niso

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n. 1940 PT PT

Pessoa de muitos versos mas que suspeita não ser poeta. Se calhar escrevo versos como se fosse filosofia, política, jornalismo ou...culinária. As pessoas dirão.

n. 1940-10-09, Vila de São Sebastião Terceira

Perfil
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Domingo às avessas


É um Domingo às avessas.

Escondes, não confessas.

Primeiro dia da semana?

Resposta não me peças.

É um domingo às avessas.

Eu findo, tu começas

É um domingo às avessas

Pelas casas, pelas travessas

É um domingo às avessas

Se caminhas, tropeças

Se páras não recomeças.

É um domingo às avessas

Com vagar , sem pressas

Com mortos e com essas

Com caixões sobre tripeças

É um domingo às avessas

Mas da vida não te despeças.

Porque assim cessas

Com os domingos às avessas.

Niso 18.5.2014

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Poemas

7

Coisas da bola!

Quem diz sete diz Ronaldo

Quem diz sete por cento

É como lançar ao vento

Da copa, o desejado alvo.

Tem fama de portento

O número sete da seleção

Mesmo suando as estopinhas

Tanto as dele como as minhas

O pássaro parecendo na mão

Perdeu-se dentro das quatro linhas

312

Ora bolas!

Bola cá
bola lá
Assim não dá
Bola vai
Bola Vem
Tio Sam
sobressai
Bola no ar
Bola no chão
Resta-nos a consolação
das contas de somar
Arrancadas à Nani
Fintas à Ronaldo
Nem nos põe a salvo
O Varela como nunca o vi
326

Sexo

  1. Sexo
    complexo
    amplexo
    Mero reflexo
    Desconexo
    E que pode deixar perplexo
    Quem lhe procura o nexo.
408

Manhã

. A manhã chegou

 Dourada de sol e esperança

A noite passou

Em sono lento.

O dia não será diferente

Mas resta a confiança

Sempre presente

Em firme aliança

324

Às minhas inumeráveis quedas


 

Canto hoje a minha vida de quedas

Com o zelo de um coleccionador de moedas

 

A minha primeira queda

Foi tiro e queda.

 

A minha segunda queda

Foi brutal e cega

 

A minha terceira queda

Foi um simples desarreda

 

A minha quarta queda

Foi como deslizar num escorrega

 

Ai, a minha quinta queda

Não a troco por qualquer moeda

 

A minha sexta queda

foi triste mas também leda

 

Minhas inúmeras quedas

Por veredas

Barrancos e alamedas

 

Às vezes são cinzas

Outras labaredas.

Nem nos Vedas

Há tão infindas.

 

Niso 4.6. 2014

 

 

420

Rio de palavras

Sou um rio de palavras

Em luta constante

 contra a violência das suas margens

 que são as ideias.

 

Sou um rio de palavras

Que teima em desmentir

Heraclito – o obscuro.

Banho-me uma e outra vez

Nas mesmas águas deste rio.

 

Sou um rio de palavras

 que nunca chega

a pressentir a sua foz.

Tanto pode desaguar

 Num mar vasto  de ideias

Ou num turbulento lago de emoções

 

Sou um rio de palavras

qual dicionário de milhões de entradas

mas demandando umas às outras

a riqueza dos seus signos

ou a pobreza das suas significações

 

Sou um rio de palavras

que desconhece a sua nascente

as palavras não nascem

derivam ao sabor da  corrente.

Niso 3.6.2014

 

340

Endecha ao homem insubstituível


segundo Bertolt Brecht e Niso de Sousa

 

Se este homem insubstituível

se irrita,

 o céu e a terra se agita

 

Se este homem insubstituível

Espirra

Todo o mundo se constipa

 

Se este homem insubstituível

Dorme a sesta ou se distrai a olhar o mar

O mundo vacila nos seus alicerces

 

Se este homem insubstituível

tem dores abdominais

todo o mundo desata em grandes ais

 

Se este homem insubstituível

por momentos desfalece

a linha do equador estremece

a até o polo norte aquece

 

Se este homem insubstituível

Adoece

Põe toda a Igreja em prece

E toda a nação empobrece

 

Mas, se este homem insubstituível

Falece

No céu ninguém o reconhece

E na terra o seu corpo rapidamente

arrefece

E pala acção da  vérmina

- Única  que o  reconhece-

Apodrece

Da memória

Se esvaece

E no olvido

perece.

407

Comentários (1)

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Luis Rodrigues

Amigo Niso, Não sei o que é isso de ser poeta, e menos ainda ter como profissão ser poeta. Mas sei o que é ver as coisas com poesia, e pela maneira como escreve o amigo também.