LUIZ GONZAGA DE PAULA

LUIZ GONZAGA DE PAULA

n. 1957 BR BR

n. 1957-06-21, GUARULHOS

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já perdeu

JÁ SE PERDEU

 

Acontecem coisas que eu não sei,

Não pergunte coisas que eu não fiz.

Quantas vezes eu tive o teu olhar,

Esqueci as tantas que não tive.

 

Só paixão me traz aqui sem ti,

Mesmo que a vejo amiúde.

Nos meus sonhos sei que já perdi,

Muito embora nada disso mude!

 

Tantos e quantos beijos lhe roubei,

Tantos e quantos versos lhe escrevi.

Das lembranças tudo eu guardei,

Mas seu nome eu já esqueci!

 

Apaguei momentos da memória,

Fiz de conta que não era eu.

Se já fiz parte da sua historia,

Você para mim já se perdeu.

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Poemas

14

VIAGEM

VIAGEM

 

Vi-te Honduras, Cuba, Porto Príncipe;

Descubra se puder o sentido da vida.

Ser livre e morar numa ilha,

Mar caribenho, martírio, delírio.

 

De portos, portais, raça dos canaviais,

Sol forte do Equador, paralelo trinta,

Onde mais se pode ver o sol a pino,

Onde que não aqui se sabe Porto Rico.

 

O começo das águas vida equatorial,

Aqui nos trópicos abaixo do sol.

Vau e passagem estreito do canal,

Mata espessa e verdejante por sinal.

 

Panamá, Guatemala, Guadalupe, Manágua:

Nicarágua, Haiti, Honolulu, Guianas:

Perto dali vira-se para o estremo,

Povo apressado, poucos simplistas.

 

Atravessar a fronteira do destino,

Ainda não cheguei ao México.

Invadir os Esteites num vôo rasante,

Atravessar radiante rumo ao Canadá.

 

Isso pelo mapa me parece lógico,

Mas na caminhada e quase improvável.

Um saltimbanco, um salteador de estrada,

Pode num segundo atravessar o futuro.

 

Demora o tempo necessário não arrisca muito,

Fica com a glória da sanha da longa jornada.

De barco ou navio, de moto até num aeroplano,

Demarca o caminho e segue seus planos.

 

Por seguir os pássaros migratórios,

Quem sabe aprenda alguma reza,

E pregue nas praças as suas crendices,

Loucas desavenças tamanhas tolices.

 

 

1 021

VITORIA

VITÓRIA

Não cresças tão depressa,

Não tenha pressa de ser gente grande.

Crescer e sair de casa,

Gente grande é tão indefesa!

 

Peça para o tempo esperar,

Não despreze o colo da mamãe,

Espere pelo menos o sol raiar.

Que a aurora da vida é tão linda!

 

Ponha a roupa mais bonita,

Que hoje é dia de festa,

Amanhã tudo isto termina,

Aproveitas enquanto tu podes!

 

Sem relógio da responsabilidade,

Aproveite esse doce de leite,

Calce sua sandália de palha,

Corra descalça pelo quintal.

 

Suba na cancela sem medo,

Escorregue pelo corrimão.

Não precisa ter medo de nada,

Não existe fantasma no porão.

 

 

    TIO  -     LUIZ GONZAGA DE PAULA   116                               16/12/07

1 054

TEMPO DE AMAR

TEMPO DE AMAR

 

No tempo em que o amor impera,

Na vida que havia era,

Esqueça essa primavera,

Espera o tempo que tivera.

Afora os dias corridos,

Contudo ainda acredito,

Foi o que restou de bonito,

Em seu sorriso de fera.

 

Demora nos olhos a chama,

Mim faz a cama macia,

Quem sonha sonhos dispersos,

Sempre esperas outro dia.

Navega em rios de seixos,

Deixa-me o corpo arredio,

Com os nervos a flor da pele,

Mesmo os passos desvio.

Pois para chegar onde estou,

Cortei mais de mil caminhos.

 

Quem tem a boca fechada,

A alma lavada havia.

No veio dessa certeza,

Alguma razão carecia.

Não sabe o preço da fama,

Esquece até quem te ama,

E volta no fim do dia.

P´ra que o destino converte,

E trava forte batalha,

No calor de uma contenda,

Se salva mais que trabalha.

 

 

2 147

SIM E SENÃO

SIM E O SENÃO

 

Quanto tempo passa sem perceber,

A distancia aumenta entre eu e você.

Quantas noites só, mesmo ao seu lado.

Nesse abandono de amores levado,

Pela ilusão que a gente ainda comenta,

O que passa no peito quase não se agüenta.

 

Diz-se na paixão apenas o desejo,

Onde o próprio medo esclarece a ira,

E trama em seus sentidos apenas o degredo,

Tudo já vivido em outras aventuras,

Mistura nossos corpos ainda que devassos,

Ante ao vicio de ilusões transcendentais.

 

Já demorei mais que podia nos caminhos,

Tantas coisas que ficaram para depois.

O que resta de nossas vozes é o cinismo,

Enorme abismo entre o sim e o senão.

Quando chegarem as estrelas matutinas,

Pelas cortinas que nos cobrem a feição.

 

A derradeira conta desse meu rosário,

Ainda trama a fuga dos nossos sentidos,

Aonde quer que eu esconda ou faça abrigo.

Depois dos vendavais que me apavora,

E descortina o tempo vago da espera,

Onde esquece os olhos negros da quimera.

 

 

 

1 208

SEXTO SENTIDO

 

SEXTO SENTIDO

De mim não sei mais da espera,

O que pondera o meu inconsciente.

Deixei o sol banhando a paisagem,

Segui apenas o meu sexto sentido.

 

Em cada ponta de centelha,

Ficou cravado o meu semblante,

O medo de voar sem deixar pista,

Completa a nossa fuga inconseqüente.

 

Sementes dos desejos sentimentos!

Momentos de nós dois a solidão.

Por mais que eu procure as estrelas,

Vou ter fincados os pés no chão.

 

Levanto de manhã ainda aflito,

E desafio o lume da decência.

Assim inconteste a sua fúria,

Resta-me ainda o afago do farol.

 

No colo raso dos deleites,

Inflama a sua terna cobiça.

Atiça a minha voz despudorada,

E deixa em meus beiços seu sabor.

 

Quando desperta vespertino na ribalda,

E nenhum outro ousa acreditas.

Esquece toda magoa e se ascende,

Estende pára quem tende o seu olhar.

 

 

 

 

1 191

SEM ALIVIO

SEM ALÍVIO

A rosa nua é flor sem zelo,

A noite sem lua é negra em pêlo.

Conta-se história de outras vidas,

Como quem sabe da despedida.

 

Diz-me adeus e foi-se embora,

Sempre distante mesmo das horas.

A luz do tempo à cor da aurora,

Como que parte já sem demora!

 

Deixou só rastros espéctros gastos,

No candelabro sabor e gosto,

Onde desvia o próprio medo,

Dentro do peito nenhum segredo.

 

Entardeceu sombra e lua fria,

Banhando as margens da estrada.

Deixando apenas um vazio,

No frio prado, por todo estio.

 

Rasga-se o vento rompe castigo,

Deixe de tudo fique aqui comigo.

Não deve ainda não pode agora,

Esquece o tempo tudo lá fora.

 

Mas me abriga ante o delírio,

Roube meus versos faz poesia,

Deixe meu corpo assim sem alívio,

Mata meu ego no fim do dia.

1 083

SAGA

SAGA

 

O vento sopra seus cabelos,

Seu rosto queima no rubor das faces.

Você queria ter ido embora, mas lhe faltou coragem!

Sigo viagem num cavalo alado,

Desejo que a noite nunca se acabe!

Enquanto houver estradas e avisos,

Não irei desfazer as minhas tralhas.

A lua ilumina a madrugada imensa,

Torna-nos a jornada mais tranqüila.

 

Quando amanhecer devemos estar bem longe,

Se possível já tiver atravessado o rio.

Existem mil estrelas cintilantes,

E os vaga-lumes nos mostram o caminho.

Viver é padecer contente,

Até parece que a vida adivinha.

Se essa noite já não foi o bastante,

Espero que em outra ainda seja minha!

 

Se a caminhada é essa labuta,

Que fica no peito e transparece.

Já dividimos muitos dias claros,

Mas há outros tantos que nem amanhece.

Um grito rouco me rasga a garganta,

E nem parece certo se vamos prosseguir,

O que se espera de nós viajantes,

É apenas a hora de partir!

 

Quem traz a sede de seus lábios,

Já conhece a distância da ilusão.

Por mais estrada que eu percorra,

Não permita Deus que eu morra,

Sem antes beijar a sua mão!

Mesmo que o corpo ceda estropiado,

Esta fé cega nunca desanima.

Contudo e o medo preso nessa cela,

Abra a janela vem me dar um beijo!

 

Desejo o corpo e ante o cansaço,

Caia em meus braços oh linda menina!

Se a trama nos dita o destino,

Não vou ficar sozinho aqui parado.

E quando o sol da manha se abrir,

Contigo espero estar do outro lado.

Senhorita nossa de tão doce encanto,

A quero mais que essa vertigem.

Santa tão pura desfaz meus pecados,

Dê a minha alma a justa redenção.

Pois o que vivi extrapolando tudo,

Só me resta agora ter o seu perdão!

1 139

PORTO SOLIDAO PONTO DE PARTIDA

 

PORTO SOLIDÃO

Porto solidão ponto de passagem,

Começo de viagem para o litoral.

Ave que gorjeia canto do poente,

Pássaros expoentes que voam o céu.

 

Lua luz do mundo, facho radiante,

Que em espectro rasante rasgam o universo.

Escuridão e sombra do outro lado do astro,

Não deixa nem rastros só fogo e clarão.

 

O farol rebusca alimenta a chama,

Que até semeia intensa caloria,

Onde desafia um barco alado,

Seguindo atochado ao fundo oceano.

 

Já segui os seus passos e deixei centelha,

Por mais que eu ultrapasse os rochedos,

Ha. sempre perigo a vista destinos incertos,

Caminhos que nos levam ao desconhecido.

 

Sempre que partia nada mais levava,

Que não fosse a guia nesse vôo de águia,

Nessa correnteza feita de águas quentes,

Que deixa na gente solidão e mágoas.

 

Posso não ser tudo inexato e mudo,

Frente e escudo dessa dor tamanha,

Onde se apanha e se encontra abrigo

Da boca o bocejo cor de flor estranha.

 

 

 

1 248

já perdeu

JÁ SE PERDEU

 

Acontecem coisas que eu não sei,

Não pergunte coisas que eu não fiz.

Quantas vezes eu tive o teu olhar,

Esqueci as tantas que não tive.

 

Só paixão me traz aqui sem ti,

Mesmo que a vejo amiúde.

Nos meus sonhos sei que já perdi,

Muito embora nada disso mude!

 

Tantos e quantos beijos lhe roubei,

Tantos e quantos versos lhe escrevi.

Das lembranças tudo eu guardei,

Mas seu nome eu já esqueci!

 

Apaguei momentos da memória,

Fiz de conta que não era eu.

Se já fiz parte da sua historia,

Você para mim já se perdeu.

1 329

MADRUGADA

MADRUGADA

 

Porta aberta para solidão,

Uma certeza que aqui me traz,

Você levou para sempre a ilusão,

E aqui deixou esta dor tão voraz.

 

Nada restou que eu possa caminhar,

Ficou em mim apenas esse mal viver,

Como um barquinho que se perde no mar,

São a lembranças minhas e de você.

 

Pode seguir o seu caminho vai,

Não vou chora momentos de nos dois.

Mesmo a saudade que de mim não sai,

Será menos forte que o que vem depois.

 

Desarma meu sentido e segue em frente,

E deixa aqui comigo esse desalento.

Foi mesmo pouco o que sobrou da gente,

Aumenta cada vez mais o meu tormento.

 

Nas rugas tão profundas que me resta,

Acerta bem um começo para o fim.

Embora o que restou pouco me presta,

Transgredi tudo que restou em mim.

 

No lume da certeza vejo ainda,

Que nada mais  irá sobreviver,

A madrugada fria vem tão linda,

Agora me atormenta para valer.

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nossa é belo