Lasana Lukata

Lasana Lukata

n. 1964 -- --

Lasana Lukata é poeta e escritor nascido em São João de Meriti, 14 de março de 1964, Dia Nacional da Poesia, na antiga Estrada de Minas; oriundo de família de pedreiros, foi marinheiro de um navio contratorpedeiro que afundou nas águas de Durban a caminho da Índia ao ser rebocado para desmanche.

n. 1964-03-14, São João do Meriti

Perfil
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Separação de sílabas




na sala de aula

quando a professora perguntava

como era a minha família

eu dizia que era um tritongo

havia cigarra

dançávamos jongo

mas a mãe se foi

a cigarra morreu

a dança acabou

a tristeza invadiu

meu pai e a mim

e viramos ditongo

mas veio a madrasta

que teve três filhos

me jogou num hiato

e fiquei feito um i

em ICARA-í
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Biografia
Lasana Lukata é poeta e escritor nascido em São João de Meriti, 14 de março de 1964, Dia Nacional da Poesia, na antiga Estrada de Minas; oriundo de família de pedreiros, foi marinheiro de um navio contratorpedeiro que afundou nas águas de Durban a caminho da Índia ao ser rebocado para desmanche. (D37 Contratorpedeiro Rio Grande do Norte). Coincidentemente, a vida de Lukata também afundou, de servidor federal caiu para estadual, hoje é servidor público da Prefeitura de São João do Meriti como trabalhador braçal, mas se afundaram o navio e o homem de guerra, emergiu o poeta, participando da Oficina Literária ministrada pelo poeta Ferreira Gullar em 2001, na UERJ, resultando na Antologia Poética “Próximas Palavras”; cursando Literaturas Portuguesa e Africanas de Língua Portuguesa, UFRJ. obras publicadas: Meu Cartão Vermelho (crônicas), Multifoco, 2010, Caçada ao Madrastio (crônicas, 2010), Exercício de Garça, Íthacas, 2011 (Poesia); Separação de Sílabas, 2011 (poesia) Virtualbooks; Urdume (Poesias), editora Multifoco, 2013; Homem ao Mar, (Contos), Livros Ilimitados, 2014, Setênfluo (Poesias), editora Livros Ilimitados, 2014, Garça na janela (poesias), editora livros Ilimitados, 2015; pássaros sem pressa, 2016(poesias), Mergulho, poesias, 2017, editora Livro Rápido; Garça sem voz, poesias, 2018

Poemas

3

a morte do Zé do Norte - a Ferreira Gullar (in memoriam)

contratorpedeiro Zé do Norte,

bico fino,

desejo agudo pelos mares,

já não pode ser contra nada...

de capitânia a rebocado

a caminho do desmanche,

perdeu o manche,

da montanha a avalanche,

desmoronou sobre ti

garças negras, africanas,

águas de Durban.

mar, cama líquida e azul,

noites de erguimentos e quedas,

de nas estrelas cadentes

encharcar-se de abismos

e a vida com seus Zés:

Zé da Rita

Zé da Preta

Zé do pão

no final serão da morte,

todos a caminho do desmanche,

a morte quer seu lanche,

a despedida é lilás.

águas de Alang

quanto sang!

Zé do Norte mudou de nação,

de número, de nome,

mudará de forma,

disforme,

Zé da Morte;

cortaram cabos de reboque

e se foi com a tempestade,

com seus postos de combate,

virou posto de abandono;

seus paióis de enfermaria,

onde fui encarregado,

um lugar apropriado

ao marujo mareado;

meu primeiro navio afundou

e em harmonia afundei

de servidor federal

para estadual,

hoje municipal,

trabalhador braçal

da prefeitura de Meriti;

mas se afundaram o navio

e o homem de guerra,

emergiu o poeta.

seu destino, como as aves,

era entrelaçar-se ao vento;

sua metralhadora antiaérea

era inveja de passarinhos.

vento forte Zé do Norte!

a mercadoria não chegou,

menos sangue em Alang,

caturrei, afundamos,

deixamos juntos

a altivez das ondas,

afundei em todos os navios,

vim aos ares com todos os poemas

como a proa que retorna do abismo.

agora

o girassol se desmancha em outros benefícios,

nos tubos-almas dos canhões

deslizam peixes, não metais.

eu, passei de menos para mais...

quem dera essa imagem

fosse aqui na superfície.

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epifania


uma fúria suave de buganvílias oferecendo-se às calçadas

por entre as grades das casas pelas tardes de inverno

buganvílias de ramos arqueados e retos

e passa a menina enamorada

e o rapaz lhe põe um cacho no cabelo

passa outra menina e se fotografa ao lado delas

os meninos as levam ao pique-bandeira:

bandeira branca, lilás, salmão, alaranjada...

do alto a garça crepuscular, visão binocular

branca branca branca

da paisagem se alimenta.

tardes de inverno

por que logo hoje para fora das grades

esse único e reto ramo de buganvília vermelha

uma espada ensanguentada

que acabou de sair do meu peito?
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Separação de sílabas




na sala de aula

quando a professora perguntava

como era a minha família

eu dizia que era um tritongo

havia cigarra

dançávamos jongo

mas a mãe se foi

a cigarra morreu

a dança acabou

a tristeza invadiu

meu pai e a mim

e viramos ditongo

mas veio a madrasta

que teve três filhos

me jogou num hiato

e fiquei feito um i

em ICARA-í
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