I-XLVII Jaezes de vida e morte
O vi e é verdade, como vulto sob arbustos,
cochichava sobre promessas de um futuro longe de influências.
Poderia eu ter o parado ali, mas era mau por si só,
e acreditei que ali mesmo se acabaria.
Ainda estava encantado pelas palavras dos criados,
desejando que, ao menos, meia duzia dita se realizasse.
Quando, sob controle do gim, estou a caminho de casa, os ouço aproximando.
Perguntam se meus temores são consequências dos rancores e,
o tempo dado-me para explicar que não os possuo,
prefiro fingir-me de mudo.
Não diga que é por acaso,
conheço o bem por minha tendência
de fazer da verdade sempre miserável.
Pois é tu que levado foi pelos amigos,
e não estou arrependido. Estou a caminho de casa
e já sinto o que fizeste comigo.
I-XLVI Jaezes de vida e morte
Estou nervoso pela fome,
e pelas decisões sobre mim.
Não há conto curto que me faça
sorrir pela distância de onde vim.
O que de pior aconteceria a quem,
pelo tempo, é tratado como segundo?
Atado e feriado, ouço meus pais dizendo que
que demais me apeguei a este mundo.
Há tanto a ser escrito, mas a pensar me limito.
Quero dar vida às besteiras, e atar-me na tristeza.
E se puxas me sabendo que não me arrancaria,
seria o primeiro que faria.
I-XLV Jaezes de vida e morte
Quando acabar o prazer, e seu sonho frustrado voltar,
pegue o que tens e dê-me um tempo.
Sei que agirá como se superou,
quando há minutos chorou por tolices menores que o marcou.
Quanto aos meus, não os perdi,
os escrevi para quando eu precise rir.
Mas o cansaço que os feriados me traz,
faz-me dormir antes de me lembrar.
E acordo suando, sob o mal desta cidade que,
há anos, vi-me aqui sonhando.
Não me digo arrependido,
os fantasmas daqui têm me distraído.
E tenho meu tempo gastado assentando esta casa,
um tanto irritado por não haver quem mais faça.
Estou crente que terminarei a noite ansioso,
e desfruto do dia com mau gosto.
I-XLIV Jaezes de vida e morte
Nascido e domesticado,
enquanto o céu é superestimado,
tenho sido ludibriado.
Sinto que me vê como não vejo você.
E tudo que eu pensei saber,
o que penso apender,
faz-me temer teu perecer.
O futuro abre-se como refúgio do presente.
Mas, Deus, estou apaixonado pelas vítimas
de anos precedentes.
E sei que pensam ver como os veria.
Sei que falharam por não serem quem deveriam.
Mas, como um tolo humano,
vi-me aqueus assombrando.
Ameaçaram cortar-me a garganta,
e riram juntos quando jantando.
Como voz apaixonada,
fingindo um inferno que vem do nada,
foi o que pude fazer por Acates,
que, ao menos, Protesilau mataste.
I-XLIII Jaezes de vida e morte
Não há data que eu suporte
o Sol sobre esta cidade.
Orei para pisar nesta terra e, agora,
queimo como se meus pecados
adiantassem-me ao inferno.
Já não estou perdido suficiente?
Rodeado por almas fascinadas por lugares que não estou.
Vejo o dia que levarão meu corpo ao espaço.
Nem sequer sou livre
e ameaçam prender-me fora da realidade.
Sou âncora de qualquer coisa que os tirem daqui.
E não ligo, eu não vivo,
sou comida para almas cansadas do paraíso.
I-XLII Jaezes de vida e morte
Tarde, mas antes da noite,
invocaram-me, tanto repetiram,
dezenas suficientes para sentir-me contigo.
Acreditei vagar, mas tratam-me como vivendo aqui.
Dizem sentir como eu, mas não os vejo como vivi:
Sobre pegadas de Flammarion,
martelando um sólido céu que nos separa do passado,
por amor e por coisas que jurei nunca dar ao acaso.
E por rancor dos jeitosos rostos que, outros,
fizeram-me deixar de ver,
espero Artur compensar-me,
com tal rígida espada,
os frouxos homens desta távola
que nada me puderam fazer.