Paulo Sérgio Rosseto

Paulo Sérgio Rosseto

n. 1960 BR BR

Porto Seguro/BA. Escritor e Poeta. Livros Publicados: 24Livros no Prelo: 04Biografia completa: psrosseto.webnode.comLivros à venda: clubedeautores.com.brInstagram: @psrosseto

n. 1960-04-11, Guaraçai - SP

Perfil
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FAXINA

Introspecto queimo todo o lixo que deparo:
O bem do mau, o luxo e amorfo
O sórdido e prolixo da boa intenção
Sob a desculpa da fala, das justificativas
No refluxo prévio da arrebentação

Limpo as gavetas, os arquivos do córtex
Varro o chão da memória, rastelo vértices
Arestas e faces que gramam minhas vontades
As mais sujas e obscuras possíveis
Por meio século sem razão recolhidas

Uso da palavra como ferramenta de mão
Que escava intenções, remexe pensamentos
Remodela a arte transformadora do sentir
Para erguer-se altivo e predisposto
Reforçando colunas e produzir gentilezas

Eis a forma como decompõe-se a cera que me arde
Mínima chama no escuro da morte
Porem transparente e útil como lâmpada e luz
Limpa, livre, solta feito flocos do sal
Que depuram lagrimas de silêncio no porvir da idade

Sigo, por fim, andejo pelos polos de um imã
Que desperto e involuntário reverte meu leque
Provocando por sinais longas tempestades
Cujos ventos internos de sua doma reformam a manhã
Por onde diuturno construo sadias as minhas tardes
Ler poema completo
Biografia

Paulo Sérgio Rosseto nasceu em Guaraçai, SP, na manhã de 11 de Abril de 1960. Filho de Paulo e Celestina. Seus irmãos são Fátima Aparecida e Delermo de Jesus. Em 1966 seu primeiro poema (MEU CACHORRINHO) foi publicado no Jornal da Cidade (Folha de Guaraçai), destaque de um concurso de escritores mirins promovido pela escola local que frequentava. 
      A familia Rosseto muda-se para Selvíria/MS em 1968 e em 1970 mudam-se para a Cidade de Três Lagoas, também no MS. Entre 1974 e 1981 estudou nos colégios internos Salesianos de Araçatuba/SP, Campo Grande/MS, São Carlos/SP e Alto Araguaia/MT. Ainda em 1981 retorna para Três Lagoas. Casou com Soraya em 1984, com a qual tem dois filhos (Thais e Yuri).
      Reside na Cidade de Porto Seguro/Bahia desde 1988.
      Em Três Lagoas estampava seus poemas no Jornal do Povo, tendo publicado em 1982 o Livro O SOL DA DOR DA TERRA; em 1984 O Livro MEMORINHA - POEMAS INFANTIS e em 1985 o Livro ATO DE POEMA E UMA CANÇÃO e 1986 AMOROSIDADE. 

LIVROS RECENTES: 

CRÔNICAS ABERTAS - Poemas - 2018
DOCES DOSES de POESIA - Aldravias - 2018
VERSOS de VIDRO e AREIA - 2019
POEMAS QUE VOCÊ FEZ PRA MIM - 2019
LÁ PELAS TANTAS DA VIDA - 2019
FAZENDA HAICAIS - 2020
ABELHINHA PEQUETELLA - 2020
POETA ENTRE COLUNAS - 2020
POEMAS QUE VOCÊ FEZ PRA MIM - Vol.2 - 2020
NAS ASAS DAS HORAS - 2020
BULBOS diVERSOS - 2021
SONETOS ESQUISITOS PARA NINAR MOSQUITOS - 2021
BORDEJAR - 2021
PLENO ESTADO DE POESIA - Poemas Reunidos Até Aqui - 2021

Membro da ALB - Academia de Letras do Brasil - Cadeira 18 - Seccional Porto Seguro/Ba.
Membro da ALSPV - Academia de Letras Sociedade dos Poetas Virtuais - Cadeira 38.

Poemas

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UM BEIJO JOGADO

Foi mesmo um beijo jogado
(Quem até hoje não jogara!)

Era para ter acertado a testa
Entretanto resvalou pelos olhos incerto  
Deslizou pela ponta do nariz
E por um triz não parou nos lábios

O destino quis naquele intrépido inesperado
Antes que no lépido coração tocasse
Titubeasse inusitado entre o pescoço e o braço
Estalasse no ombro desnudado

Enfim entre o susto e o riso do risco
Estatelou-se em mil pedaços
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CARNIS LEVALE

Vieram todas cores e tambores
Alegoricamente agigantados
No formato multidão

Nada mais traziam senão
Intenções em sustentar os sons
Arguidos das guitarras braços
Contrabaixos teclados pernas
Suor passos suingue bandolins
Que se intrometiam no turbilhão
Cantante ritmado das câmeras e gruas
Do que os meus olhos viam

Eu assistia àquele incrível espetáculo
De braços cruzados à beira da rua
Até que o coração fora arrebatado
Indecoro e involuntário
Que nada dizia senão batia batia
Rebatia repicava repedidas vezes
Magicamente me colocando
Respirar aloprado junto à bateria
E fora de mim

Quando me dei conta havia incólume
Passado por entre a alma e a carne
Outro belo carnaval
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ASSINTONIA

Ele mastigava as vozes que ouvia
E o que diziam engolia
Sem sequer sujar os dentes

Saciava-se das lavaredas dispersas
Ao fiar credibilidades
Gritos burburinhos e silêncios

Até que tudo se dispersara
E prevalecessem senão verdades
Ainda que não absolutas

Agora nada mais escuta
Muito menos fala
Nem se assusta
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ASSINTONIA

Ele mastigava as vozes que ouvia
E o que diziam engolia
Sem sequer sujar os dentes

Saciava-se das lavaredas dispersas
Ao fiar credibilidades
Gritos burburinhos e silêncios

Até que tudo se dispersara
E prevalecessem senão verdades
Ainda que não absolutas

Agora nada mais escuta
Muito menos fala
Nem se assusta
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IDENTIDADE

São os rastros que me seguem
Como fosse guizo parte de mim

Teu cheiro dá pra ver 
Tanto por quanto é canto
Quando acende em teus olhos
O quanto ilumina teu ser

Nessa paixão feita de lados
Nascemos nus e iguais
Depois disso dizem-nos
Uns com menos aporte
Outros talvez por mais

Nada que o sol não dissesse
Se assim não perfumasse
Os segredos mais distantes
Por todo o sempre enfim

Porque conceber é encanto
Somos todos inacessíveis
Vacilo entre acaso e sorte
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OLVIDOR

Pensei ter ouvido deus
Dizer-se triste com tudo
Inconformado com a gente
Em desconsolo com o mundo
Perdido entre as desatenções
Daqueles que oram sem crer
Dos que creem e nem rezam
Ou vivem em estado de graça
E não fazem por merecer

Oh presunção do absurdo
Entremeio aos desacertos
Fui eu quem desdisse adeus
Fiz dos meus tantos encantos
Um rosário de encantados
Presunçoso inconsequente
Deitei-me com a santidade
Nos momentos mais errados
Cuidando da vida alheia
E não de quem estava do lado

Na verdade dissera ele
- Resolvas tu os teus descuidos
Que deslembro eu teus pecados
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ALENTO

Os olhos são sentinelas
Das linhas retas dos versos
Para que não misturem as pautas
Embaralhem as letras
Nem percam os sentidos
De como foram dispostas
Nos contextos diversos

Uma palavra mais outra
Outra mais de cada estrofe
Sem ponto sem vírgula sem nada
Não tenha começo nem pausa
Nessa costura dos versos
Exista interstício ou parada

Assim voando soltas
Por sentidos dispersos
Caibam inteiras nos sonhos
Dos corações mais complexos

É assim que poeta e poesia
Exterminam das faces do assombro
Cada um dos maus sentimentos

Todo olhar faz do poema um alento
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DISTÂNCIAS

Entre pétalas penachos
Soltos na brisa serena
Em meio aos risos do sol
Era a rosa e o girassol
A cotovia e o rouxinol

Saudade são leves traços
Que às vezes faz doer

Era orvalho no clarear
Névoa cinza de entediar
Folhas levadas ao vento
Entre estranhos sentimentos
Do frio intenso a judiar

Saudade é indócil pena
Que faz estremecer

A inquietude faz gozar
Mesmo que a lágrima queime
Os olhos por torturar
Era o próximo e a distância
Na inconstância do que não vem

Saudade é poesia
No coração de alguém
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DETALHES

Meu ultimo escrito
Há de brotar de alguma garrafa
Debaixo de uma rolha
Cujo rotulo trará insígnias assim precisas:

Este poema traz cor robusta
Presença aveludada plena e intensa
Seus aromas lembram frutas maduras
Com notas densas que pigmentam ternura
Na boca tem palavras doces
Macias redondas de significados conexos
Combina perfeitamente com sonhos
Sinônimos e detalhes pequenos da vida

Por fim quem sabe
Tomai e embevecei todos vós
Deste meu tempestivo poema

E ao rodapé discreto lembrete:  

A morte nada mais é
Senão vestir o avesso do que nos cabe
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ALGUM LUGAR

Além é onde não fui porque fica após acolá
Não quer dizer que viva aquém
Porém me encaminho pra lá

Encontrarei bem no centro das historias que vivi
Motivos de ir adiante desbravar hoje o que ontem
Desviou-me por estradas que não iam a algum lugar

Quanto mais tempo vier em favor dos meus anseios
Terei meios de aplacar as vontades que ainda tenho
As audácias que desejo entender de onde venho
E o que aqui vim fazer

Preciso apenas querer que as demoras se sucedam
Que meus medos extirpem e revelem-me os segredos
Nos caminhos que buscar dentro e fora de mim

Efêmero passageiro caminheiro de onde vim
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Comentários (2)

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Meus sinceros parabéns sr. Poeta Sergio Rosseto... teus textos são de tanto amor conquistado e perdidos ... que nos faz imaginar um universo sendo criado a todo dia em que o sol aparece no colo de uma nova mulher. Felis ano vovo.

Rodrigo Marques
Rodrigo Marques

quantas verdades com perfeição!