João

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Choro.

E choro,
por saber que não consigo.
Choro por saber,
que não choras.
Choro pelo teu amor,
e por ele,não ser sonhado comigo.

Choro por dentro.
Choro pela madrugada fora.
Dentro da noite,
onde ninguem me ouve,
onde esta alma,
deseja ser morta.

E este nada,
em que a solidão
tem o seu lugar,
faz crescer,
a fome de acabar
com o que nunca
chegou a ser.
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Poemas

4

novo dia

Quero que me queiras,
como queres outro alguém.
Quero que me plantes,
e me vejas crescer,
enquanto o sol me tem.

Logo pela manhã,
ao abrir de um novo dia,
procuro-te em todo o lado
sem pensar que saíste
enquanto eu dormia.

E porque me dou ao trabalho
de dar valor ao que tanto tem,
se em mim tudo parece igual,
e não consigo que me ames
da forma como eu já te amei.
196

Choro.

E choro,
por saber que não consigo.
Choro por saber,
que não choras.
Choro pelo teu amor,
e por ele,não ser sonhado comigo.

Choro por dentro.
Choro pela madrugada fora.
Dentro da noite,
onde ninguem me ouve,
onde esta alma,
deseja ser morta.

E este nada,
em que a solidão
tem o seu lugar,
faz crescer,
a fome de acabar
com o que nunca
chegou a ser.
196

Cidade.

Só quero respirar.
Quero partir e não voltar.
No meu ou no teu ar,
o ar é o que eu quero.

No nublado acinzentado,
quando o sol acorda,
ainda vejo a lua
que à volta da terra roda.

Solta um adeus timido
e rápido se esconde,
rápido adormece
e no sol se encobre.

O fraco sol que no dia,
pouco aquece
dá lugar uma lua viva
que aclara as almas frias
no meio da noite e da pressa.

E enquanto todos dormem,
romanticos o sol e a lua,
vão amar os seus corpos,
deixando a cidade nua.
183

Tempo.

Temos tempo,
mas o tempo não espera.
E eu passo o tempo,
a passá-lo em ti.

Vejo as horas a passar
e o velho relógio,contando.
Vejo-me a mim e vejo-te a ti,
e a amar o nosso tempo,
vai passando.

Deitados na sombra,
na sombra de alguma vez vir a ser,
somos o que somos
e amamos o que o tempo nos fez ver.


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