pauloafonsobarros_57

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Aprendiz dos filhos e da vida, acredito que cá estamos não por mero acaso.

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Ainda sou...

Hoje, lentamente, ao buscar entender
que acordava para mais um dia,
primeiro tentei saber se apenas sonhava ou,
se fato,
ainda existia,
demorados segundos de torpor,
em suspensão,
entre ter sido e ainda ser,
percebo que sou,
logo agora que já concebia sido ser,
amanhã,
se outro dia,
vida nova se faça,
com tudo aquilo de que preciso,
pouco,
e com mansidão...
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Biografia

Nascido no Brasil, na cidade de Apucarana, estado do Paraná, em 07 de outubro de 1957.

Pai: Node de Barros  Mãe: Gilda Montilha de Barros

Graduado em Ciências Biológicas pela Universidade de Taubaté - UNITAU

Graduado em Biologia - Bacharelado pela Universidade de Taubaté - UNITAU

Especialização em Gerontologia pela Universidade do Vale do Paraíba - UNIVAP - São José dos Campos - SP

Mestre pelo Programa de Pósgraduação Interdisciplinar em Desenvolvimento Humano: Formação, Políticas e
Práticas Sociais da Universidade de Taubaté - SP.
Área de Concentração: Contextos, Práticas Sociais e Desenvolvimento Humano.

Tese de Mestrado: ASPECTOS DA CULTURA ORGANIZACIONAL E DO ENVELHECIMENTO EM SERVIDORES
PÚBLICOS DE UM INSTITUTO DE PESQUISAS

Poemas

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Mensagem a Drummond e Tancredo Neves...


Senhores Carlos Drummond de Andrade e Tancredo Neves, desculpem-me a formalidade, mas o respeito que meus pais me ensinaram assim o exige, espero que estejam bem desde quando nos deixaram, em agosto de 1987 e em abril de 1985 respectivamente.

Creio que os senhores, onde estiverem, vez ou outra, recebam algumas informações e atualizações da situação do nosso Brasil e da sua terrinha em particular, Tancredo de São João del-Rei e Drummond de Itabira, da nossa querida Minas Gerais.

Não só os Itabiranos e São-Joanenses não os esquecem, na verdade, nós, os brasileiros de todos os cantos, sentimos muito suas ausências, embora nos tenham deixado vasto material sobre valores, costumes e boas práticas de civismo, estamos cá com graves problemas nessas áreas.

Senhor Drummond, ainda estudamos seus escritos para deles extrairmos suas ideias e ensinamentos sobre o amor, a tolerância, paciência, angústia e arrependimentos depreendidos de seus versos de toda uma vida.

Ah! Senhor Drummond, sua habilidade com as palavras nos coloca diante de caminhos e obstáculos de difícil ou fácil transposição, depende do leitor, do dia da leitura ou das tantas releituras, as pedras da vida lá estão e nunca no mesmo lugar, permitindo belas equações de amor e superação.

Já o Senhor, Seo Tancredo, em um de seus discursos, propondo mais conciliação, nos ensinou que, "A Pátria é escolha, feita na razão e na liberdade. Não basta a circunstância do nascimento para criar esta profunda ligação entre o indivíduo e sua comunidade".

Senhores Drummond e Tancredo, nosso Brasil anda estranho demais, continuamos sendo um país do futuro em vários aspectos, especialmente na saúde e educação, pilares de uma nação que almeja desenvolvimento e dignidade para todos.

O gigante continental da América do Sul está carente de líderes políticos com visões de estadistas e empresários que visem mais que apenas o lucro do capital e assumam sua responsabilidade social.

Vivemos um período de grande insatisfação com divisões no seio do povo que extrapolam o bom senso e não residem apenas na divergência de opiniões, muitos, sem rumo e com pouca massa crítica, se deixam levar por meios de comunicação que manipulam a informação dependendo dos interesses próprios e das ocasiões.

Necessitamos de líderes que nos mostrem caminhos em meio às pedras e que persistam na boa trilha da valorização da Pátria enquanto espaço para a dignidade humana que está além e muito além das letras mortas dos estatutos dos partidos políticos.

Drummond e Tancredo, permitam-me agora como irmãos que sempre fomos e seremos, estamos a precisar de paz e serenidade para desanuviar o ambiente pesado que paira sobre nós.

As energias densas estão a ofuscar a razão que nos jogam na sanha das paixões sem freio, claro, temos sim nossa parcela de responsabilidade pelo que nos ocorre, mas pedimos, de onde estiverem, juntem forças com outros brasileiros, renomados ou não, mas de grande valor moral, ético e cristão, e nos cubram de amor e pacificação.

É em nosso Brasil, vocacionado para a espiritualidade e humanidade, onde convivem credos diversos, trazidos pelos escravos africanos, católicos, evangélicos, espíritas, budistas, muçulmanos, islamitas, xintoístas, cristãos e ateus, que todos se juntam em oração.

Mãos dadas, como uma família que somos, clamamos ao Deus de todos, bençãos para que os homens sejam fraternos e acordem da indiferença, do orgulho, da vaidade e da soberba que lhes cega ante todas as misérias.

Estamos de passagem neste plano onde a ilusão do ter e do poder estão mascarando um triste despertar.

Luz, paz, amor, ternura e serenidade.

Fraterno abraço.

Paulo Afonso Barros
Maio de 2017


No Meio do Caminho

No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.

Carlos Drummond de Andrade
In Alguma Poesia
Ed. Pindorama, 1930
© Graña Drummond.

In: http://www.algumapoesia.com.br/drummond/drummond04.htm


Trecho do discurso de Tancredo Neves preparado para a posse na Presidência da República, em março de 1985.

"Senhores Membros do Congresso Nacional, recebo da soberania do povo, de que sois portadores, a chefia do Estado e o governo do País. Esta solenidade encerra singular mistério de liturgia cívica. A Nação inteira se reúne, pelo instituto da representação, em sua vontade e em sua esperança, para investir um homem da responsabilidade de a conduzir, na lei e na dignidade.

De cada um dos homens que constituem a comunidade nacional transfere-se, ao coração e ao espírito do escolhido, um homem como os outros, parcela essencial de ser, na devoção aos valores comuns e na inquebrantável decisão de os preservar para sempre.

Ao assumir esta enorme responsabilidade, o homem público se entrega a destino maior do que todas as suas aspirações, e que ele não poderá cumprir senão como permanente submissão ao povo.

Quando falamos em povo não pensamos em uma entidade abstrata, que possa ser eventualmente conduzida em trilhas de equívoco, pelo fanatismo ou pela demagogia. Pensamos no povo como soma de razões e virtudes, que sempre prevalecem, para impor lucidez à história, restaurando o que se deve restaurar, abandonando o que se deve abandonar e construindo o que se deve construir (...).

In: https://oglobo.globo.com/politica/discurso-de-tancredo-neves-preparado-para-posse-na-presidencia-da-republica-3021920#ixzz4hVRdpHYM
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Tudo passa...


Vivemos dias de turbulência em nosso querido Brasil.
Estamos ansiosos e apressados para que essa tormenta chegue ao fim.
Podemos evitar que nossos pensamentos coloquem mais tensão nesse ambiente alimentando um círculo vicioso de mais mágoa e ódio.
Óbvio que não somos insensíveis ou indiferentes e temos o livre arbítrio para fazermos o que bem entendermos, temos nossas opiniões e convicções.
Mas, de que adiantará lançarmos mais pressão negativa no que está a ponto de se resolver?
No tempo certo, de um jeito ou de outro, seremos chamados a exercer o voto novamente, ratificando o processo democrático em nosso país, com todas suas imperfeições e a necessidade permanente de aperfeiçoamentos.
Fato, nada cai do céu, toda conquista é resultado de trabalho, convicção, comprometimento e perseverança.
Esse tempo de tensão passará, alimentemos a possibilidade real de que o seja sem soluções traumáticas que tragam sequelas de difícil superação.
As pessoas que estão a dar causa a esse turbilhão também e certamente passarão.
O que ficará para seguirmos em frente será uma maravilhosa oportunidade de fazermos diferente para os pequenos que estão chegando com novas ideias de ser e como fazer.
Tudo passará, que seja este novo período de paz e sem nossa contribuição imediatista para um efeito manada de tristes resultados.
Toda crise é uma oportunidade de evolução, o novo ciclo a se iniciar pode e será virtuoso, estamos no limiar de novos tempos que trarão outras formas de dificuldades a serem superadas.
Estamos nesse plano para nos melhorarmos e vencermos nossas tendências que, em passado recente, nos igualavam aos seres brutos, esse tempo já passou.

Calma, tudo passará.
Deus ilumine nossas escolhas.
Fraterno abraço a todos.
Paz, amor, ternura e serenidade.
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Porções de vida e afetos...


Logo pela manhã ela ajeita sua pequena filha, agasalhando-a bem para enfrentar o frio de um inverno mais rigoroso que o de outros anos.
Sai pelo bairro dirigindo seu velho fusca, no interior há muitas sacolas com um pouco do que tem, fruto de suas economias e do garimpo em casa de amigos que já a conhecem de há muito e sabem de seus hábitos e que ela faz questão de não divulgar.
A primeira parada é em uma casa simples, onde mora um casal de amigos de velha data, Dona Maria e o companheiro, Chico, ambos já velhinhos, ele bem conhecido na região. Ali, quando ainda haviam campinhos de futebol, goiabeiras, pessegueiros e muitas amoreiras, "Seo Chico" ensinava a molecada a não fazer arapucas que pegavam rolinhas, sanhaços, canarinhos e pardais, estilingue ele trocava por bolinhas de gude e piões de madeira.
A segunda visita é em outra casinha que fica nos fundos de um antigo mercadinho, agora fechado, ali moram uma senhora com quatro filhos pequenos, de sete, nove, onze e doze anos, enviuvou jovem e tragicamente quando seu marido sofreu acidente ao fazer bicos de ajudante de pedreiro.
A terceira pausa do dia é num abrigo com uma dezena de velhinhos esquecidos por suas famílias, mantido por instituição não religiosa e que vive de doações da comunidade.
A última parada do dia é numa praça onde alguns moradores de rua a recebem demonstrando conhecê-la e fazem festa com sua chegada.
Ainda arranja mais uns minutinhos para rever o mais novo morador da rua, um recém-nascido, filho de uma jovem adolescente que mal sabe trocar fraldas e dar banho na criança, a situação está tensa pela não aceitação dos pais com quem ainda mora, o pai desse pequeno não é bem visto no lugar por suas amizades pouco confiáveis e algumas passagens pela polícia por prática de pequenos furtos e desinteligências com desafetos dali e acolá.
Finalmente, ao chegar em casa, conversa com a filha enquanto prepara o jantar, logo o marido e o filho chegarão do trabalho e com muita fome de seu saboroso arroz e feijão.
Mais valiosas que os donativos que entregou são as ricas porções de afeto, carinho e atenção que delicadamente lhes deixou.
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Jeito e cara nova...


Angulando com visão precária e mãos grossas,
desenhadas nas asperezas dos seus dias,
apanha estimado cinzel e começa,
do nada,
naquele pedaço de pedra bruta,
assim como outros tantos,
guardados e empilhados há tempos,
a dar forma a uma escolha antiga,
conhece bem as sutilezas do tocar em bruto,
a rudez é apenas dum primeiro olhar,
o golpe inicial quebra o silêncio,
mas ele mantém,
em absoluta quietude,
a mesma determinação,
realimentar a cada novo dia,
a esperança,
mas e sempre,
com jeito e cara nova.
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Rendições por amor...


Escolha as rendições que em sua vida se fazem mais do que necessárias, que estão ao seu alcance, aquelas em que você não sofre, não faz sofrer e fazem dos dias que te restam tempos mais leves e felizes, como o amar incondicionalmente, sem pedir nada em troca.
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Abraço que fala...



Caro Mario, me cai no colo agora, já amanhecendo, uma fala tua que me acalma e encanta.

Você versa sobre a ausência de vocábulo que traduza o que a mente, açoitada pelo coração, pensa e não sai da boca, pois que inexiste, uma única e certa expressão.

O abraço afetuoso, carinhoso, amoroso, mesmo que trêmulo ou acanhado, é, por certo, a única forma de se dizer tudo.

Obrigado Mario, achava que a falha era do Aurélio, mas não há culpados quando o coração inquieto, sutil e delicadamente ardiloso, encontra seus jeitos.

Abraço

"Abraçar é dizer com as mãos o que a boca não consegue porque nem sempre existe palavra para dizer tudo". (Mario Quintana)
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Gilda's...


Hoje conversei com a minha mãe querida, com a certeza de que ela está bem, sem sofrimentos e em paz.

Já decorridos 42 anos de sua passagem para um plano melhor que este nosso, ainda tão rude e grosseiro, onde muitos ainda sofrem com a falta do mínimo para sua sobrevivência, passando fome, frio e sede diariamente.

Gilda era seu nome, lhe caía tão bem, pois que ela era uma mulher que se esmerava de maneira plena nos cuidados para com a família, acolhendo outros mais que podia e não podia e se não tinha nada a lhes oferecer materialmente, entregava-lhes o sorriso contido e nas mãos gentis, com cuidado e sem alarde, a doação da maior energia do mundo, a do amor.

Não há como não voltar no tempo que se faz tão vivo e sentir novamente suas mãos deslizando pela minha face e com suavidade desalinhando meus cabelos em momento de absoluta paz, eu sempre queria mais um pouquinho.

À minha mãe querida e a todas as mães deste mundo, ainda entre nós ou que já partiram, as de sangue e as do coração, criaturas abençoadas pelo seu desprendimento e desapego, um beijo nos seus corações.

As histórias de amor de mãe e filho não tem fim, simplesmente se misturam às energias que nos conectam ao que ainda não conseguimos dimensionar e compreender...

Até breve minha mãe querida, obrigado por continuar olhando por nós.
295

Sem exigências...



sem exigências ou ilusões,
apenas o possível,
mesmo que no todo irrealizável,
melhor assim,
ter alguém ao lado,
essência plena,
aquietando,
há que esperar,
a pressa não faz o coração mais leve...
291

Noite lá fora...


Ser ou ter que parecer forte é difícil,
um pouco de cansaço parece culpa,
ouça,
só por ora,
apenas por hoje,
me dá um tempo,
culpa?
não,
apenas limite,
por favor, me entenda,
eu preciso parar agora,
só por um instante
deixa-me respirar,
cair no sono,
renovar-me,
quando eu desejar um colo,
ou somente um momento,
sem culpa,
nos falamos ou apenas,
silêncio...
304

Esperança na terra seca...


Refazem o batido caminho pela velha e conhecida terra seca, o mesmo sol que lhes dá vida também lhes judia marcando-os, nos rostos, os poucos, mas já aparentes muitos mais anos de vida...

Intenso, escaldante, é secura demais...

Se a chuva vier o chão não lhes negará a vida adormecida...

Já faz muito, mas ainda se lembram do último ano onde o inverno foi bom, nessa memória tem cheiro da terra sendo encharcada...

Exaustos chegam ao açude ainda com um pouco de lama, olham para o céu com poucas nuvens...

O pai cai de joelhos e puxa os filhos, com os olhos rabisca no barro todos seus desejos e sonhos como se fossem sementes e suplica:

Meu divino São José,
Aqui estou a vossos pés.
Dá-nos a chuva com abundância,
Meu divino São José.
"O sertão é uma espera enorme",
Dá-nos chuva com abundância,
Meu divino São José.

Talvez nenhum de seus desejos se realize e nenhuma das sementes veja brotar...

Sabe que não há certezas na vida, mas precisa acreditar que haverá ainda uma próxima vez, pelo menos para os meninos...
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