Manuel Dias

Manuel Dias

Vagueio

n. 0000-00-00, Aveiro

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SOU UM MERDAS

Eu
sou
um
merdas.

Descanço até a morte me levar,
Parado insulto o que faz movimentar,
Solto um sussurro contra aqueles que gritam,
Petrificado no mundo.

Sou menos que um abandonado,
um foragido, um acabado.
Um merdas fica-me bem,
Um merdas serei.
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Poemas

3

VOA!

Voa e voa
cada vez mais alto.

Sente e cheira
a planície, o planalto.

Vê e encanta–te
com o além da montanha.

Sonha e ri
enquanto der tens de aproveitar.
Pois um dia,
esse sonho,
pode acabar.
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FRACO E PERDIDO

Fraco e perdido,
sussuro daqui,
baixinho...

Sou ninguém.
Ninguém me conhece.
Não conheço ninguém.
Não sei quem sou.
Sei que existo.
Nada mais que isto.
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COMO UM PASSARINHO

Como um passarinho
de asa ferida
procura esvoaçando
o ninho da mãe,
Eu a ti procuro,
aguardo o teu doce dó,
o deleite por si só,
a tua canção, o teu beijo.
Enfim, és tudo o que desejo.
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