Moacir Luís Araldi

Moacir Luís Araldi

n. 1963 -- --

Me encontre também em: www.recantodasletras.com.br/autor/ moacir luís araldi www.pensador.com.br www.kdfrases.com

n. 1963-09-18, Carazinho RS

Perfil
192 996 Visualizações

Sereno

E para formar o rio
O sereno se consumiu
Em suas margens fez brotam árvores poéticas
Impregnando cheiro de poesia no ar
Que acorda, desperta e aguça, em nós, o poeta.

E o sabor da poesia
É saudável
Palatável
Colorido
Incomparável.
Ler poema completo
Biografia
Moacir Luís Araldi é gaúcho, residente em Passo Fundo- RS. Tem participações em várias antologias poéticas nacionais.
Autor do livro Cabernet - 2013, Interlúdios - 2014, Horizontes -2019 e Charnecas floridas - 2021. Premiado no concurso Literário Cidade de Passo Fundo em 2017 e 2019 na categoria poesia. Publica em vários sites literários nacionais.
Membro correspondente da ACL- Academia Carazinhense de Letras.
Membro fundador da Academia de literatura música e artes (ALMA)

Poemas

398

A vida

A vida é um jogo que gira
Ou você entende e joga,
Ou então pira.

376

Silente

Faça silêncio no teu olhar,
Teus olhos gritados já me disseram tanto...
Emudeça o eficiente penetrar
Teu olhar falante me leva ao desencanto.

Olhar fixo e destemido
De cumplicidade assumida
Finalmente num visual resumido
Brilhou um olhar para a vida.

Meus olhos mergulham na verdade
Que pode não ser a mesma tua.
Ardem de cegueira e saudade
Em cada passo que dou nesta rua.
383

Nuvem nua

Não serei o mar.
Apenas a imagem solitária,
Do romântico triste a olhar.
Contudo adeus amada,
Estarei por perto
Vagando pelas madrugadas.

Não serei a lua
Apenas a imagem da saída.
Coberta pela nuvem nua.
Contudo, adeus meu amor.

Não serei o vento.
Apenas a música de despedida.
Assobiada na partida.

Não serei o sol,
Apenas a sombra que parte agora.
Não chore. A história acaba aqui.
Deixo-te e vou-me embora.
Vês. Também choro.

Não serei o caminho.
Apenas uma estrada de chão.
Que balança, machuca
E quebra o coração.

Estarei sempre por perto.
Mantenha teu sonho,
A areia continua no deserto.

Do trem partindo verei uma vez mais o jardim.
Ele continuará jardim
Será só teu. Nada mais terá de mim.

À noite te verei em cada estrela.
Rezarei no quarto solitário e triste.
Distante só estará,
O amor que não mais existe.


445

Sopro no rosto

E às vezes quero ficar quietinho, no meu canto sem ser visto.
Quero ficar no meu casulo, na escuridão da vida.
Prefiro não ler o último verso,
Que talvez fale de partidas.
Mas o vento...
Impiedoso,
Balança meus cabelos,
Faz-me acordar.
Sopra meu rosto.
Resseca minha pele
E me avisa
Que é preciso seguir.
Sim, existe vida ainda que com sombras.
Levanta!
Segue teus passos
Bata o pó da tua alma,
Espana as traças do teu íntimo.
Lágrimas? Quem não as tem.
O sol, hoje está do outro lado,
Mesmo que eu não o veja ele pode brilhar.
Pode sim.
Ele brilhará...

373

Maçã podre

Planto na sombra dos corpos grudados
O cálice amargo do licor condensado.
A magia transformada em vultos derramados
Vozes se transformam em gemidos sussurrados.

Quem sente mais forte não entende
A fraqueza pragueja nos arredores.
Estica-te na suavidade que me rende
Prece vazia de filme de horrores.

Aquele que feliz sorri na vida
Que toca o pandeiro da alma contente
Tem minha inveja assumida,
Ah, não quero ver nem mostrar os dentes.

Junto no chão a maçã mais podre.
Escuto ao longe fortes gargalhadas.
Sento a beira da margem salobra
Sem força e sem rumo pra pegar a estrada.
359

Voz

Voz que conquista em orações.
Que faz a pele arrepiar.
Que mobiliza multidões.
Que inflama na hora de protestar.

Voz que enaltece e condena
Que também fala o que não quer.
Que identifica em cena
O homem e a mulher

Voz que aproxima pessoas,
Que de amor faz declarações.
Que canta melodias boas,
Pra espantar solidões.

Voz que unifica o mundo
Na ternura da canção.
Que toca a alma bem no fundo.
Que provoca uma lágrima de gratidão.

Voz que ovaciona o ídolo.
Que agradece os favores.
Que diz coisas sem sentidos.
Que reconquista os amores.

Voz que faz o rádio viver
Que enaltece a fé,
Voz que saúda ao receber,
Que ao partir dá um breve até.

Voz silente na tristeza,
Que na rua se pode ouvir,
Que quer um pão para a mesa.
De quem se humilha pra pedir.

Voz que fertiliza pensamentos.
Meiga, doce ou agressiva,
Que expressa desenhada nos ventos
Ideias diretas ou subjetivas.

Voz baixa e romântica,
Aveluda ou sensual.
Voz que na intimidade encanta
Voz única tocante sem igual.

Voz humana que imita
Voz rouca ou disfônica
Insana que chama e que grita.
Na rotina narrada em crônicas.

Voz grave ou aguda,
Voz gritada ou sutil
Voz que na memória gruda,
Amadas vozes do nosso Brasil.
355

A noite

A noite tem seus encantos,
Suas magias.
Seus romances.
Suas poesias.

A noite tem prantos,
Bijuterias.
Tem desencantos.
Tem agonias.

A noite é sedutora.
Acolhedora.
Reveladora.
À noite...
É sonhadora.
402

Arranjos de algodão

Hoje quero um buquê de estrelas,
Com arranjos de algodão,
Com duas luas gigantes
E fiapos de vida em cordão.

Quero meu sonho entregar.
Falar apenas palavras breves,
Acordando sonolento escutar
A voz do amor meiga suave e leve.

Quero a luz penumbra da lua.
A brisa noturna motivadora.
Refletir a linda imagem tua,
Linda, leve e sedutora.

Minha alma na tua se espelha
Sempre meiga e formosa.
Mesmo que sejam vermelhas
Pétalas sempre serão de rosas.
346

Flambar

O vento embala e a hora se aproxima.
Cresce na fronte a pulsação.
Minha emoção entra no clima
O ponteiro do sim sufoca o não.

Ainda busco o verso perfeito.
Que expresse, no momento o que sinto.
Que tire a angustia do peito
E desvende da alma o labirinto.

Flambe teu beijo apaixonado
Deixa a chama de amor aquecer.
Quero gosto etílico na boca entranhado,
Dos lábios bons não dá pra se esquecer.

Entre, como sempre, sorridente.
Esbanje a sensualidade só tua.
Meus braços são como rosas ascendentes
Cipós que te entrelaçam e te deixam nua.
399

Framboesa

Quando me perguntam quem sou eu.
Eu não respondo.
Não sei quem sou.
Sou apenas pedaço.
Que foi salvo pela sorte.
Ou quem sabe serei vida
Amparado pela morte.
Posso ser teu azar
Ou tua sorte.
Faça-me ser o que sou.
Serei o que queres que eu seja.
Posso ser amargura
Ou o doce da framboesa.
Posso correr pelo mundo
Com as rédeas do destino.
Posso ser homem formado e cruel
Ou um frágil e sensível menino.

373

Comentários (0)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.

Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.