Vou tirar você do meu altar te humanizar, te destronar nao vou mais me reduzir à alguém que nao tem você vou me eleger, me proclamar a dona desse lugar eu me elevo à condiçao de quem tem a mim e declaro, que fique claro que isso me basta e rebaixo tua pessoa à triste situaçao de perdedor do meu amor
Meus olhos pensam que viram meus ouvidos pensam que ouviram minha pele pensa que sentiu a beleza passar o amor chamar a paixao tocar foi só impressao alguém imprimiu em meu corpo esse desejo de pensar
Quando nao restou mais nada voltei para casa e me encontrei estava ali sentada à minha espera e a despeito de tudo eu me quis me dei a mao e me tirei do fundo enxuguei meus olhos troquei as roupas de mim dancei comigo me desejei tomei-me em meus braços me conduzi ao extremo de mim e me possuí como se fôssemos uma
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Esquecer
Me encontro desencontrada de mim assim que encontrei você perdi o fio e a meada nao lembro de mais nada que lembrava antes de ter que te esquecer nao sei mais de onde vinha se partia ou se voltava estou no meio da tua estrada esperando amanhecer
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Ouça-me
Nao ouça essa boa que te manda embora nao sou só essa boca que tanto te beijou nao sou só essa língua que teu corpo percorreu eu sou outras e sou mais essa boca ingrata agora quer me reuduzir à uma voz nao lhe dê ouvidos que teu corpo possa ser mais unido que o meu e teus olhos e ouvidos possam saber de todo o meu restante que resta sobre essa cama te chamando te esperando nao pode a boca dizer tanto quanto meus olhos inundados meu estômago em espasmos meu pulmao descontrolado meu coraçao acelerado minha pele pedindo ajuda ao sangue e ao suor para ser notada por você note que meus pés titubeiam minhas maos estao inquietas sem teu corpo para pousar e o meu sorriso lá dentro está em greve de fome diz que só se alimenta de ti tampe os ouvidos entao e vem escutar a voz de mim toda a te rogar que nao me deixe e se minha nao concordar cale-a violentamente com a tua
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Panelas e poesia
Caderno com farinha receitas em versos escrevo, alimento a alma cozinho, inspiro a vida descasco palavras combino ingredientes com a caneta cozinho sentimentos até o ponto de versos firo os dedos com faca e o coraçao com paixao sangue temperando poesia panelas rimando aromas coraçao na cozinha paladar no papel amargo e doce no mesmo prato na mesma folha
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Declaro
Vou tirar você do meu altar te humanizar, te destronar nao vou mais me reduzir à alguém que nao tem você vou me eleger, me proclamar a dona desse lugar eu me elevo à condiçao de quem tem a mim e declaro, que fique claro que isso me basta e rebaixo tua pessoa à triste situaçao de perdedor do meu amor
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Por ela
É sempre por ela que vou onde nao quero estar que volto de onde nunca estive por ela sempre recomeço por ela quero ser livre é dela que me despeço quando a mim mesma nego quando choro e me espanto depois me relego ao fundo de seu encanto saio batendo suas portas cuspo em sua cara digo que ela nao me importa mas sempre volto quando sara e ela sorrindo me aceita me abraça, me embala e comigo se deita e ao meu ouvido fala que nao é ingrata se nao vejo sentido nela é isso que me maltrata eu sou mil e nehuma sem ela ela é única e nao posso perdê-la beijo seus pés, peço perdao quero de novo entendê-la ela é o que sou entao e vamos seguindo assim enquanto eu aguentar enquanto ela ver sentido em mim enquanto ela em meu corpo durar batendo e apanhando eu vou caminhando de maos dadas com a vida
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Teu chao
Subi do teu chao onde haviam pedras e teus espinhos me sangraram flutuo sobre você e vejo como é pequeno daqui teu mundo nao é o mundo é só um esconderijo onde sonhei um dia em me esconder de mim você me empurrou para fora perdi o fôlego e o chao pensei que morreria já estava morta e nao sabia tirei os pés do teu chao e agora estou viva respirando o meu ar voando com as asas que criei
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Nao viu
Você nao me viu chegar e trazer a cor da noite nos cabelos e nos olhos o brilho de estrelas extintas você dormia e nao me viu sair com as pétalas das flores que nao plantamos esmagadas sob os pés você nem ouviu que eu saí cantando em silêncio a música que nunca ouvimos