paola_

paola_

- tenho um pé no lírico e o outro no óbito -

n. 0000-12-17, São Paulo

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vazar

fechei meus olhos enquanto a água escorria 

fluía de forma tão fácil e leve

morna e constante

por um breve momento nada me ocorria

o relaxamento era inevitável 

toda preocupação se esvaia 

rumo ao ralo ela seguia
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Poemas

9

desembuchar

Acho que minha vida sempre foi pautada em uma fantasia é triste constatar isso. Estou alguns meses sem fazer análise, então ainda não sei como estou lidando com esse presente que de presente não tem nada.

Aquele que vive de forma semelhante vai se identificar: um pequeno sinal - mesmo irrelevante - já é capaz de fazer minha mente girar. É como se minha mente fosse uma terra fértil, propício a esse tipo de situação.

Tento fugir, mas quando percebo já estou repetindo o mesmo ciclo, as mesma atitudes, nesse momento me sinto fracassada…

Deixo de iniciar conversas por receio de perceberem minha condição, então, prefiro permanecer na minha insignificância, invisível, passando vontades, não estabelecendo pontes.
188

amortecido

meu dia foi vazio
sempre espero por algo
mas nada acontece
é sempre o mesmo vazio 
e descontentamento 
olho ao meu redor
não tenho coragem de chamar alguém
ser um peso morto não é fácil 
cansada de nadar
acho que vou deixar a maré me levar
361

amparo

busco em filmes, músicas ou qualquer outra coisa 

que ajude a despertar aquela sensação de estar apaixonada

é loucura! 

acabo lembrando dos amores pretéritos 

e o que me causavam 

hoje, não me reconheço 

a fantasia está apenas nessa minha cabeça oca 

essa é a minha fuga

que só me afunda
334

familiar

estou ansiosa 
sedenta por sentimentos
onde buscar?
não há lugar
nem pessoa
que possa me dar
meus olhos estão cansados
meu ser esgotado
tento ficar em pé 
mas meu corpo já acostumou 
a sentir o chão 
e permanecer em completa solidão
184

toada

não tinha percebido
que há muito tempo 
usava melodias como conexão
até sentir os sintomas de privação
167

quarentena

a cada caminhada
te via na lagoa
sentava na grama
respirava fundo
sentia o sol
mesmo nos dias nublados
precisava ir no meu quintal
mas agora está tudo diferente 
o sol está limitado 
num espaço 4x4
222

empobrecida

aos poucos 
estou parando de buscar 
tem sido difícil sonhar
a fertilidade passou
hoje sou terra árida 
nenhuma semente cria raiz 
ainda assim 
não deixei de existir
293

dermatilomania

mais uma casca cicatrizada
me pego olhando pra ela
a vontade começa a aumentar 
passo os dedos 
e sinto que a casca está no ‘ponto’
sei que não é sadio 
e por alguns instantes hesito
quando lembro das marcas 
nas pernas 
nos braços 
no rosto 
até desanimo 
mas é difícil lutar 
com aquilo que não se entende 
tenho vergonha! 
tento esconder 
me cobrir 
mas isso não me impede 
em continuar a me ferir
213

faz de conta

vou me aceitar 
sou assim 
aérea 
sempre flutuando 
1000 roteiros
que não acompanham meus desejos 
sempre florindo 
pra suportar que existo
fugindo da realidade 
na qual faço parte 
decidi:
vou transformar isso em arte!
291

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farlleyderze

Sou editor da Microeditora Press. Se tiver interesse em publicar um livro, conte com minha Editora. Tenho o mesmo pensamento desse portal maravilhosos ESCRITAS.ORG, de difundir o trabalho literário e, sobretudo, sem interesses econômicos. Parabéns pelos seus textos, por nos brindar com a poesia, a emoção. Deixo meu contato pessoal: [email protected] Estou te seguindo lá no MEDIUM também.

Gabriel Andrade

espetacular!

stheportugal

Me senti dentro das escritas!