Sereno
O sereno se consumiu
Em suas margens fez brotam árvores poéticas
Impregnando cheiro de poesia no ar
Que acorda, desperta e aguça, em nós, o poeta.
E o sabor da poesia
É saudável
Palatável
Colorido
Incomparável.
Piso num solo endurecido
Torrões resistentes
Barro ressequindo.
O sol escalda-me
Suor escorre
Nem uma nuvem
Rebelde acima.
Nenhum girassol
Um colorido qualquer
Para florir um sonho.
Há uma impiedade que assola
Que não aceita emoção,
Que seca; meu Deus!
E eu não sei ligar a razão.
Ouviu-se uma explosão
Deveras forte
Ventos soprando intensos
Vindos do lado norte.
A notícia se espalhou
Logo se viu
Um verso não suportou
E, desolado, explodiu.
Enlutando a poesia
Num lamentar sem fim
Ainda bem que o poeta
Não desiste fácil assim.
Longe de plateias,
Isolado de tudo
Na solidão do quarto
é preciso suportar o mundo.
Tem vezes que encaixamos acomodações onde nem cabem,
Para determos soluços doloridos apertados no peito.
Miramos lados inúteis onde sombras descem
E ao incolor damos na metáfora enormes coloridos.
Nesses momentos em que nada distrai as lembranças
E que até o pisar suave faz barulho na saudade
É imprescindível e salutar toda coerência
Disfarçada no sorriso que estampa falsa felicidade.
Impossível conceituar
Não tem caracterização correta
Perde-se tempo
Não se define poeta.
Eu tive medo,
Preferi calar.
Poderia ser a última vida.
Senti-me só.
Ancorei-me lentamente
Para ser coberto pelo pó.
O futuro?
Um elo frágil
Um sopro
Uma interrogação
Um nó.
Meu primeiro verso sonha com a liberdade
O segundo dela sente saudade.
Meu primeiro verso é lápis que tudo escreve
O segundo e borracha, mas pega leve.
Meu primeiro verso eterno conservador
O segundo um declarado abrasador.
Meu primeiro verso é chuva fria
O segundo desenha o sol em poesia.
Meu primeiro verso é carrancudo
O segundo acaricia o mundo.
Sempre um verso é meu primeiro
Nunca outro verso é meu segundo.
Chegou de madrugada,
Leve.
Um vulto que não se ouvia.
Era tarde,
Mesmo na escuridão,
Sorria.
Ah! Passos que temia
Que ao se imaginar
Sentia.
Piscou no novo dia
Tudo ilusório...
Partia.
Escolho palavras duras,
Granitos
Valiosos
Diamantes vermelhos.
As mais certas
Não evito
Glórias falsas
Não brilham.
O tempo é o menino que toca a campainha da vida
E corre...
É a água que escorre, passa por nós,
E vai...
É vento devastador saindo do mar e
Se aproximando...
É roupa que encolheu,
Não serve mais.
É sorriso substituído por certezas
Angustiantes inimagináveis antes.
Implacável, revela imperfeições,
Que a beleza jovem escondia.
Suplanta sonhos,
Mata sorrisos
Desperta monstros.
Ainda assim te recompensa,
Te encanta,
Te conquista.
(Moacir Luís Araldi)
Enviado para oficina de poesia
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