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n. 1940 PT PT

Pessoa de muitos versos mas que suspeita não ser poeta. Se calhar escrevo versos como se fosse filosofia, política, jornalismo ou...culinária. As pessoas dirão.

n. 1940-10-09, Vila de São Sebastião Terceira

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Domingo às avessas


É um Domingo às avessas.

Escondes, não confessas.

Primeiro dia da semana?

Resposta não me peças.

É um domingo às avessas.

Eu findo, tu começas

É um domingo às avessas

Pelas casas, pelas travessas

É um domingo às avessas

Se caminhas, tropeças

Se páras não recomeças.

É um domingo às avessas

Com vagar , sem pressas

Com mortos e com essas

Com caixões sobre tripeças

É um domingo às avessas

Mas da vida não te despeças.

Porque assim cessas

Com os domingos às avessas.

Niso 18.5.2014

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Poemas

13

As Nuvens


 

Maravilhosas vão as nuvens,

Maravilhosas vão;

Claras águas vão buscar,

Maravilhosas vão:

Que as vão buscar ao mar

Maravilhosas vão

 

Maravilhosas vão as nuvens

Maravilhosas vão;

Sulcando rápidas o céu

Maravilhosas vão

Como vaporoso véu

Maravilhosas vão

 

Maravilhosas vão as nuvens

Maravilhosas vão

Na sua cor carregada

Maravilhosas vão

Na tarde ensolarada

Maravilhosas vão

 

Maravilhosas vão as nuvens

Maravilhosas vão

No ar flutuando

Maravilhosas vão

Juntas em bando

Maravilhosas vão

 

373

Ilha ao perto

A ILHA AO PERTO

 

 

 

 

Pedra torrada

Transtorno do mundo

Do mar profundo

A custo arrebatada

 

Terra queimada

De solo fecundo

Contigo me confundo

Na vida insulada

 

Sentir de ausência

Rosto da saudade

Em que me revejo.

 

Assomo de consciência

Sonhando a eternidade

Ao menor ensejo.

 

 

419

Amor Antigo

O amor antigo

É aquele que não te digo

E não é porque de longe te sigo

Que me esqueço do amor antigo

 

O amor antigo

sólido abrigo

Contra o olvido.

Com ele sempre consigo

O dom não merecido

Mas que nunca desdigo

 

O amor antigo

Não é jazigo

Mas um postigo

Onde sem perigo

E debruçado digo:

Fica comigo

Meu amor antigo.

 

443

Falo ou não falo?

Não falo de sonhos. Não falo de pesadelos. Falo de pessoas. Pessoas que por mim passam e não as vejo. Pessoas que deviam estar perto mas estão longe. Que deviam ter um sorriso, mas não tem nem um esgar .Pessoas que nem amo nem odeio. Que não me são caras nem adversas. Que tem a alma das coisas perdidas. A tristeza no porte e no olhar. Pessoas que olham para dentro e tem nuvens no semblante. Pessoas que não rasgam caminhos, mas que passam a vida a andar. Pessoas sem rumo definido e sem passado vivido. Pessoas que são vidas perdidas e nem sentem desejo de se reencontrar .Pessoas sem partir nem chegar. Pessoas sem dar nem receber. Pessoas a quem faltou o sonhar.

 

883

Uma brincadeira do catano!


 

Ao meio dia

Com fulano

Tive um encontro

Do catano

 

Não fiquei ufano

Nem infeliz.

Mas foi um azar

Do catano.

 

Não se chama Elmano

Que nome terá?

Tem aspecto insano

Este catano

 

Como nódoa no pano

Sempre provoca

Um dano

Do catano

 

É humano

Ou sobre humano?

Este figurão

Do catano.

 

A este carcamano

Não fico preso

Mas também não desprezo

Co catano

 

Greco-romano

Não parece

Mas é antigo

Comó catano

 

Citadino ou paisano

De ano para ano

Parece mais balzaquiano

este catano!

 

Não sei se é muçulmano

Ou caucasiano

Mas tem um aspecto

Do catano

 

Com ar provinciano

E parecer leviano

Não passa dum marçano

Este catano

 

Seja moicano

Seja americano

Dá- se ares de soberano

Este catano.

Niso 22.5.2014

467

Décima para o dia internacional da Ideia


 

Quem o dia da ideia inventa

Talvez sem mesmo o saber

Muito menos aperceber

Da pequenez do que tenta

Pois  com pouco se contenta

Ao contrário do velho Platão

Que com mais fé na razão

O mundo das ideias criou

E para cada coisa encontrou

Nas ideias a sua expressão

406

Mau fado


 

O mau fado e a hora má

Minha vida marcaram

O mau fado sempre será

A herança que me deixaram

 

O mau fado e a hora má

Aprazaram um encontro

O destino decidirá

De tão fatal confronto

 

O mau fado e a hora má

Sempre juntos se conjugam.

Nenhum bem advirá

De tais forças que me subjugam

 

O mau fado e a hora má

São minha companhia astral

O mau fado comigo está

E estará para meu mal.

 

D.S. 21.5.2014

385

O nada que é tudo


 

 

Não estou pensando em nada

Meu cogitar é do nada

Estou vivendo o nada

Na sua nudez emplumada

 

O nada antes de tudo

O nada acima de tudo

Não é nada, contudo

É tudo, sobretudo

 

O nada não é o que resta

Da soma nula da vida.

O nada é o que lhe empresta

A dimensão e a medida

 

O nada não é o limite

Não é nenhuma fronteira

Não é a negação, existe

Como o gonzo na ombreira

 

Do nada fez o criador

As coisas e o mundo

Matéria prima e valor

De todas as coisas o fundo

 

O ser e o nada

Se igualam

Na sua indeterminação.

O ser, o imediatamente

 Determinado

É na realidade o nada

E não a sua contraposição.

 

Não estar pensando em nada

É pensar o nada

Como objecto em geral

É dar a primeira passada

No domínio do transcendental.

 

Niso. 18.5.2014

 

462

Domingo


 

É um Domingo às avessas.

Escondes, não confessas.

Primeiro ou último dia da semana?

Resposta não me peças.

É um domingo às avessas.

Eu findo, tu começas

É um domingo às avessas

Pelas casas, pelas ruas, pelas travessas

É um domingo às avessas

Se caminhas, tropeças

Se páras não recomeças.

É um domingo às avessas

Com vagar , sem pressas

Com mortos e com essas

Com caixões sobre tripeças

É um domingo às avessas

Mas da vida não te despeças.

Porque assim cessas

Com os domingos às avessas.

Niso 18.5.2014

441

Passado

Sonetilho 

Passado

 

Reviver o passado

Na paz

Que traz

O tempo recordado.

 

A memória do passado

Faz

E refaz

Mesmo o facto olvidado.

 

Dias que passaram

Recordações que não esquecem

Da vida vivida.

 

Momentos que recuperam

As horas, na margem

Da experiência esquecida.

429

Comentários (1)

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Luis Rodrigues

Amigo Niso, Não sei o que é isso de ser poeta, e menos ainda ter como profissão ser poeta. Mas sei o que é ver as coisas com poesia, e pela maneira como escreve o amigo também.