ter espuma de palavras
para fazer uma história,
alinhá-las numa folha branca
salpicando numa dedicatória
a ideia devolvida na onda do mar,
que escrever
é apanhar conchas na areia.

E se para crianças for o conto
basta trocar a ideia
que apanhar conchas na areia
é escrever sem vírgula nem ponto
letras levadas pelo mar.
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