Sereno
O sereno se consumiu
Em suas margens fez brotam árvores poéticas
Impregnando cheiro de poesia no ar
Que acorda, desperta e aguça, em nós, o poeta.
E o sabor da poesia
É saudável
Palatável
Colorido
Incomparável.
Sem verdades todo poema é triste,
O passar dos dias condena,
Nenhum poeta consciente resiste
Não é ator pra representar na cena.
Por isso a verdade foi decretada
Ninguém pode ficar indiferente,
Um só bloco de pessoas animadas
Contagiando toda a gente.
Pipocas, sorvetes, chocolates,
Pincéis na tinta formando aquarelas,
Poemas coloridos em verdadeiras artes
Belezas reais em todas as janelas.
Crianças transbordando pureza
Um só sorriso, uma só cidade,
Cenários humanos de profunda beleza
Verdadeiros poemas de solidariedade.
Não sabe de amor, exceto sevocê já...
Ficou acordado a noite todaesperando um filho voltar da festa...
Adiou ou desistiu de umprojeto pessoal para dar atenção aos seus pais, tios ou irmãos...
Sentiu a angústia intrínsecaao ouvir as histórias de um idoso, e ainda assim aprendeu com elas...
Chorou com o abandono e atristeza de uma criança que nem conhecia e deixou de almoçar para alimentá-la...
Convenceu a família a deixarum cão de rua na sua casa por uns tempos... Tempo infinito.
Foi a um show sem a menorvontade apenas para ser parceiro...
Admitiu meio encabulado quese emocionou com o carinho de um amigo num dia em que estava de mal com omundo...
Duvidou de Deus, mas nuncadeixou de acreditar Nele e temê-lo...
Apanhou uma rosa de e acabounão entregando a quem pretendia...
Escreveu e reescreveu mais dedez vezes um poema que nunca mostrou...
Ouviu músicas românticas paraprovar e provocar lembranças...
Sentiu saudade...
Sentiu saudades...
E sentiu mais saudades aindade tudo o que viveu, pois viver é construir a própria história, orgulhar-sedela e relembrar sorrindo quando as recordações povoam a mente.
Não sabe de amor...
Exceto se destinou algumtempo para vivê-lo.
Não vou arrancar minha roupa para ser devorado pela ganânciamercantilista e cinzenta da cidade.
Nem tão pouco adormecerei bêbado em algum viaduto abandonado.
Também não vestirei peças novas engomadas e com etiquetasconsagradas.
Assumo meu “look” de camisetas detonadas.
Espero à porta do banheiro.
Não tenho pressa.
Entro só com o creme dental.
Não vou fazer a barba.
Não me importo em ser deselegante.
Se na fila tiver idosos saio dela para ser gentil, nãoprecisam saber o motivo.
É nisso que está Deus, não nas ostentações das imponentes Catedraise nos vestidos de alto padrão que ali entram.
'Bem-aventurados os humildes de coração, pois delesserá o Reino dos Céus'.
A gratidão não se veste de vaidades.
Alimento-me da mais pura simplicidade, não me ajusto comtantos talheres.
Um sanduíche...
Por favor!
A arte poética é sempre um desejo, um sonho, uma busca.
Quando vira fato já deixou de ser poesia.
- Olá doutor. Como vai?
- E aí grande Zé das Moças?
- Onde tens andado Doutor?
- Estou na capital.
- É mesmo? Fazendo o quê?
- Sou lobista.
- Bah Doutor. Eu nem sabia deste teu lado destemido.
- Imagina. Nada disso Zé.
- Mas só tem bicho grande nisso aí doutor.
- Isso é mesmo. Só tem feras.
- E como faz para alimentar todos? Custa caro não é doutor?
- Ah sim, não é barato. Mas sempre se dá um jeitinho. Temmuitas obras e outras oportunidades nestes pais.
- Isso é mesmo...
- Até mais Zé.
- Uma boa tarde Doutor.
Enquanto o finório se afasta Zé pensa: pelo jeito estenegócio de lobos dá bem mesmo. Tá por cima da carne seca o doutor.
Carrão importado.
Beca impecável... Bela loba.
- Bem cuidado aí doutor!
Com o passar do tempo
acabamos nos afastando de váriosamigos.
Saem suave como a leveza do vento
e alguns nunca mais voltam.
Com eles vai o futebol dosfins de semana,
histórias de amoresfantasiosos,
na mesa de muitas falas ebebedeiras.
Mais tarde as lembranças
Provocam saudades enormes.
Alguns nunca mais veremos;
Outros, um alô e nada mais.
Também há os que ficam porperto
Fieis e leais, outros quemesmo longe estão pertos
destes, permita Deus,
não quero me afastar... Jamais.
A preciosidade é sempre interna
Não depende de externos fatores
Não é pela cor da pele que se
definem-se os louvores.
Na sombra dos escurecidos cílios
pálpebras se abrem reticentes,
o mundo se deslumbra em brilhos
iluminando os olhares carentes.
Na sombra das folhas verdes
formigas marcham exuberantes
despontam raízes na profundeza do mundo
buscando a água da vida,
que corre nas folhas divididas
da vida que alimenta outra vida.
Na sombra dos versos iludidos
repousa o poeta que sonhou
sente seu tempo perdido
marcado pela vida que murchou.
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