marcioulisses

marcioulisses

n. 1979 BR BR

Amante da Literatura, Poeta, Biólogo, Mestre em Biologia Vegetal.

n. 1979-05-04, Carpina, PE

Perfil
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MEUS CACHOS - para Paulo Ulisses

Era um menino que tinha pai e mãe

Avó, tios, padrinho e madrinha, um cachorro

Que pedia pra colocar Maria Bethânia

Jorge Bem Jor e La belle de jour

 

Que morava numa terra quente

Num lar alegre embora enganado por mentira

No seu mundo, em seus cachos, sorriso todo o tempo

Só gostava de brinquedos feitos por ele mesmo

 

Mas a mentira o levou pra terra dos rodeios

E a justiça cega, lenta, mau caráter, permitiu

É provável que essa história acabe aqui

Mesmo sem vê-lo, o sinto, ouço-o gargalhar

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Poemas

29

QUANDO DA INVASÃO DA HOLANDA [para Fernando Tiné]

Em 2024 aportou nas terras baixas um biólogo brasileiro 
Humanista, pai, versado em prosa e um exército 
Uma armada de um milhão de amigos

Um Garibaldi brasileiro disposto à guerra 
Mas só consegue levar a alegria 
Amor ao semelhante dissemelhante
 A risada na cara

Tantos amigos, família, o amam
Que a saudade corrói-lhe o peito 
De alguns é dolorido até lembrar:
O safado do Tiné! É a menção que consigo fazer 
Dessa nossa mãe

Meu grande amigo. 
Domine os Batavos
Tome as terras Mauricias 
Aguente firme, meu véi! 
Seu batalhão tá aqui...

135

A IA, YAYÁ E A MEMÓRIA DO DNA

Em estalo de iluminação
apontei José de Lima no Google
De súbito encontrei alguém
Tão importante que criou uma ponte mágica

Um herói da vida, do bom viver
Da simpatia, Orfeu da bondade
Alegria intrínseca de família
Era como se Açores, Pernambuco e o Rio
Formassem o maior continente do mundo

Faltava essa pessoa na vida de todos nós
aquela gargalhada da gente, nosso melhor gene
A gratidão dele por mim
E ainda maior de mim por ele
Sua gentileza em receber-nos, guiarmo-nos pelo Rio de Janeiro

Unir duas pontas de um terço
Que ainda desvendando-se já tem mais de quinhentos anos
Sem Wilson, não haveria essa ligação direta
Entre o Google e mim
De Izabel Pires a Manoel Cabral, de Açores
Passando por Antonio Marcelino de Lima Meirelles, de Açores
José Marcelino de Lima, Em Timbaúba

As duas contas que se uniram pela rede
Marcio Ulisses de Lima Rufino
E Wilson de Souza Lima
Meu primo? meu tio? meu irmão? todos!
Mas principalmente, a quem a graça de Deus
Pela IA ou Yayá, ou Ciabas, ou mar
Trouxe para nossas vidas com toda sua luz


 

135

RUA DO BONFIM

Quando me olhares do Bonfim
Ficarei mais gelado que cerveja
Esquecerei, esquecerás
De quem beijas
Incomodar-nos-emos como pedra no rim

Então lembraremos de quando no meu leito
Nas noites de carnaval
Depois de decifrares as ladeiras, curvas, becos
E vielas do meu peito

154

SOU

Sou cético e esperançoso
Exigente, despretensioso
Solitário e feliz
Experiente aprendiz

Paciente e ansioso
Leitor de história
A prever que tudo
No mundo, já vi ou fiz

105

VAMPIRO

Sofri na carne
Em minhas músicas
Meus livros, meus ídolos
As maravilhas e desgraças dos 60 e 70

Criei-me nos 80 e 90
Depois de ler Jorge e Gabriel
E decorar mais de mil canções
E abrir o ouvido

Hoje sou um vampiro 
Tenho na cabeça
Mais de cinco mil anos

104

CASEIRO

Noite é pra pensar
Na felicidade que vem e vai
Vai em quilos, vem em gramas
Cada grama, bom de lembrar

Do amor rudeiral
Como o mato do Sertão
Nasce e cresce verde
Morre cinza
E deixa sementes

Sua alma vai para o céu
Cheio de estrelas de lá

 

107

A DEUSA DO ELEVADOR

Que sentidos usar?
A boca, as mãos, os pelos,
nuca, lábios, cílios,
Folhas, flores, abraços,

Cores, dores, êxtase,
Sintaxe, pé no pé?
Movimentar-se a maré
Parar as ondas, derrubar as pontes,

Paralisar o olhar
Olhar e virar o rosto
Qual será o gosto do teu cheiro?

Paladar, ouvir, gritar, cantar,
Escrever depois apagar
E tentar de encontrar 
no elevador.
 

98

UNIVERSO TEMPO

O tempo é rápido como a luz
Profundo como o pensamento
Eterno como Deus e o amor
De mãe e filho e pai

Se propaga como sementes anemocóricas
Aladas como anjos

É fogo, razão, exatidão
Demora, solidão, euforia
O tempo é o vale por onde o universo se expande.

104

RENEGAR

Acordo sem sonhar
Trabalho sem perceber 
Penso pra não lembrar 
Recordo do amanhecer

Revolto ao entardecer 
Passo as noites sem luar
Canto a enternecer
Torço em não encontrar

Tremo em não ver chegar 
Esqueço sem entender 
Durmo em não acordar 
Levanto sem remexer

Sonho em saber sofrer
Desejo, o de não pensar
Querendo o que merecer
Ignorando sua luz do olhar

147

AMAR CALMAMENTE

Quero viver contigo simples
Do desejo do teu olhar alegre
Do teu tom de pele, o meu
Crescer, vencer em tua história

Respirar teus ares
Arrancar-te olhares
Assistir ao teu caminhar
E no teu trajeto estar

Nos teus caracóis 
Nos dentes, tantos, brancos
Na íris cor mel de engenho
Entre os tantos e a sós

Ver tua evolução de mulher 
Guerreira estudante de leis
Refinada forma de tratar
Me inspirando a trabalhar

Aspirar um dia sentir
Teu cheiro de flor
E tua forma esculpir
Te proteger, te dar calor


 

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