Flor do Deserto, vês como já há tanto tempo me encontro?
Sabes quanto me custa ser franco quanto a meus sentimentos por alguém que já passou a um leito negro de onde jamais retornará?
Alguns anjos me julgam dizendo que é derespeito amar uma defunta,
outros vão além e dizem que com ela ainda me masturbo,
e há os que não me perdoam por quererem a carne deste corpo, que nada vale perante o sentimento que se assentou em minha alma;
e eu fico aqui pensando: "O que posso fazer por alguém, uma flor tão boa para comigo, de modo que a agrade, sem que minta ou a engane sobre meus sentimentos mais profundos?
Mais que uma queda: morte! Sinto-me destruído com o que, em vida jamais conseguiu a ta ponto ___ me atingir:
agora, enternecido, mesmo aos mais ensolarados dias, com as recordações de nosso maior, mais intenso e mais doloroso ___ amor,
visto aos versos teu ausente manto frio e, em mim, uma escura e constante ___ noite sem sentido!
189
A QUÂNTICA, O INFINITO E A SENCIÊNCIA HUMANA
É muito possível, quanticamente, que nos reencontremos novamente um dia,
aliás esta realidade já existe independente de morte ou vida:
é que o comportamento ondulatório das elementares partículas que nos compõem
já se fragmentam em meu ser que ainda está sob a ponte, em teu ser que dela já passou
e em todos que já houve, há ou haverão, assim como em todas as coisas possivelmente existentes neste infinito Cosmo em expansão;
porém, advindos de tal imprevisível e comportamento de ondas, totalmente comuns e incomuns,
fragmentadamente em possibilidades de eternos sins e nãos.
133
SEM REFÚGIOS
A eterna ausência tua faz com que todas as nuvens se pareçam turvas
e, sob estas sombras projetadas ao chão em que habito,
na solidão, no silêncio e na angústia que ficaram
ainda não vi algo qualquer que a tal brumática situação mude!
182
NÃO HÁ SÓ AMOR, HÁ SEVERAS MÁGOAS CONTRA AS QUAIS LUTO
A chuva era constante, e o vento era extremamente selvagem,
havia mortos e fantasmas ainda urrando seus prazeres e suas dores do lado de fora:
dentro da cabana até que tentei nos manter do mundo separados,
mas, depois de constatado teu narcisismo e teus enganos e desenganos junto a anjos brancos de outras cidades,
eu fui obrigado a me deixar jogado do lado de fora!
102
QUANDO A CASA CAIU
Acreditava naquela história de que ela contava que era pura, pura, puríssima
e que sempre fora e seria eternamente minha;
eu me considerava um homem inteligentemente arrogante dando-me o poder de contrariar a condição sapiens para vê-la assim:
agora sei que sou um abnômalo burro como outro qualquer, que amo, que desejo, que me masturbo,
que tremo, que deliro, que gozo e que choro como outro qualquer!
157
QUANDO EU FALAR DEMAIS
Quando eu estiver muito chato ou falastrão,
assim meio desvairadamente perdido com o verbo volátil,
chega, tapa-me a boca com um beijo, abraça-me apertado, toma-me inteiro, joga-me em teu leito
e faze-me gemer e gozar com a intensidade tal que não me reste mais nenhuma força, senão para gemer e delirar!
226
TUDO PODIA TER SIDO DIFERENTE
Ela escolheu amar sob cerradas chuvas de fogo
e, assim sendo, deparou-se com o frio golpe de meu hiemal deserto;
e de tal forma que nem ela conseguia me matar com suas tempestades,
nem eu a ela com meu frio silêncios e desleixo dissimulados.
Resultado: quando a morte a levou, ficou tarde demais até para que eu me aproximasse para lhe dar meu último adeus!
175
DEIXA ELUCUBRAREM
Parece que querem saber quem é o paquera da Flor do Deserto,
anjos são "phoda" mesmo, nunca se mancam, nem quando picados por cobras venenosas;
mas eu devo dizer que a esses puritanos e puritanas ladrões de sentimentos e de desejos
que a Flor do Deserto não tem um paquera (esse negócio de paquera é coisa de adolescente retardado:
the flower of the desert has at his side is an arid man!
115
O SER É UM SÓ CORPO
... e quando
o céu se torna escuro,
negro como
o ardente inferno,
os anjos
e os puritanos
saem escondidos de
Seus paraísos
e vão
participar das promíscuas
sodomias e concupiscências dos cães
e dos demônios!
180
OS BELOS CÉUS DO SAPIENS!
Algumas escolhas que fazemos pode nos levar a céus permeados de sombras; outras a céus limpos e azuis, desde que não se lhes coloquem as próprias visões turvas.
É que constumamos nos blindar de forma drástica, sem nenhuma explicação lógica, em alguns encontros casuais, ou mesmo em compromissos mais duradouros.
São tendências naturais da abnormalidade. E a melhor defesa para o ego costuma ser a inversão de valores e o acúmulo de merdas no outro ser, a quem julgamos amar ou odiar, ou de quem nos dizemos amigos.
Se levarmos em contra esse paradoxo de o ser se ver bem, e não tão bema o próximo, a tendência, pelo ceticismo, é o devaneio pela busca no outro do que, na verdade, nem nós temos: a sublime condição de não mentir, de não jogar e de nao ludibriar.
Haveria algum porto Salvador de nós mesmos, se empurramos nossas próprias culpas nos outros?
Não. Definitivamente não. O devaneio é nato e, se a vida tem tanto de sorrisos como de choros, e tanto de alegrias como de angústias a tendência clara é de se desfazer do lixo. E o modo mais fácil de se fazer isso, mesmo inconscientemente é os jogado aos outros.
Se juntarmos tudo isso com os traumas da infância e da fase adulto, tudo fica ainda mais difícil. Se juntarmos o virtualismo atual, ainda mais complicado, chegando mesmo a beirar a insanidade, a partir do ponto onde nos achamos bons demais e aos outros por demais ruins, buscadores de desejos de vãs punhetas.
E não é de se julgar nada. Nós mesmos somos vítimas dos mesmos atropelos, mas se nos masturbamos, colocamos nossos egos em disputa e juramos amores a quem mal conhecemos para, depois, com combates violentos, chover-lhes ataques e chuvas, não deveríamos ter o direito de ainda nos autoconsiderar puros, ou sequer melhor que eles.
De modo que o virtualismo aumenta sobremaneira a tendência ao devaneio que é, logicamente, fruto de nossas próprias frustrações, fraquezas e desejos. Ainda assim, ali a vida chora, brinca e sorri, mas para nós mesmos, quando há dor, culpamos alguém por ela, nunca assumindo que somos um corpo e que nós e que, em certas situações, somos a célula cancerígena.
Não que me intente vestir de sábio ou de egocêntrico, por outra, coloco-me no mesmo nível dos demais, propício, portanto, às mesmas vesanias, às mesmas fantasias, ao mesmo avesso exercício do ego e às mesmas quedas covardes, com o afiado verbo aos demais atirados.
A questão é muito mais profunda. Na verdade, não se importa onde a pessoa se enocntra, ela tende a andar nas margens. No virtualismo, entretanto, tais marges ou desaparecem, deixando tudo parecer possível ou são ignoradas, sendo as coisas quase sempre diferentes do que nos ocorre na realidade.
Concluindo, o devaneio é imanente e precise ser autocontrolado. É maior no meio cibernético e não creio que se vestir de erudição, de anjo, de herói imbatível, de doutrinador com alguma autoridade, de dons huans valha absolutamente nada.
Tal qual na realidade, a participação pelo virtualismo é pessoal; e as responsabilidades por ultrapassar as margens devem também ser pessoais, e nao jogadas ao mundo, como se o mundo fosse nosso depósiti de destroços, de lixos e de porras.
Assim, acho que jamais encontraremos um meio etério e puro, porque a grande barreira está dentro de cada um de nós. Ou vós achardes fácil encontrar alguém em quem possais colocar um diferencial de luz e reconhecê-lo como puro e bom, sem que elas vos sejam e também vacilem como humanos?
E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.
Quero, sim....
Olá poeta Thor Menkent, boa noite! im te visitar neste site tão agradável. Linda tua poesia, amei! ¨¨¨¨¨¨Beijo da Flor*