Sereno
O sereno se consumiu
Em suas margens fez brotam árvores poéticas
Impregnando cheiro de poesia no ar
Que acorda, desperta e aguça, em nós, o poeta.
E o sabor da poesia
É saudável
Palatável
Colorido
Incomparável.
Suave música ao fundo
Só a quietude destoa
Baixas vozes melódicas
Aguçam estranhas manias
De empurrar o mundo.
Vento cantando
Sopra feito solidão
Voz única e violão
O mundo se move
Nesta canção.
Canto teus encantos
Repetindo o intérprete
Canto-te em mim
Na minha voz falsete.
Foi-se a meia noite,
A vida, a esta hora,
É o próprio silêncio
Que a gente cala.
Tão doce seria sonhar
Sem os temporais da vida,
Cicatrizes são marcas
Causadas pelas feridas.
Posso espalhar poesias pelo mundo
Viajar por onde for,
Mas levo comigo meu mundinho
- Lembrando com grande amor-
Meu Pinheiro Marcado
No interior de Carazinho.
Desculpem minha falta de memória
Repito os velhos versos
Como a canção antiga
Que cantei na infância.
Desculpem minhas frágeis lembranças,
Vividas desde dos tempos de crianças
Que não querem se apagar.
Desculpem - me
Nem vi a vida passar.
Na velha casa de madeira
O quarto ao lado do meu
Um mostro escolheu para morar.
À noite, destemido, ele subia no foro
E fazia a madeira estalar.
A lua espiava os meus medos pelas frestas
- Que vergonha!
Ao longe, uivava algum bicho noturno,
Desconfio que em meio as palhas do colchão
Morava outro, mais barulhento, mais enfadonho.
Hoje a casa é adulta
Do menino já nem sei,
Mas os medos?
Deles nunca me livrarei.
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