I-LXV Jaezes de vida e morte
Tempo indomesticável sob céus superestimados,
que diz me ver sem que eu queira saber,
no que me esforço humilha-me por ter que crer.
Crente na igreja que se fecha por não ter o que presta,
vejo por vocês quando não há o que resta,
sob um futuro que nos leva sem trégua.
Apressados, disseram-me ir construir seus lares,
a noite está perfeita, mas temem presságios de maus olhares.
Os disse ser eu o último visto por Deus,
e que nenhum traço de desagrado ouvi sobre o que os envolveu.
Mas crianças são sempre espantadas temendo dias que se acabam,
me pergunto ser esta a razão dos cruéis castigos que as matam.
Partilharia minha mente com quem queira,
se, dado a mim, fosse um corpo que me deleita.
Não sei o que fazer, mas é instintivo querer,
é sofrer por tentar ser, e perder por simplesmente viver.
Fascinado, perco-me na época das poucas coisas que me agradam.
I-LXIV Jaezes de vida e morte
Paixão infame que em círculo corre para me deixar,
procuro tal grego que venha a me presentear.
O levaria para sempre, temendo o amanhã que chega,
fazendo de mim a descoberta de quem salvação anseia.
Em um mundo que se expande e nunca cresce,
meus sonhos morrem e prevalecem.
São como as almas sem rancor, que nos
ensinam perder e viver por amor.
Assim sinto-me no fundo do discreto,
pensando em quem padece sob juízos incertos:
Se os anjos se extinguem quando a mente definha,
e se é azar a âncora à vida sofrida.
I-LXIII Jaezes de vida e morte
Se coragem teve, aposto esta alma sobre
o que contou aos teus pais: vida e vida.
Acredito, então, que ouviste o que ouvi,
que sucumbiste pelo que me leva aqui.
Descreva-me, Pai, a sensação de quem
guarda os mesmos segredos que eu,
e de quem emerge, tão lento, que
o derrotismo perde seu eixo, e se encontra,
neste dia, livre de falsos conceitos.
Queres levar-me a estorvar as rodovias novamente.
É mais uma da mesma oportunidade de vida que,
todas as vezes que digo não, soo em vão.
Me irrito por pressupor o que anseio fazer,
me ira acreditar me conhecer.
I-LXII Jaezes de vida e morte
Corro à frente, para que me sobre tempo para me explicar:
Temo ser vista como uma mulher apaixonada,
frustrada por um fantasma ser trocada.
Temo ser vista como tola e desajeitada,
que, sob as águas, carregava mais do que sustentava.
O dinheiro limita nossos destinos,
os sinais duplicam toda vez que nos repudiam.
Tenho alucinado, mas ainda as coisas separo.
Não é difícil quando sobreviver é a loucura que nos agarra,
nos puxa, nos afunda, nos fragmenta e nos alastra.
Se vejo as estrelas, se presencio o por do sol,
sempre há algo em qualquer lugar que nos faz parar.
É loucura pensar em nos encontrar.
Talvez com dias como agosto em anos embolísticos,
filha de Fanuel e Abraão, teria minha idade escrita
ao acaso por fingir-me morta sobre o chão.
Gozaria dias por dia, noites em uma revelação,
encargos por vida, e paixões por um homem sem coração.