Fly Episode
You only pass through the world once
That’s okay
But he passes you every day
The beauty of the desert
Breath and count to four
Went to the stadium to see a game
Other than the team I root for
The smell of dawn
Sabbatical spring
A magician that lets you choose any card
Except the King
A canvas needs to have something
Has to be more interesting than the wall
Mr. Nobody lost in an oasis
Stop wondering all
Two–five–one progression of Jazz
John Cage's 4'33" playing on the bus
And we only remember our memory
When it betrays us
Anime Filler
Thunder Thriller on the storm
“For sale: baby shoes. Never worn”
God and Nietzsche in an old west duel
Oh my god, Dear Friedrich
You failed and died first, that’s fuel
Seeing is different from viewing
Easy to say away from led
I'm too afraid to hit the shot in my own head
Sand Wishes
Pain Killers
Break Fast
Parnassianism stuck in the past
Don't riot for a minute
Let the fly infect your lab
Only when the stage is silent
You listen to the audience’s stab
“In order to understand the world one has to turn away from it on occasion”
Albert Camus
Vientos en Cartagena
Quien hizo el viento
Que golpeó esos pelos
Y te hizo la criatura más bella de América?
Era el ala de una mariposa
Que golpeó otro rincón del planeta
O simplemente mística esotérica?
Viento que desordena
Viento que lleva
Ven a tomar las dudas
Viento sin respuesta
La ley sublime de la equivalencia de ventanas
Conduce la entropía y la suerte
Gané un monzón
Cuando creí encontrar un norte
Porque, la bella creadora de la brisa encantada
Es el mismo creador del viento que te lleva en un gingo
Entre chozas y cabañas
Por la plaza de San Diego
Y el Baluarte de Santo Domingo
Como ciudad turística
Visitas mi corazón a veces
Te parece hermoso, impresionante
Pero no para vivir
Te escribo escuchando un Vallenato
Que me dice
Los vientos que van y vienen
In vain
En vano
Ayudan a secar
Carta, yema, clara y arepa
Cartagena, oscura letra
Si dejo caer esta carta
Con todos mis versos
La dirección de la corriente se encarga de llevarte
El viento que acorta mi existencia
Cambia lo bendecido por lo bien dicho
La carta va al viento
Que te sirva como un beso por escrito
Limbo Severino
És Severino como todos os outros
És Mato Grosso, Joca, João Grilo e Chicó
És mão inchada, enxada nos ombros
Irmão das almas que lavra só
Porque se chamava Homem
Também se chamava “vida sofrida”
Sonhos não envelhecem
Porque morrem antes dos 30
Acostumou-se a pouca água e muita sede
Muito nome sem sobrenome
Deus dá o frio conforme o cobertor
Mas não o pão conforme a fome
E ela ainda é o melhor tempero
Não estamos famintos só de comida
Queremos diversão, arte
Menos “mortes matadas’’ e mais vida
A brasileiragem se confunde
Onde o saneamento nunca foi tão básico
Entre o verde, amarelo, azul
E o branco do marrom latifundiário
Antes “Sol” e “Dó” fossem só acordes
Assim, não tocariam juntos no sertão
Mas, o senhorio no pássaro de metal
Admira um gado novo no refrão
Nesse Brasil antropofágico
Operário desaba um por um
Entre a morte e a vida seca
O limbo diz “Abaporu”
Abaporu é um outro ângulo do Clube da Esquina
Óleo sobre tela, enxada e pinguela
Retrato da rotina
Somos Severinos… iguais em tudo na vida
Sol, cacto, pacto e uma história sofrida
Tarsila agraciou Graciliano
Vamos, Jõao Cabral
Mostrar que nossa cultura
Produz mais que trabalho braçal
Não queremos ser mais um
Atrapalhando o tráfego na contramão
Não queremos mais construir
Somos a construção
Escova de dentes lilás
Eu sei
Que os melhores elogios que você já recebeu
Ainda são os meus
A forma que tratamos os elefantes na sala
Diz muito sobre as memórias que cultivo como apogeus
Será que o erro partiu daqui?
Ao esquecer uma lembrança minha
Em um lugar só seu, insinuando novos problemas
As fotos nas geladeiras são detalhes
Como os títulos de poemas
Pudera ter me dado a oportunidade
De conversar a nossa desconversa pessoalmente
Pra calar palavras mal ditas com um beijo bem dado
Tê-la-ia mais uma vez
Se fingisse ser o que não sou?
Ou s’eu permanecesse imaculado?
A criatividade exige intensidade e vice-versa
Regras de uma paleta colorida
Das religiões que já passei
Não gostei dos testamentos
Juramentos eternos tiram a nossa vida
Eu sei
Que você ainda me ama
Em uma dessas milhares de galáxias
Que James Webb fotografou
Não tire as borboletas de seu estômago à força
O tempo já é eficiente e cruel o bastante
Para o serviço que se prestou
Aprecie, não apresse
Devagar, a sorte passa por nós
E não passamos pela sorte finita
O que faço? Com o baralho que embaralhei
Para fazer um truque de mágica com a sua carta favorita
Não desembaralho, o maço se mantém
Não deixo nosso amor acabar
E, se quiser um conselho
Não deixe também
Qu'ironia
No dia que a levei ao planetário
Foi quando ela me pediu mais espaço
No meio do meu caminho
No meio do caminho tinha um Drummond
tinha um Pessoa no meio do caminho
tinha um Machado
no meio do caminho tinha um Cartola
Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas poesias tão inspiradas
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha um Neruda
tinha um Bandeira no meio do caminho
no meio do caminho tinha um Amado
Flores e rancores
Eu mal te vi e já bem-te-vi
Coisa boa de sentir
Eu mal te vi e já bem-te-vi
Canto pra você me ouvir
Um passarinho
Cuja cor eu nem me lembro mais
Me contou que eu fiquei pra trás
De asas cortadas, modo avião
Ouça, então, o despropositado desatino
Que despetala em um peteleco
Percorrendo nos seus ecos
A minha canção
Onde a encontro, encontro ritmo
Batuque e palma
O lalaia do Arlindo
O lelele do Exalta
Até Geraldo Vandré fez música a falar de ti
E eu duvido que ele te viu como eu te vi
Como eu te vejo
Enfeito as borboletas com o efeito
No Sol que raia no riso
E no canto
Cantinho esquerdo do peito
É o meu jeito
De não querer ficar plantado igual couve
Pois, no meu vaso, sempre coube flor
Se houve amor, colhe quem regou
Tipo pas-sa-ri-nhos do Emicida
O nosso amor só quer passarinhar
Mas, eu não sei o que será da minha vida
Sem o teu peito p’ra pousar
Assim como as mais belas flores
Os mais feios rancores
Também morrem um dia
Sendo sincero
Eu só espero,
Confio e esmero
Que, no seu peito, eu perfume alegria
Subtração
Se você me odiar por um segundo
Quero que me ame por 59
Se me odiar por uma hora
Me ame por 23
Se você me odiar por um dia
Me ame por 364
Se me odiar por um ano
Me ame por uma vida
O amor é questão de subtração
É o valor que completa
É a diferença
É o que nos resta
Vidro
Você me derrete
Como quem faz vidro
Esquenta na temperatura mais alta
Funde, escorre, molda e cria
Algo que quebra fácil como dente-de-leão na ventania
Se eu pudesse ao menos ser aço
Alumínio, ferro ou cobre
Não me cobre, ou melhor
Cobre! Deixa que eu te cubro
E descubro um novo tipo de vidro, um que dobre
Se ao menos fosse temperado ou laminado
A reter meus fragmentos em um elo
Não quebraria igual vidro comum
Que tira as pessoas do ambiente e obriga o uso de chinelo
Você me estilhaça
Como quem quebra vidro
Derrubado, sou irrestaurável
Pode varrer, juntar, limpar e pedir a Deus
Mas, passado o tempo
Ao encontrar uma lasca perdida
Lembrar-se-á, ainda, dos cacos meus
Mise-en-scène
Dar-lhe-ia a mão uma última vez
Mas o amor…
O amor não dá pé
Ainda que eu saiba
Que sob todo esse verniz
Esconde-se uma mulher que ri, que chora, que sente
Não a encontrei nesta venusta versão
E eu vou te deixar ali
Como aqueles papéis de garantia que a gente só aloca num canto qualquer
Junto aos outros papéis que à mesa estão
Sem utilidade alguma a não ser testar a tinta de canetas velhas
Ou rascunhar alguma informação importante enquanto no telefone
E que, depois de um tempo, a gente pega
Desdobra, abre, relembra
Vê que já não tem mais valor
E joga fora