Neto Ribeiro

Neto Ribeiro

n. 1996 -- --

As criações devem surgir de dentro. Esse é o meu papel e a minha virtude.

n. 1996-07-19, Floriano

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Não será o nosso fim!

Pareceu ser mais uma noite de outono
Eu não esperava que a novidade fosse chegar
Você me disse que o seu limite havia chegado
E que agora eu tinha que continuar a passos só
 
Um pano branco cobriu os meus olhos
A mente, desligou. Os membros? Travaram.
Quando os meus olhos reluziram a realidade, tudo desabou.
Uma enxurrada de lembranças me afogou.
 
Eu não aceitei.
Onde estava o culpado por minha desgraça?
Os planos foram se desfazendo como uma agenda lotada ateada as chamas.
Eu gritei e a mim acabei culpando.
 
Quando as lágrimas pareceram secar você me apareceu.
Eu não percebi que o seu coração sofria tanto assim.
Eu berrei por um abraço, mas você me disse que era preciso ser assim.
Inconformado, eu disse que  a sua nova realidade não devia começar sem mim.
 
Como falsos na realidade nós nos camuflamos.
A fraqueza estava escancarada, as feridas expostas.
Fingir sermos de ferro foi o nosso refúgio.
Mas no final a alma sentiu.
 
Você me via a sorrir, mas foi à noite que me viu chorar.
Refugiando-se de você no escuro do crepúsculo eu desabei.
As lágrimas da solidão você não presenciou.
Pois esse fardo a você eu não entreguei.
 
Você não me deixou, não desapareceu.
O amor continuou o mesmo e a saudade só aumentou.
O corpo e a alma imploraram por um momento de descanso.
E juntos eles pisotearam os nossos corações.
 
Eu senti aquela dor me abater.
Eu senti o meu coração gritar e a minha mente guerrilhar.
O fino fio de prata que tanto nos segurou foi rompido.
Com as duas pontas, sozinho, escondido, eu tentei uni-las.
 
Eu estava no fundo de um oceano frio.
Eu não mais conseguia chama-lo.
Desesperadamente eu continuei a mergulhar, afundar.
Se fosse para ser assim lá no fundo eu queria ficar.
 
No escuro eu devia me afugentar.
O seu amor ainda era meu, mas o seu corpo não deixou eu me aproximar.
Para longe eu corri, desgovernado e armado.
Estava tão frio, sabia?
 
Você foi desaparecendo, e cedendo a realidade.
A minha voz não mais tinha poder.
Eu olhei para trás e lá as nossas boas lembranças estava.
A frente, não havia nada para continuar.
 
Os meus passos haviam de ser dados, mesmo que por um momento.
Eu senti frio, sabia?
Eu fiquei com medo e os olhos banhados.
“Sem você” já estava se tornando uma realidade que me cercava.
 
A você eu ousei dizer que ainda poderia amar.
O nosso amor foi puro e verdadeiro.
Novos planos foram expostos.
Mas, nas cinzas da minha antiga agenda o seu nome perdurou.
 
Daqui em diante lá vou eu.
E de todas as minhas metas a ser alcançada,
Ter você continua como prioridade.  
E as chamas do seu coração eu irei resgatar.

- Neto Ribeiro
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Poemas

1

Separados pela distância

E quando um obstáculo é encontrado,
É quando se torna a razão da solidão,
Maltratando os corações apaixonados,
Fazendo o coração deságua de emoção.

Suadades do seu abraço protetor,
Dos seus beijos que enchem de calor.
Suadades das conversas entre olhares,
Dos sorrisos ecoados no descampado.

E ruim viver um amor assim,
Mas pior é desistir sem insistir.
Apesar de todos os sentimentos de angústia,
Sonhar em revé-lo me prende na labuta.

Esse são os apaixonados solitários,
Distantes por causa da distância,
Como um obstáculo amargo,
Sempre separados pelo obstáculo.

NETO RIBEIRO
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