Ludmila Martins

Ludmila Martins

n. 2006 BR BR

Sustentada por bons livros, filmes e músicas.

n. 2006-01-30

Perfil
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Um amor de alma

Creio que sempre te conheci.

Além do que se diz ser, 

Além do que meus olhos são capazes de ver, 

E meu coração de sentir.

 

Sei disso pois minha mente te traduz.

Vejo além da mera junção de átomos. 

Além da armadura que aprisiona sua alma que luta serenamente. 

Ela almeja transcender, e vejo que já escapa pelos teus olhos

que brilham de maneira divina.

E ao encontrarem os meus, tenho um breve vislumbre do paraíso.

 

Tudo em ti me invade, arruma e desarruma,

quebra e reconstroi.

Me tira do chão e me faz flutuar por cima de toda dor que existia antes de você chegar.

 

Que bom que veio.

Tardou mas chegou.

O medo que tive um dia de me perder cessou,

contanto que esteja me perdendo em você. 

E mesmo que perdida, sinto que estou exatamente onde deveria estar. 

 

Te vejo com olhos de criança cheia de esperança.

Careço-me de entrelaçar meus braços em volta de seu pescoço e dizer 

“Que bom que está aqui.” 

Vaguei por vinte anos com grande angústia, a procurar incansavelmente por algo que não pude saber o que era antes de te conhecer.

 

Meus pés doeram,

 E ao invés de lágrimas, os meus olhos jorravam sangue.

 Derramei-me em outros corpos. 

Te trouxe dores que nem eram minhas.

Cicatrizes que a jornada me causou.

Me entreguei a ti já quase sem alma.

E finalmente pude derreter em teus braços. 

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Biografia

Uma sonhadora 

Poemas

2

Insônia

Revirei-me na cama me obrigando a pegar no sono, inutilmente. Então, numa tentativa, quem sabe, mais promissora, coloco-me a escrever isso que me aflige. 

A felicidade me é por pouquíssimo tempo, sinto que tens ido embora tímida, sem a intenção de causar estrago. 

Tristeza, minha amiga. Minha velha amiga.Ponha-me em seu colo e induza-me a pensar. Diga à felicidade que vá procurar outro canto, pois com ela me sinto incapaz de me fazer pensante. 

148

Sabe bem que seguir-me é ato impossível e dolorosamente penoso.
Não me digas depois que ocultei de ti minha obscuridade, e que não tinha 
consciência do risco iminente de amar-me. 
Oh, querido! Rouca me fiz para que escutasse este silêncio cortante que me preenche.
Vomitei sangue em seu tapete persa, para que compreendesse que manter-me aqui, seria 
custoso demais. 
Peço-te que desista dessa ingênua tentativa de arrancar-me desta escuridão, pois é parte mim. E se por acaso ouse tirar-me daqui, verás que deixo de existir! 
Insisto que vá, dê-me a bênção de minha solidão.
Salve-se! Antes que meus braços te enlace e te traga para dentro deste vazio e sejas tarde demais para ir. 
Oh, querido! Ser comigo, te é impossível! Não se mostre tão sensível, pois sou capaz de alimentar-me de seu coração para provar-te e provar para ti, que não sei amar bem.

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