Joathã Andrade

Joathã Andrade

n. 1991 BR BR

Leito compulsivo, cinéfilo, amante do oculto, e um pouco de influência de Leminski aqui e ali.

n. 1991-12-28, Massapê-Ce

Perfil
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MUDAR


Melodias.
Sons de passos.
Escadas sem corrimão.
Escuro sem luz.
 
Passeios sem risos.
Bancos vazios no parque.
 
Velhos olhos sobre antigas estatuas de mármore.
O navio a zarpar.
 
Não sei por que estou aqui,
olhando para o fundo de uma existência sem volta.
 
Seguro uma carta sem nome:
nela tinha algo que poderia mudar-me,
mas mudar-me já não se faz mais necessário
 
Precisaria mudar o tempo,
precisaria mudar as palavras,
precisaria mudar o coração,
mas, mudar por mudar, não tem sentido.
 
(Joathã Andrade)
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Poemas

30

Viver de letras (não parece ser tão ruim).



Queria ser Camões,

mas sou tão comum.

Queria escrever igual o tal do Shakespeare.
Mas só escrevo trapos.


Vou para de escrever versinhos,
versos médios e longos.

Vou ser escritor adulto.

Viver das letras 
bem letradas.
Iguais os senhores antigos e cultos.

Mas temo que as únicas letras de que viverei,
serão as letras dos saquinhos de sopa.
203

coração

   

    coração ninguém acha


       ninguém tem

       ninguém ganha

   para alguns não existe

     para outros é tudo

     quem tem guarda

   quem não tem resguarda
193

Tudo comum (e uma pequena viagem de ácido)



Tudo tão comum.

Poderia chamar de meu comum.
Meu normal.


Meu mundo se foi tão rápido.
Tão depressa igual político depois de eleição.

Poderia ficar aqui sentando olhando.

Para nada
Para tudo

Mas tudo não foi nada.
Queria ser tudo

Mais tudo não seria suficiente.
190

Amor sem amor.




Amar sem amor.


  Amor com amor.

     Que amor pode viver sem motivo?

       Motivo pra que?

   Viver?

     Morrer?

  Bosta!!

    Poderia te o mesmo motivo para amar,
      os mesmo que amam sem amar.
262

Acredito

                     
                     

                 Acredito muito em mim


              Pouco em outros.

          Eles podem estar errados.

       Eu também.

Que merda!

   Queria poder saber de tudo.

      Mas sei pouco.

         De mim.

           De tu.

               De todos.
251

Grama do vizinho.


Quem dera.


 Quem podera.

  Quem quisera.

     Não tenho grana.

        Pra comprar grama.

          Que tristeza.

            Queria a grama

               Igual do vizinho com grana.
202

Gloriosa noite.


Queria poder ver a gloriosa noite.

    Quando finalmente todos largarem
      seus vícios ideológicos e marcharem.

        Queria poder ver a noite eterna.
          Onde as chamas irão queimar.

            E das cinzas erguer a fênix esquecida.
187

AMANTES ETERNOS II



Depois da meia noite as nossas almas se unem de um jeito que só nos sabemos.
Quando seu toque macio percorre meu corpo sinto meus pelos arrepiarem.
O doce cheiro do seu cabelo.
O sabor do seu beijo molhado.
Nos entregamos em nossas volúpias.
Nossas loucuras noturnas.
Seu sorriso.
Seus olhos vidrados em meu corpo.
Dois amantes.
Duas vidas.
Ligadas além da eternidade.
La fora a chuva cai forte, levantando um ar morno de começo de verão.
Aqui dentro nosso ar quente se mistura com suar e unhas cravadas em minhas costas.
275

Loucura do prazer.



Chuva em uma noite morna.
Dois corpos entre quatro paredes.
Palavras sussurradas em meio a loucura do prazer.
Vidas que se entrelaçaram.
Desejos ardentes.
Momentos eternos.
Quem pode nos julgar?
165

O mar.



Me lembro do dia que vi o mar.
O vento  batendo no rosto, gosto de água salgada e terra.
Lembro de caminhar descalço e me perder na imensidão do lugar.
Quando vi estava tão longe que não conseguia sequer pensar em voltar.
Me lembro do sol.
Da vida.
Do momento.
Queria poder voltar.
Mas aqui estou sentando escrevendo isso.
207

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