Fim do dia
O sol se pôs, neste dia interminável, de ruas infindáveis e pessoas apressadas... Escureceu. Estrelas, lua e a calmaria... Me verei no sono cansado após mais um dia superado. (Do livro Abstratos poéticos)
Rédeas
Seguro as rédeas da vida na penumbra natural do anoitecer. Amanheci faz tanto tempo…! Léguas percorridas marcaram o caminho. inúteis mares navegados, agora percebo: - Nem toda onda é mar. (Do livro Abstratos poéticos)
Eternidades
Quase toda noite é escura, mas há exceções. nenhuma certeza é absoluta, há variantes na imaginação. Nem todo breu é sem brilho, são diferentes as visões. Quase todas as sentenças são definitivas, mas há exceções: Nada prende a inspiração e, se há liberdade, não existem, nem mesmo, prisões. Almas não ficam sozinhas. Existe a leveza do voo e, se não bastasse, são tantas as eternidades! (Do livro Abstratos poéticos)
Plurais
O tempo nublou e a chuva virá ao anoitecer. Falta humanidade e botes Salva-vidas. Discursos plurais, razões singulares. Pobre gente! Em mãos que metem a mão o poder apodrece. E o mal floresce. (Do livro Abstratos poéticos)
Lua
A lua se deita na minha cama feita e some, antes que amanheça. Procuro-a na pureza dos bosques, em réstias de luzes e em folhas e selvas. Avisto alguns bichos, beirando as águas correntes, em sonhos que a mata esconde. Fixo o olhar sobre o rio e a vejo ao fundo toda nua, toda lua. (Do livro Abstratos poéticos)
E partem
A senhora consciência noturna se torna longa no horizonte reflexivo. Monossílabos sussurrados de outra boca, instintivamente, convence as estrelas A noite segue fria, lenta e muda. (Do livro Abstratos poéticos)
Sentença
Sentenciei a noite, apaguei as estrelas, escureci a lua e proibi lembranças. O mundo virou trevas. Dizer é mais forte, sentir é menos, muito menos. Dizer enfurece alheios, desperta dormidos e azeda. Sentir é solitário. Silêncio não dá eco e assim, calado, quase dormente, meu eu me invade, docemente adormeço - Há tanta suavidade em não ser! (Do livro Abstratos poéticos)
Pranto oculto
Por suas estrelas, a noite é linda, e a escuridão que não se vê é pranto oculto, latejante, vulto que dói profundo. Escala o mundo … em vão. É a estrela mais distante, entalada na memória e no semblante. É como verso acabado de amor sem amantes. E a que brilha é como a velha música em notas da trilha, algo grande que antes havia e não há mais. Por todas elas a noite… Às vezes escura, às vezes bela. É como a vida: - Eterna espera. (Do livro Abstratos poéticos)
Temporal
O horizonte escureceu, o vento rapidamente se levantou, o sol partiu fugitivo. A abelha abandou a flor. Quase em desespero, o pássaro iniciou um voo longínquo. E o vento parece começar a despir tudo. O tempo… O temporal tem força e nunca é igual. Tão bruto, descomunal, arranca placas, espalha latas, arremessa papéis. Galopa medos, anseios, olhos cheios. E, quando passa, ainda fica para trás. (Do livro Abstratos poéticos)
Sobre mim
Pingos de chuva, guarda-chuvas. Réstias de sol, guarda-sóis. Rosas dos ventos, pétalas se abrindo de um girassol. (Do livro Abstratos poéticos)