Sem querer dizer, adeus!
Confuso, deixo-me quedar no silêncio vespertino,
Ruminando das entranhas,
A soledade do sofrer na ruptura.
Entre quatro paredes, um grito mudo.
Sono roubado, sonhos fugidios.
Noite de tormenta, tempestade!
No adeus prematuro, restos de amor pela casa,
Cartas, fotos amareladas...
Lembranças que não se despedem.
Márcia Costa
SOTURNO!
Pranto incontido...
Lágrimas sobre os versos escritos...
Palavras borradas...
Marcas na poesia e na alma.
Márcia Costa
Além do Horizonte!
Águas plácidas nos separam.
Atravesse a ponte.
Atravesse o rio.
Preciso do teu abraço...
Do beijo que me entorpece os sentidos,
Incitando desejos que me fazem perder o siso.
A distância é castigo!
Em lembranças a saudade encontra guarida.
Atravesse o rio, atravesse a ponte moço bonito!
seja os versos desta poesia,
Preencha a alcova vazia.
Márcia Costa
DURMO COMIGO!
Durmo comigo...
Pensando em contigo ficar.
Reviro-me... Abraço o travesseiro.
Desperto da lembrança teu cheiro
Tua voz é minha canção de ninar.
Sonhos de amor em preto e branco,
Minh' alma busca a luz do teu olhar.
Minha boca beija tua face contente.
Corpo ardente na cama sem par.
Durmo comigo... Tão carente.
Em sonhos adentro pra te amar.
Márcia Costa
E ASSIM TE VI!
... E assim te vi...
Palavras na mão,
No olhar o sorriso.
Entre tantos... O distinto.
N' alma um alvorecer de inspirações.
Em ti, versos cantando a vida,
Cintilantes como pirilampos,
Iluminando-lhe as feições.
... E assim te vi...
Verso andante...
Verbo falante...
Dedicado, zeloso amante da poesia...
Divina - dama fulgurante.
... E assim te vi...
Apenas homem!
Márcia Costa
Paixão
Arroubos de paixão,
Diante do olhar lúbrico repleto de falas,
Que jamais julguei ouvir...
Adentrei no ousado olhar ao sentir a alma em gozo.
Gotas de volúpia tal qual lava ardente,
Escorria pelas trincheiras do meu corpo.
Por beijos a boca ardia.
Caricias fazem-me rendida,
Desde a superfície ao mais fecundo,
Quando entra no meu mundo.
Márcia Costa
PALAVRAS!
Apenas palavras dançando, indecentes e nuas.
Cheias de vida, de uma emoção que é só minha.
Estimulando-me a mente,
Afagando-me o ego com pureza e malícia.
No íntimo uma tolerância permissiva,
Um prazer quase imoral ao grifarem-se em minhas linhas.
Márcia Costa
Rosa Pálida!
Se outrora não despia,
Minhas emoções nas palavras,
Era por que a dor me sufocava.
Estava seca... Era figura inanimada,
Um enfeite qualquer que ninguém olhava,
Estava feia, sem graça... Uma rosa pálida,
Exporta a poeira e ao vento,
Há um tempo sombrio,
Um momento adormecido,
A espera de um olhar, um sorriso...
De um dia bonito, de sol.
Precisava sentir a vida,
Ser amada, desejada.
Precisava dos versos, das palavras.
Ouvir a canção da vida descortinando o breu da minh 'alma.
Márcia Costa
CIO!
O cio é vadio!
Embrenha-se nos orifícios.
Veste o corpo com a pele dos anseios.
É boca que acaricia a nudez.
Teor me embriaga, entorpece os sentidos,
Desperta fetiches, taras...
Faz a fêmea sem pudor, descarada...
Aperta os "picos" com mãos invisíveis,
Faz gemer... Gemidos lascivos!
Rola comigo na cama...
É sussurro imaginário que diz que me ama.
Mas, meu prazer são delírios...
Fantasias que fazem a seiva do sexo escorrer.
Ah, cio vadio!
Excita, açoita-me em meu leito vazio!
Márcia Costa
DESEJO!
Antes fosse inócuo,
O desejo que me permeia,
Teu olhar ávido não abalaria minha sanidade.
Perder-me em você é o melhor caminho?
Quem dera lesse versos no teu corpo,
Seria como enxergar o alvorecer,
Enquanto o amor desabrocha na vastidão do peito.
Márcia Costa