PedroBernardo

PedroBernardo

n. 1994 -- --

Escrevo aqui algumas frustrações.

n. 1994-08-25, Curitiba

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Cadáver

Aqui jaz um corpo sem alma
Um resto de de ser humano composto pelo nada
Aqui jaz um amontoado de células morta
Um pedaço de carne em decomposição

Não lhe tiraram a vida, ele mesmo se matou
Aqui descansa um corpo ausente de ser
Pouco importa de onde veio ou para onde vai
Ele não é mais funcional

Uns choram outros comemoram
Mas para esse corpo nada mais importa
Afinal, é apenas um cadáver indiferente

A juventude não aproveitou
A fase adulta passou desapercebida
A velhice foi repleta de sofrimento e infelicidade

Enfim ele encontrou seu lugar
Descansa na eternidade do tempo
Em um cova fria e obscura de um cemitério qualquer.
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Poemas

4

Falsa realidade

Não há escuridão na natureza
Não existem prisões na Selva
Lá tudo é real

O que vivo aqui
São apenas ilusões de viver.
573

Quero

Quero manhãs sonolentas
Tardes de frio, preguiça e cobertores
Noites de amor.

Quero sexo selvagem, caricias no sofá
Passear de mãos dadas no parque.

Hoje só quero dormir, amanhã, talvez
Nem acordar.
583

Alma Quebrada

Minhas mãos estão manchadas por sangue inocente
Não sou digno dessa alma que habita meu corpo
Minha redenção é o amor, porém
Sou indigno de ser amado

Meu caminho, uma estrada de mão única
Sem volta
Uma estrada construída com espinhos
Que dilaceram minha pele sempre que tento prosseguir

Voltar atrás já não é possível
O tempo, implacável, não me permite
Nesse caminho em que fui lançado, só encontrei dor
Estou cansado, estou ferido, minha alma sangra

A dor que me aguarda
Só não é maior do que a dor que sinto agora
Sou um ser sem face, não existo.
604

Angústia e Alguns Cortes

Esses cortes...
Esses cortes que eu mesmo provoquei
O sangue fresco derramado, a dor causada
A lâmina 

Novamente fui vencido pela dor que abita em meu peito
Dentro desse ser vazio
E sentindo tanta dor, tanta fraqueza
Sucumbi, e voltei a cometer tal ato

Quem sentenciou minha pele?
Quem deu o veredito?
Ela não teve chance de defesa
Apenas foi condenada a pagar pelos meus erros

Essas lâminas que ferem meus pulsos, mas curam minha alma
Essa dor que me causa alivio, Deus, como me causa alivio
Estou rindo, estou chorando...

Me feri novamente
Senti aquele alivio cruel tão repentino
Meus pulsos ardem, as lágrimas caem como cachoeiras
Me sinto mais fraco agora, fui vencido por mim mesmo

O alivio foi embora, quase tão rápido quanto como chegou
O fardo posto sobre meus ombros como antes, só que mais pesado agora
A escuridão tomou conta de mim
Minha pele está cicatrizada, porém minha alma continua a sangrar
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