Joathã Andrade

Joathã Andrade

n. 1991 BR BR

Leito compulsivo, cinéfilo, amante do oculto, e um pouco de influência de Leminski aqui e ali.

n. 1991-12-28, Massapê-Ce

Perfil
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MUDAR


Melodias.
Sons de passos.
Escadas sem corrimão.
Escuro sem luz.
 
Passeios sem risos.
Bancos vazios no parque.
 
Velhos olhos sobre antigas estatuas de mármore.
O navio a zarpar.
 
Não sei por que estou aqui,
olhando para o fundo de uma existência sem volta.
 
Seguro uma carta sem nome:
nela tinha algo que poderia mudar-me,
mas mudar-me já não se faz mais necessário
 
Precisaria mudar o tempo,
precisaria mudar as palavras,
precisaria mudar o coração,
mas, mudar por mudar, não tem sentido.
 
(Joathã Andrade)
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Poemas

3

Eufemismo



A vida é um eufemismo barato

dotada de procrastinações, futilidades e hipocrisia.
quando poderia ser tudo belo,
a podridão se arrasta.
E assim o ciclo decadente se propaga para sempre.
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Existindo



Acordei de um sono sem sonho
na janela um belo horizonte de pedras
não posso fazer nada
eu já tenho tudo de volta
uma vida monótona
uma poltrona morna
não preciso mais me explicar
eu já não posso tentar
porque não sei por onde começar
eu sento e me olho tentando me achar em meu lugar.
206

Tédio



Marcas de vida quando tudo não vivido.
O momento presente se perde como nevoa na primavera,
sem motivo o movo-me por entre as pessoas sem perceberem minha presença.
Que motivos teriam ?
Sou invisível, tão não notado quanto um poste no meio de uma rua sem movimento.
Queria poder ir onde queria poder está.
Infelizmente estou aqui sem nada para fazer.
Embora eu estivesse viajando e minha mente,
meu corpo jaz parado entre um tedio diário e uma vontade de gritar.
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