lunaticoanonim

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n. 1988 -- --

Músico amador, compositor e poeta. Apenas posto poesias e poemas autorais.

n. 1988-01-13, Rio de Janeiro

Perfil
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Pouco

Quero, pouco
Sinto, muito
Feito, louco
Sonho, fluido

Texto, raso
Novo, trato
Vejo, travo
Bebo, apago

Penso, tosco
Quebro, rasgo
Colo, rosto
Acendo, trago

Deixo, calo
Mexo, fraco
Volto, falo
Fico, trapo

Pano, tronxo
Traço, lavro
Ouço, frouxo
Laço, raro

Outro, lado
Cheiro, afago
Auto, baixo
Chego, amparo

Curto, tudo
Longo, prazo
Paro, estudo
Evito, atraso

Tenso, duro
Tenro, cravo
Esperto, burro
Calmo, bravo

Vivo, morto
Sigo, cresço
Todo, torto
Fino, espesso
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Poemas

5

Debaixo do nariz

Como se
emaranhado em entranhas
entre um mar de sangue
tripas, órgãos e ossos
lá no fundo, desacordado
estivesse ele

o sentimento que tanto procuro
e procurei
finalmente, quando desisti
o achei.
281

Letargia

Escrevi,
e numa erupção de raiva
puxei a faca
e encravei na palavra

Mal eu sabia
que a palavra me traía

Olhando o papel rasgado
e aquela sobra esfacelada
sinto, serei julgado
por matar a desalmada

Tanto queria
e faltava harmonia

Mesmo as mais belas cores
ou a lua na sacada
nem o aroma das flores
dava sentido à coitada

Já sem graça e vazia
e que nada trazia

No momento decisivo
da caminhada torta
o poeta cresce vivo
e a palavra nasce morta
277

Janela dos sonhos

Quando o dia incomoda,
e a janela há tanto tempo fechada

Tanto,
que não se sabe o quanto

Trancado por dentro e por fora,
apenas enxerga a fachada

Nem mesmo a brisa que passa,
nem mesmo o canto dos pássaros

Somente a vida,
lentamente, escapa

Até que um feixe de luz surgiu,
coração parou, ar faltou

De um, foi a mil
e a janela dos sonhos, se abriu
288

Brisa

Gentil é a maresia
que afaga a própria companhia
Das fortes tormentas à calmaria
de turbilhões, silêncio em demasia

Ao velejar na imensidão do oceano
se afogar em mil tons de ciano
Sucumbir aos estrondos deste ano
discretamente, sendo mais um Sicrano

As rachaduras que o ar lhe retira
se tornam base daquilo que vira
Em perceber que o mundo em sí, gira
o capitão se desmonta, suspira
281

A beira

Caos amado
Caos odiado

Na linha tênue
Que separa a dualidade
Aquele fio de cabelo
Entre a paz e a guerra

Como é frágil a liberdade
Já que sempre estarás preso à algo

Basta uma palavra,
e a tristeza vira alegria
Uma experiência,
e o cético vê a magia
Um desastre,
e a crença desce à pia

Caos amado
Caos odiado

Combustível de todas as vidas
Ecoa e passeia
Silencioso e embriagado
Trazendo um pouco de tudo
À tudo, um pouco.
285

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Shavila
Shavila

Uau??