Kanienga L. Samuel - José

Kanienga L. Samuel - José

n. 1998 AO AO

Técnico de Construção Civil, Poeta e Pensador. Percorro as veredas do conhecimento com muito amor, paciência e prudência, para não tropeçar e cair no abismo da ignorância.

n. 1998-03-02, Mbanza Congo - Zaire, Angola

Perfil
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O século paradoxo

Eu sou de um século em que se pedem direitos iguais e, ao mesmo tempo, cavalheirismo e prioridade;
Onde o amor é substituído pela ambição e o bem pela vaidade;
Onde se confundem as coisas importantes com as urgentes;
E as pessoas que se queixam de assédio são as mesmas que se dedicam a ser atraentes.
Este século é um paradoxo!

Um século com tantos meios de comunicação e tanta gente e, ainda assim, com tanta solidão;
Com tantas estradas e meios de locomoção e, ainda assim, com pouquíssimas visitas e tanta solidão;
Com tantas informações e, ainda assim, com tanta ignorância;
Com tanta riqueza e tecnologia e, ainda assim, com pobreza em abundância.
Este século é um paradoxo!

Onde todos querem a paz mundial, mas cada um busca apenas o seu próprio bem;
Onde todos querem e amam o bem, só não mais do que desejam ser alguém;
Onde quem pouco tem, tem pouca importância;
E esperam colher a paz semeando armas e intolerância.
Este século é um paradoxo!

África, Angola - Luanda, 2020.

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Biografia

Kanienga L. Samuel (José) é um pensador e poeta que escreve com o coração ferido e os olhos bem abertos. Entre a filosofia, a crítica social e a poesia, suas palavras nascem do espanto diante da dor humana e da esperança teimosa de que ainda podemos ser mais do que produtividade e aparência.

Crente de que a poesia é um sussurro de eternidade no barulho do mundo, seus versos abordam temas como a solidão, a pressão social, a fé, o fracasso e o brilho — esse novo imperativo silencioso que aprisiona gerações.

Nascido em Angola, escreve para não sufocar e para acender, com outros, uma pequena chama no meio da escuridão.

Poemas

1

Entre o amor & a razão

Apaixonei-me por um cão lindo, há um tempo atrás,
Estava à venda a um preço acessível – era tudo bom demais!
Então paguei sem pensar duas vezes, sem olhar para trás,
Até ver as consequências que a escolha pela beleza traz.

E então fui colocado entre o Amor e a Razão,
Por um lado, eu o amava; por outro, era um péssimo cão.
Apesar de crer que o sentimento não deve se sobrepor à razão,
Ignorei o que a mente dizia e segui o coração.

Apesar de já enxergar seus defeitos no princípio do caminho,
Não quis desistir do mesmo, afinal, era só um cachorrinho.
Com esperança de que mudaria – não precisava ser um santinho –,
Coloquei-o no meu coração e lhe dei amor e carinho.

E o tempo foi passando...
A cada momento lindo vivido, fui cada vez mais me apaixonando.
O cão lindo foi crescendo, mas, infelizmente, não mudando,
Então, a esperança e a paciência começaram a se esgotar.

E então fui colocado entre o Amor e a Razão,
Por um lado, eu o amava; por outro, era um péssimo cão.
Apesar de crer que o sentimento não deve se sobrepor à razão,
Ignorei o que a mente dizia e segui o coração.

O saco da paciência encheu, mas não conseguia me desfazer dele.
Por um lado, seus mil defeitos; por outro, eu o amava.
Então, frustrado e sem querer, passei a maltratá-lo,
Matando, aos poucos, o sentimento de amor por mim que havia nele.

Passei a dar-lhe apenas abrigo e alimentação,
E ele estava sofrendo, pois não lhe dava carinho e atenção.
Eu já estava decidido, já tinha escolhido a separação,
Decidi seguir a mente e ignorar o coração.

Mas, muito antes da oficial separação,
O vizinho que o desejava aproveitou-se da situação.
Em minhas ausências, o chamava e lhe dava não só alimentação,
Mas também amor, carinho e atenção.

Então, o cão mordeu-me e refugiou-se com aquele vizinho.
Apesar da dor no coração, decidi seguir sozinho.
Não foi pela mordida que me desfiz daquele cãozinho,
Mas sim pelos seus mil defeitos, notados no princípio do caminho.

E como, apesar dos mil defeitos, eu o amava,
Saber que estávamos separados doía-me bastante na alma.
Mas, quando eu via o quanto o vizinho comemorava,
Conhecendo o cão, não sabia se sorria ou se lamentava.

Assim estive, entre o Amor e a Razão.
Por um lado, eu o amava; por outro, era um péssimo cão.
E como penso que o sentimento não deve se sobrepor à razão,
Apesar da dor, segui o que a mente me disse e ignorei o coração

África, Angola – Luanda, 2020.

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Comentários (3)

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Oãimad Aristeu

Tens uns poemas de arrepiar mano

Olá, irmão! Obrigadão, tuliodias!

_tuliodias

Olá irmão!