O AGROPAZ DO MEU PE DE SERRA
(25/04/1988)
O cantar do Sabiá,
O murmúrio da cascata,
Os passarinhos
gorjeando,
Em revoada sobre a
mata.
Lá bem ao pé da Serra,
O Caboclo tem a sua
cabana,
É ele mesmo que
prepara o terreno,
Para o plantio do
milho e da cana.
Faz um pedido a Deus
pra o ajudar,
Com um bom tempo, se
possível,
Para cada grão vingar,
No declive.
Ele bem sabe como
aproveitar,
O terreno que é o
bastante,
Tem um porquinho na
engorda,
E um galo cantante!
E galinha no poleiro,
No terreiro, um cão a
vigiar,
As suas coisas no
seleiro,
E uma vaquinha a
ruminar!
Um papagaio mui
falante,
Danado pra remedar,
Que anuncia um
visitante,
Ele vai logo mandando
entrar.
Toda noite tem
sinfonia,
Num lago logo ali
adiante,
Grilos, rãs, corujas
voando a piar,
E um bacurau piando
(Amanhã eu Vou) a voar,
A Lua clara, cor de
prata,
O luar vem brilhante
sobre a mata,
Tem café, com bolo de
milho na lata,
Se quiser, pode comer
batata.
Quando dorme a
passarada,
E aí silencia o Sabiá,
Só lá pela madrugada,
Ele recomeça fazer a
alvorada!